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Experimentamos o Mustang Mach-e, um SUV elétrico que vai querer comprar!

Passámos dois dias com o Mustang Mach-e. O que gostámos e o que não gostámos tanto. Se estiver dentro do seu orçamento, este é um SUV que vai querer comprar.

Nuno Poço
Nuno Poço
Experimentamos o Mustang Mach-e, um SUV elétrico que vai querer comprar!

O Mustang Mach-e é um SUV 100% elétrico vendido pela Ford, com preços que começam nos 60 mil euros.

Não é propriamente barato, mas também não era isso que se esperaria de um Mustang. Se visitarmos a página da pesquisa do Guia do Automóvel, encontramo-lo ali entre o Mercedes EQB e o Tesla Model Y.

A versão que ensaiámos, de 351 cavalos e bateria de 98,7 Kwh, estava marcada por 75.568€ e vinha equipada com o Pack Tech plus, que inclui sistema de som B&O, teto panorâmico, apoio ao estacionamento, câmara 360º e sistema de reconhecimento de sinais de trânsito.

O design exterior deste SUV coupé, que parece mais coupé do que os outros.

Já tínhamos escrito antes que este Mustang é um dos SUV mais bem conseguidos em termos de design. E não nos referimos apenas a SUV elétricos.

Mesmo quando comparado com outros SUV Coupé com posicionamentos mais premium, como é o caso do Mercedes GLC coupé ou do BMW X4, o Mustang consegue ser ainda mais apelativo.

Tem um capot e uma frente que lhe dão mais personalidade, linhas mais fluídas, com as portas sem puxadores. Para além disso, especialmente do pilar B para trás, o Mustang consegue ter um aspeto mais desportivo e mais musculado do que o Mercedes GLC ou do que o BMW X4, muito à custa daquele vinco que se estende desde a traseira até mais de metade da porta traseira…mas não é só isso.

O Mustang parece mais fluído, mais elegante e mais coupé do que a maioria dos outros SUV coupé e isso fica a dever-se essencialmente a 2 ‘truques de design’. Não há como não gostar do que os designers fizeram com este carro.

O primeiro pormenor, que lhe permite ter uma silhueta mais elegante, é aquela parte de baixo pintada de preto e que parece diminuir a altura da carroçaria. Se olharmos para a silhueta do Mustang vemos que existe uma superfície preta na parte inferior que liga o para-choques da frente até ao para-choques traseiro. O efeito visual que se consegue é a ilusão de uma diminuição em altura da superfície total lateral do carro.

Xpeng G9
Xpeng G9
O segundo pormenor é a mesma opção pela superfície preta que acompanha o pilar D. O efeito que isso provoca é uma linha de tejadilho que parece descer de uma forma mais pronunciada, fazendo com que o Mustang pareça mais coupé do que todos os outros.
Experimentamos o Mustang Mach-e, um SUV elétrico que vai querer comprar!

São pormenores deliciosos de design que o tornam, na nossa opinião, uma das opções mais bem pensadas e mais bem conseguidas do mercado.

Interior

Passamos para o interior e reparamos logo em três ou quatro detalhes que nos chamaram à atenção.

O primeiro detalhe foi a abertura das portas que se faz por intermédio de um botão que afasta a porta do pilar e de um puxador minúsculo, que parece um apêndice aerodinâmico e que se revelou ser mais útil do que nos pareceu nesse primeiro momento. Com o uso, conseguimos perceber que está bem pensado em termos de ergonomia, quer na sua posição quer na sua forma.

O segundo foram os pespontos vermelhos, uma vez que a Ford nos tinha enviado uma ficha técnica que mencionava pespontos Carbonized Gray. A verdade é que trazem mais vida ao interior.

O terceiro pormenor foi o grande tablet, posicionado centralmente, que nos fez lembrar o estilo que foi iniciado pela Tesla.

O último detalhe foi o tecido cinzento criado pela Bang & Olufsen que cobre toda a parte de cima do tablier e que, para além da sua função acústica, torna o carro simultaneamente mais high-tech e acolhedor.

De uma forma geral, o interior do Mach-e é muito agradável: clean, mas sem ser opressivo. Num Tesla , por exemplo, tudo está muito organizado e despido como se os comandos do carro nos tivessem sido retirados de uma forma severa, quase opressiva.

Na nossa opinião, o Mach-e combina bem o grande tablet onde toda a informação está concentrada, com um dashboard digital mais pequeno em frente do volante, que nos dá a informação de viagem mais importante. Para além disso, o Mach-e mantém alguns dos botões físicos a que estamos habituados.

Poderá pensar-se que a Ford não teve coragem e que ficou a meio do caminho, mas a nós agrada-nos que tivesse ficado por aí, pois o interior do Mustang torna-se menos aborrecido e minimalista, sendo simultaneamente bastante funcional e dotado de bons materiais.
Obviamente, há quem prefira o interior de um Tesla , com um aspeto mais futurista, clean, quase distópico.

O Mustang dispõe ainda de uma consola central, bem desenhada, com vários espaços de arrumação, inclusivamente um espaço específico, wireless charging, para um smartphone.

Uma nota para o sistema de infotenimento, bem organizado e rápido, com boa integração. Permite-nos aceder a toda a informação de uma forma intuitiva, controlar todas as regulações do carro e acompanhar facilmente todas as informações de viagem. Ao sairmos, o infotenimento pede-nos para verificarmos se não nos estamos a esquecer de ninguém nos bancos traseiros. Uma mensagem algo críptica, ainda que saibamos que já aconteceu várias vezes.

Habitabilidade

No que respeita à habitabilidade, o condutor consegue uma posição de condução interessante. Quando desligamos o carro o banco 'relaxa', permitindo uma saída mais fácil, e quando o ligamos o banco retorna à posição memorizada.

O espaço nos bancos traseiros é muito bom, conseguido à custa da distância de 2,90 metros que o Mach-e tem entre eixos, e gostamos também do facto do chão ser completamente plano, sem aquela coluna central irritante…um privilégio dos elétricos.

Não gostamos tanto da entrada para os bancos de trás, pois temos que nos baixar muito. Mas ou é que queremos um coupé pronunciado ou então compramos um SUV mais quadrado que nos facilita mais essa entrada.

Apesar disso, quando estamos sentados nos bancos traseiros, a altura interior revela ser maior do que parece do lado de fora. Foi exatamente esta questão que nos fez reparar naquela ilusão de ótica criada pelos designers e que explicámos acima. Aquela superfície preta que está lá mas não vemos.

Gostamos menos da capacidade da mala que tem cerca de 400 litros e é uma das mais pequenas do segmento.

Em termos gerais achamos que o carro tem um excelente compromisso de design e habitabilidade, sendo suficiente para uma família sem necessidades exageradas de espaço.

Ao volante: um elétrico pode ser divertido?

Pode!

Quando o assunto são elétricos, a discussão anda sempre ali à volta dos consumos e da eficiência da bateria (também já lá vamos), mas a verdade é que conduzir um elétrico não tem que ser uma coisa aborrecida, com o condutor sempre obcecado pela autonomia e pelo consumo, o que provoca ansiedade e zero prazer de condução.

Aquela discussão é redutora, pelo menos para este Mustang .

Este é um SUV que vai querer comprar se estiver à procura de um carro com esta carroçaria e para este orçamento, essencialmente porque tem outros méritos e porque se conduz muito bem. Por acaso, também é elétrico.

A primeira coisa que temos que fazer é olhar para o comportamento dinâmico de forma relativa. Um SUV é um SUV, tem um centro de gravidade mais elevado e é mais pesado, não é um desportivo. As pessoas compram um SUV pela combinação que proporciona de design, espaço e versatilidade, sabendo que ele é pesado e que vai adornar mais em curva.

A nossa experiência ao volante

Confessamos que a maior parte do percurso que fizemos foi na Auto-estrada e o carro, sem surpresas, é um bom estradista. Mas também tivemos oportunidade de ver como se comporta numa estrada mais estreita e sinuosa.

O Mustang Mach-e conduz-se muito bem de forma rápida, uma vez que tem uma suspensão ligeiramente mais firme e tem um centro de gravidade mais baixo por causa do peso das baterias que estão colocadas na parte inferior do carro.

O comportamento em curva acaba por ser surpreendente. Estamos à espera que ele adorne e enrole, mas isso não acontece, o carro é estável e transmite confiança. A aceleração fá-lo sair ligeiramente de traseira, o que foi também uma surpresa agradável.

Como dissemos, o carro que experimentamos tinha 351 cavalos e isso proporciona-nos uma capacidade de aceleração forte e constante, quando é necessário. Fizemos 5,3 segundos dos 0 aos 100 Kmh, e o carro tem recuperações que são difíceis de bater por outros SUV (e por muitos desportivos), sejam eles a combustão ou elétricos.

O que gostamos menos, foi do comportamento do pedal do travão. Pisando suavemente parece que não trava, mas aumentando ligeiramente a pressão trava demasiado. Torna-se pouco agradável e exige habituação. A solução que gostamos mais de usar foi a opção ‘L’ no seletor. Não é propriamente a solução ‘one pedal’, mas acaba por fazer grande parte do trabalho e torna o pisar do travão mais suave.

Agora sim, consumos e bateria

O Mustang Mach-e do ensaio vinha com a bateria de 98,7 Kwh o que lhe dá uma autonomia alargada de mais de 500 Kms, mais do que suficiente para nos livrar da ansiedade e para podermos testá-lo em várias situações. Foi o que fizemos.

A primeira viagem, saindo do Porto em direcção ao Norte, um percurso de Auto-Estrada feito na A28 e na A11, permitiu-nos medir o consumo a uma velocidade relativamente baixa, entre os 100 e os 110 Kmh, usando o pedal com suavidade. A temperatura exterior marcava 23º e o AC estava ligado apontando aos 20,5º. Chegamos ao destino com 18Kw/100 km.

Na segunda viagem fizemos parte da A32, com subidas na ida. Aproveitamos para testar 2 ou 3 recuperações e fizemos a medição de aceleração. A A32 nunca é meiga para os consumos e fizemos a viagem subindo a velocidade para os cerca de 120 Kmh, controlando o acelerador e fazendo tudo para aproveitar as regenerações. A temperatura exterior estava nos 26º e o AC ligado para se atingirem os 21º interiores. Chegamos ao destino com 23 Kw/100.

Em estradas secundárias os consumos andaram sempre nos 18Kw. Em cidade fizemos muito poucos kms e gastamos 17 Kw, mas achamos que conseguíamos gastar menos se acumulássemos mais kms.

No conjunto dos percursos que fizemos, a média final marcava 20 Kwh/100 Km, com 94%para o trajeto e o restante para a climatização e acessórios.

Conclusão

Muitas vezes comparam-se elétricos com outros elétricos, o que dá a entender que primeiro se escolhe o combustível e só depois o carro. No caso do Mach-e, achamos que pode ser diferente. O Mustang Mach-e é um SUV elétrico que vai querer comprar e isso pode nem sequer estar relacionado com o facto de ser elétrico.

Experimentamos o Mustang Mach-e, um SUV elétrico que vai querer comprar!

Passámos dois dias com o Mustang Mach-e. O que gostámos e o que não gostámos tanto. Se estiver dentro do seu orçamento, este é um SUV que vai querer comprar.

Nuno Poço
Nuno Poço
Experimentamos o Mustang Mach-e, um SUV elétrico que vai querer comprar!

O Mustang Mach-e é um SUV 100% elétrico vendido pela Ford, com preços que começam nos 60 mil euros.

Não é propriamente barato, mas também não era isso que se esperaria de um Mustang. Se visitarmos a página da pesquisa do Guia do Automóvel, encontramo-lo ali entre o Mercedes EQB e o Tesla Model Y.

A versão que ensaiámos, de 351 cavalos e bateria de 98,7 Kwh, estava marcada por 75.568€ e vinha equipada com o Pack Tech plus, que inclui sistema de som B&O, teto panorâmico, apoio ao estacionamento, câmara 360º e sistema de reconhecimento de sinais de trânsito.

O design exterior deste SUV coupé, que parece mais coupé do que os outros.

Já tínhamos escrito antes que este Mustang é um dos SUV mais bem conseguidos em termos de design. E não nos referimos apenas a SUV elétricos.

Mesmo quando comparado com outros SUV Coupé com posicionamentos mais premium, como é o caso do Mercedes GLC coupé ou do BMW X4, o Mustang consegue ser ainda mais apelativo.

Tem um capot e uma frente que lhe dão mais personalidade, linhas mais fluídas, com as portas sem puxadores. Para além disso, especialmente do pilar B para trás, o Mustang consegue ter um aspeto mais desportivo e mais musculado do que o Mercedes GLC ou do que o BMW X4, muito à custa daquele vinco que se estende desde a traseira até mais de metade da porta traseira…mas não é só isso.

O Mustang parece mais fluído, mais elegante e mais coupé do que a maioria dos outros SUV coupé e isso fica a dever-se essencialmente a 2 ‘truques de design’. Não há como não gostar do que os designers fizeram com este carro.

O primeiro pormenor, que lhe permite ter uma silhueta mais elegante, é aquela parte de baixo pintada de preto e que parece diminuir a altura da carroçaria. Se olharmos para a silhueta do Mustang vemos que existe uma superfície preta na parte inferior que liga o para-choques da frente até ao para-choques traseiro. O efeito visual que se consegue é a ilusão de uma diminuição em altura da superfície total lateral do carro.

Galp
Galp
O segundo pormenor é a mesma opção pela superfície preta que acompanha o pilar D. O efeito que isso provoca é uma linha de tejadilho que parece descer de uma forma mais pronunciada, fazendo com que o Mustang pareça mais coupé do que todos os outros.
Experimentamos o Mustang Mach-e, um SUV elétrico que vai querer comprar!

São pormenores deliciosos de design que o tornam, na nossa opinião, uma das opções mais bem pensadas e mais bem conseguidas do mercado.

Interior

Passamos para o interior e reparamos logo em três ou quatro detalhes que nos chamaram à atenção.

O primeiro detalhe foi a abertura das portas que se faz por intermédio de um botão que afasta a porta do pilar e de um puxador minúsculo, que parece um apêndice aerodinâmico e que se revelou ser mais útil do que nos pareceu nesse primeiro momento. Com o uso, conseguimos perceber que está bem pensado em termos de ergonomia, quer na sua posição quer na sua forma.

O segundo foram os pespontos vermelhos, uma vez que a Ford nos tinha enviado uma ficha técnica que mencionava pespontos Carbonized Gray. A verdade é que trazem mais vida ao interior.

O terceiro pormenor foi o grande tablet, posicionado centralmente, que nos fez lembrar o estilo que foi iniciado pela Tesla.

O último detalhe foi o tecido cinzento criado pela Bang & Olufsen que cobre toda a parte de cima do tablier e que, para além da sua função acústica, torna o carro simultaneamente mais high-tech e acolhedor.

De uma forma geral, o interior do Mach-e é muito agradável: clean, mas sem ser opressivo. Num Tesla , por exemplo, tudo está muito organizado e despido como se os comandos do carro nos tivessem sido retirados de uma forma severa, quase opressiva.

Na nossa opinião, o Mach-e combina bem o grande tablet onde toda a informação está concentrada, com um dashboard digital mais pequeno em frente do volante, que nos dá a informação de viagem mais importante. Para além disso, o Mach-e mantém alguns dos botões físicos a que estamos habituados.

Poderá pensar-se que a Ford não teve coragem e que ficou a meio do caminho, mas a nós agrada-nos que tivesse ficado por aí, pois o interior do Mustang torna-se menos aborrecido e minimalista, sendo simultaneamente bastante funcional e dotado de bons materiais.
Obviamente, há quem prefira o interior de um Tesla , com um aspeto mais futurista, clean, quase distópico.

O Mustang dispõe ainda de uma consola central, bem desenhada, com vários espaços de arrumação, inclusivamente um espaço específico, wireless charging, para um smartphone.

Uma nota para o sistema de infotenimento, bem organizado e rápido, com boa integração. Permite-nos aceder a toda a informação de uma forma intuitiva, controlar todas as regulações do carro e acompanhar facilmente todas as informações de viagem. Ao sairmos, o infotenimento pede-nos para verificarmos se não nos estamos a esquecer de ninguém nos bancos traseiros. Uma mensagem algo críptica, ainda que saibamos que já aconteceu várias vezes.

Habitabilidade

No que respeita à habitabilidade, o condutor consegue uma posição de condução interessante. Quando desligamos o carro o banco 'relaxa', permitindo uma saída mais fácil, e quando o ligamos o banco retorna à posição memorizada.

O espaço nos bancos traseiros é muito bom, conseguido à custa da distância de 2,90 metros que o Mach-e tem entre eixos, e gostamos também do facto do chão ser completamente plano, sem aquela coluna central irritante…um privilégio dos elétricos.

Não gostamos tanto da entrada para os bancos de trás, pois temos que nos baixar muito. Mas ou é que queremos um coupé pronunciado ou então compramos um SUV mais quadrado que nos facilita mais essa entrada.

Apesar disso, quando estamos sentados nos bancos traseiros, a altura interior revela ser maior do que parece do lado de fora. Foi exatamente esta questão que nos fez reparar naquela ilusão de ótica criada pelos designers e que explicámos acima. Aquela superfície preta que está lá mas não vemos.

Gostamos menos da capacidade da mala que tem cerca de 400 litros e é uma das mais pequenas do segmento.

Em termos gerais achamos que o carro tem um excelente compromisso de design e habitabilidade, sendo suficiente para uma família sem necessidades exageradas de espaço.

Ao volante: um elétrico pode ser divertido?

Pode!

Quando o assunto são elétricos, a discussão anda sempre ali à volta dos consumos e da eficiência da bateria (também já lá vamos), mas a verdade é que conduzir um elétrico não tem que ser uma coisa aborrecida, com o condutor sempre obcecado pela autonomia e pelo consumo, o que provoca ansiedade e zero prazer de condução.

Aquela discussão é redutora, pelo menos para este Mustang .

Este é um SUV que vai querer comprar se estiver à procura de um carro com esta carroçaria e para este orçamento, essencialmente porque tem outros méritos e porque se conduz muito bem. Por acaso, também é elétrico.

A primeira coisa que temos que fazer é olhar para o comportamento dinâmico de forma relativa. Um SUV é um SUV, tem um centro de gravidade mais elevado e é mais pesado, não é um desportivo. As pessoas compram um SUV pela combinação que proporciona de design, espaço e versatilidade, sabendo que ele é pesado e que vai adornar mais em curva.

A nossa experiência ao volante

Confessamos que a maior parte do percurso que fizemos foi na Auto-estrada e o carro, sem surpresas, é um bom estradista. Mas também tivemos oportunidade de ver como se comporta numa estrada mais estreita e sinuosa.

O Mustang Mach-e conduz-se muito bem de forma rápida, uma vez que tem uma suspensão ligeiramente mais firme e tem um centro de gravidade mais baixo por causa do peso das baterias que estão colocadas na parte inferior do carro.

O comportamento em curva acaba por ser surpreendente. Estamos à espera que ele adorne e enrole, mas isso não acontece, o carro é estável e transmite confiança. A aceleração fá-lo sair ligeiramente de traseira, o que foi também uma surpresa agradável.

Como dissemos, o carro que experimentamos tinha 351 cavalos e isso proporciona-nos uma capacidade de aceleração forte e constante, quando é necessário. Fizemos 5,3 segundos dos 0 aos 100 Kmh, e o carro tem recuperações que são difíceis de bater por outros SUV (e por muitos desportivos), sejam eles a combustão ou elétricos.

O que gostamos menos, foi do comportamento do pedal do travão. Pisando suavemente parece que não trava, mas aumentando ligeiramente a pressão trava demasiado. Torna-se pouco agradável e exige habituação. A solução que gostamos mais de usar foi a opção ‘L’ no seletor. Não é propriamente a solução ‘one pedal’, mas acaba por fazer grande parte do trabalho e torna o pisar do travão mais suave.

Agora sim, consumos e bateria

O Mustang Mach-e do ensaio vinha com a bateria de 98,7 Kwh o que lhe dá uma autonomia alargada de mais de 500 Kms, mais do que suficiente para nos livrar da ansiedade e para podermos testá-lo em várias situações. Foi o que fizemos.

A primeira viagem, saindo do Porto em direcção ao Norte, um percurso de Auto-Estrada feito na A28 e na A11, permitiu-nos medir o consumo a uma velocidade relativamente baixa, entre os 100 e os 110 Kmh, usando o pedal com suavidade. A temperatura exterior marcava 23º e o AC estava ligado apontando aos 20,5º. Chegamos ao destino com 18Kw/100 km.

Na segunda viagem fizemos parte da A32, com subidas na ida. Aproveitamos para testar 2 ou 3 recuperações e fizemos a medição de aceleração. A A32 nunca é meiga para os consumos e fizemos a viagem subindo a velocidade para os cerca de 120 Kmh, controlando o acelerador e fazendo tudo para aproveitar as regenerações. A temperatura exterior estava nos 26º e o AC ligado para se atingirem os 21º interiores. Chegamos ao destino com 23 Kw/100.

Em estradas secundárias os consumos andaram sempre nos 18Kw. Em cidade fizemos muito poucos kms e gastamos 17 Kw, mas achamos que conseguíamos gastar menos se acumulássemos mais kms.

No conjunto dos percursos que fizemos, a média final marcava 20 Kwh/100 Km, com 94%para o trajeto e o restante para a climatização e acessórios.

Conclusão

Muitas vezes comparam-se elétricos com outros elétricos, o que dá a entender que primeiro se escolhe o combustível e só depois o carro. No caso do Mach-e, achamos que pode ser diferente. O Mustang Mach-e é um SUV elétrico que vai querer comprar e isso pode nem sequer estar relacionado com o facto de ser elétrico.

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