Mesmo passados quase 4 anos desde o seu lançamento, o Mustang Mach-e das opções mais bem pensadas e mais bem conseguidas do mercado.
Espaço
Um SUV elétrico de 4,71 metros de comprimento, o Mach-E apresenta habitáculo generoso, onde cinco adultos não têm grandes dificuldades em se sentar. À bagageira traseira, de 402 litros de capacidade, o
Mustang alia outra à frente, a “frunk”, com 100 litros de capacidade. Ainda assim, muito aquém de outras opções existentes no mercado.
O condutor consegue uma posição de condução interessante. O espaço nos bancos traseiros é muito bom, graças à distância de 2,90 metros que o Mach-e tem entre eixos, e gostamos também do facto do chão ser completamente plano.
Apesar da entrada para trás não ser facilitada, a altura interior revela ser maior do que parece do lado de fora. Aquela superfície preta que está lá mas não vemos engana facilmente.
Performance e consumos
Está disponível com cinco níveis de potência, desde 269 cv até aos 487 cv, dois tipos de tração (traseira ou total) e dois tamanhos de bateria. Aqui, o destaque vai todo para a versão GT, mais performante. Ainda que não tenha os registos do
Model Y Dual Performance, do
Ioniq 5 N ou do
Kia EV6 mais potente, o Mustang surpreende em termos dinâmicos.
Os consumos WLTP indicados para este Mustang Mach-e situam-se entre os 17,3 KWh, para a versão de 294 cavalos e os 21,2KWh (na versão GT). De qualquer forma, durante o teste que fizemos à versão de 351 cavalos, conseguimos fazer consumos de 18KWh/100 numa condução muito moderada em autoestrada, consumos esses que subiram para um registo de 23KWh/100 numa AE com subidas prolongadas e com velocidades entre os 120/130 Km/h, ainda assim controlando o acelerador e aproveitando as regenerações.
Em estradas secundárias os consumos andaram sempre nos 18Kw. Em cidade fizemos muito poucos kms e gastamos 17 Kw, mas achamos que conseguíamos gastar menos se acumulássemos mais kms. No conjunto dos percursos que fizemos, a média final marcava 20 Kwh/100 Km, com 94% para o trajeto e o restante para a climatização e acessórios.
Experiência de condução
A primeira coisa que temos que fazer é olhar para o comportamento dinâmico de forma relativa. Um SUV é um SUV, tem um centro de gravidade mais elevado e é mais pesado, não é um desportivo. As pessoas compram um SUV pela combinação que proporciona de design, espaço e versatilidade, sabendo que ele é pesado e que vai adornar mais em curva.
O Mustang Mach-e que experimentamos tinha 351 cavalos, infelizmente não era o de 487 cavalos. No entanto, a versão de 351 Cv proporciona-nos uma capacidade de aceleração forte e constante, quando é necessário. Fizemos 5,3 segundos dos 0 aos 100 Kmh, e o carro tem recuperações que são difíceis de bater por outros SUV (e por muitos desportivos).
O Mustang revelou-se ser um bom estradista. Mas para além disso tivemos oportunidade de ver como se comporta numa estrada mais estreita e sinuosa.
O Mustang Mach-e conduz-se muito bem de forma rápida, uma vez que tem uma suspensão ligeiramente mais firme e tem um centro de gravidade mais baixo por causa do peso das baterias que estão colocadas na parte inferior do carro.
O comportamento em curva acaba por ser surpreendente. Estamos à espera que ele adorne e enrole, mas isso não acontece, o carro é estável e transmite confiança. A aceleração fá-lo sair ligeiramente de traseira, o que foi também uma surpresa agradável.
O que gostamos menos, foi do comportamento do pedal do travão. Pisando suavemente parece que não trava, mas aumentando ligeiramente a pressão trava demasiado. Torna-se pouco agradável e exige habituação. A solução que gostamos mais de usar foi a opção ‘L’ no seletor. Não é propriamente a solução ‘one pedal’, mas acaba por fazer grande parte do trabalho e torna o pisar do travão mais suave.