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Novo Dacia Spring: mudou quase tudo, menos a ideia que o tornou um sucesso

O Dacia Spring está de volta para uma segunda geração totalmente nova. Cresceu, ganhou tecnologia, passou a ser produzido na Europa e mantém uma missão muito concreta: tornar o carro elétrico acessível. Fui conhecê-lo ao vivo e há uma coisa que fica clara à primeira vista: este já não é o Spring que conhecíamos.

Catarina Resende
Catarina Resende
Novo Dacia Spring: mudou quase tudo, menos a ideia que o tornou um sucesso

Há carros que precisam de uma revolução para chamar a atenção. O Dacia Spring prefere fazer contas. E, depois de o ver ao vivo na apresentação da segunda geração, percebe-se que a marca decidiu mexer precisamente onde era preciso, sem deitar fora a fórmula que lhe valeu mais de 210 mil clientes desde 2021.

O novo Spring é totalmente novo, embora mantenha o mesmo nome. E essa é provavelmente a melhor forma de resumir a proposta da Dacia: mudar muito sem complicar aquilo que já funcionava.

A transformação começa pela plataforma. O novo Spring assenta na nova arquitetura RG-EV do Grupo Renault e passa a ser produzido na fábrica de Novo Mesto, na Eslovénia. A mudança de produção é particularmente relevante num modelo que nasceu com a missão de democratizar o acesso ao automóvel elétrico na Europa. Além disso, permite-lhe escapar à dependência da produção chinesa e posicionar-se melhor num mercado europeu cada vez mais competitivo.

Mais largo e com outra presença

Foi precisamente ao vivo que uma das principais diferenças se tornou mais evidente. O novo Spring é 18 centímetros mais largo do que o anterior, alteração que muda bastante a sua presença em estrada.

Continua a ser um citadino de dimensões compactas, mas deixou para trás parte daquele aspeto quase “miniatura” da primeira geração. O desenho é agora mais quadrado, robusto e geométrico, seguindo a linguagem mais recente da Dacia .

Na frente, as faixas pretas que ligam os grupos óticos ajudam a reforçar visualmente a largura. O mesmo acontece na traseira, enquanto a assinatura luminosa inspirada no Dacia Link dá alguma personalidade a um modelo que, na geração anterior, era sobretudo reconhecido pela simplicidade.

Há também uma faixa preta a separar visualmente o tejadilho da carroçaria, num daqueles pormenores que parecem pequenos no papel, mas que ao vivo ajudam a tornar o Spring menos “carro barato” e mais “carro simples por opção”. E é uma diferença importante.

Xpeng G9
Xpeng G9
Por dentro, a receita também mudou
Novo Dacia Spring: mudou quase tudo, menos a ideia que o tornou um sucesso

O interior segue a mesma filosofia. Não há uma tentativa de impressionar com materiais extravagantes ou uma parede de ecrãs. A Dacia foi por outro caminho: linhas horizontais no tablier, comandos acessíveis e espaço para guardar aquilo que normalmente acaba espalhado pelo habitáculo.

O painel de instrumentos digital tem 7 polegadas, enquanto o sistema multimédia pode recorrer a um ecrã central de 10,1 polegadas.

Na versão Journey, o Media Nav Live acrescenta navegação conectada, Apple CarPlay e Android Auto sem fios, além de serviços como programação do carregamento e pré-condicionamento do habitáculo.

Ou seja, o Spring continua a ser um Dacia . Só que, desta vez, não parece estar a pedir desculpa por isso.

250 km de autonomia e 80 cv

Debaixo da carroçaria está uma bateria LFP com 27,5 kWh de capacidade útil, associada a um motor elétrico de 60 kW, equivalentes a 80 cv, e 175 Nm.

A autonomia máxima chega aos 250 km em ciclo WLTP. Os números não impressionam quem olha para um elétrico como substituto de um automóvel para grandes viagens, mas esse nunca foi verdadeiramente o papel do Spring .

Segundo os dados de utilização recolhidos pela Dacia , os proprietários da geração anterior percorrem, em média, 34 km por dia e 75% dos carregamentos são feitos em casa. A marca desenhou, portanto, o novo Spring para o cenário mais provável: deslocações diárias, cidade, periferia e uma ou outra escapadinha sem grandes ambições rodoviárias.

Até porque, como diz o velho ditado, “mais vale pouco e bom do que muito e mau”. Neste caso, a questão é perceber se os 250 km chegam para aquilo que cada utilizador realmente precisa.

O novo Spring acelera dos 0 aos 100 km/h em 12,1 segundos e atinge os 130 km/h.

Carregar durante a noite ou em 28 minutos

O carregamento também foi pensado para não transformar a vida do proprietário numa sucessão de paragens junto a carregadores.

De série, o Spring conta com carregador AC de 6,6 kW. Numa tomada doméstica, o carregamento dos 15 aos 80% demora cerca de nove horas. Numa wallbox de 7 kW, o mesmo processo baixa para 2h55. Quem optar pelo pacote de carregamento rápido passa a contar com carregador AC de 11 kW e carregamento DC até 50 kW. Nesse caso, os 15 aos 80% podem ser feitos em 28 minutos num posto rápido.

Não é um recordista de carregamento. Mas também não pretende ser.

Pequeno por fora, mais preparado por dentro

A Dacia não esqueceu a utilização diária. O raio de viragem de 4,95 metros facilita as manobras em cidade e há sensores traseiros de série em todas as versões. A câmara traseira passa a fazer parte do equipamento da versão Journey.

A posição de condução também foi revista, com banco do condutor ajustável em altura, volante regulável em altura e profundidade e cartão mãos-livres na versão Journey.

Outro pormenor interessante é o sistema My Safety, que permite ao condutor configurar de forma rápida algumas das ajudas à condução, em vez de andar a desligar cada sistema individualmente sempre que liga o carro.

O primeiro de quatro elétricos

O novo Spring é mais do que a segunda geração de um modelo importante para a Dacia . É também o primeiro passo concreto da ofensiva elétrica que a marca anunciou para 2030.

A Dacia confirmou o lançamento de quatro modelos totalmente elétricos até ao final da década, e o Spring é o primeiro deles.

Depois de uma primeira geração que ajudou a colocar milhares de pessoas ao volante de um elétrico, a segunda chega com uma tarefa mais difícil: continuar acessível num mercado onde os concorrentes chineses estão a pressionar os preços e onde os clientes já exigem mais tecnologia, mais espaço e mais equipamento.

A Dacia parece ter percebido o recado.

O novo Spring não quer ser o elétrico mais potente, mais rápido ou mais sofisticado. Quer ser aquele que faz sentido para quem precisa de um carro pequeno, elétrico e simples para todos os dias.

E, olhando para ele ao vivo, talvez essa seja precisamente a sua maior mudança: o Spring deixou de parecer uma solução de recurso. Agora parece uma escolha consciente.

Novo Dacia Spring: mudou quase tudo, menos a ideia que o tornou um sucesso

O Dacia Spring está de volta para uma segunda geração totalmente nova. Cresceu, ganhou tecnologia, passou a ser produzido na Europa e mantém uma missão muito concreta: tornar o carro elétrico acessível. Fui conhecê-lo ao vivo e há uma coisa que fica clara à primeira vista: este já não é o Spring que conhecíamos.

Catarina Resende
Catarina Resende
Novo Dacia Spring: mudou quase tudo, menos a ideia que o tornou um sucesso

Há carros que precisam de uma revolução para chamar a atenção. O Dacia Spring prefere fazer contas. E, depois de o ver ao vivo na apresentação da segunda geração, percebe-se que a marca decidiu mexer precisamente onde era preciso, sem deitar fora a fórmula que lhe valeu mais de 210 mil clientes desde 2021.

O novo Spring é totalmente novo, embora mantenha o mesmo nome. E essa é provavelmente a melhor forma de resumir a proposta da Dacia: mudar muito sem complicar aquilo que já funcionava.

A transformação começa pela plataforma. O novo Spring assenta na nova arquitetura RG-EV do Grupo Renault e passa a ser produzido na fábrica de Novo Mesto, na Eslovénia. A mudança de produção é particularmente relevante num modelo que nasceu com a missão de democratizar o acesso ao automóvel elétrico na Europa. Além disso, permite-lhe escapar à dependência da produção chinesa e posicionar-se melhor num mercado europeu cada vez mais competitivo.

Mais largo e com outra presença

Foi precisamente ao vivo que uma das principais diferenças se tornou mais evidente. O novo Spring é 18 centímetros mais largo do que o anterior, alteração que muda bastante a sua presença em estrada.

Continua a ser um citadino de dimensões compactas, mas deixou para trás parte daquele aspeto quase “miniatura” da primeira geração. O desenho é agora mais quadrado, robusto e geométrico, seguindo a linguagem mais recente da Dacia .

Na frente, as faixas pretas que ligam os grupos óticos ajudam a reforçar visualmente a largura. O mesmo acontece na traseira, enquanto a assinatura luminosa inspirada no Dacia Link dá alguma personalidade a um modelo que, na geração anterior, era sobretudo reconhecido pela simplicidade.

Há também uma faixa preta a separar visualmente o tejadilho da carroçaria, num daqueles pormenores que parecem pequenos no papel, mas que ao vivo ajudam a tornar o Spring menos “carro barato” e mais “carro simples por opção”. E é uma diferença importante.

Galp
Galp
Por dentro, a receita também mudou
Novo Dacia Spring: mudou quase tudo, menos a ideia que o tornou um sucesso

O interior segue a mesma filosofia. Não há uma tentativa de impressionar com materiais extravagantes ou uma parede de ecrãs. A Dacia foi por outro caminho: linhas horizontais no tablier, comandos acessíveis e espaço para guardar aquilo que normalmente acaba espalhado pelo habitáculo.

O painel de instrumentos digital tem 7 polegadas, enquanto o sistema multimédia pode recorrer a um ecrã central de 10,1 polegadas.

Na versão Journey, o Media Nav Live acrescenta navegação conectada, Apple CarPlay e Android Auto sem fios, além de serviços como programação do carregamento e pré-condicionamento do habitáculo.

Ou seja, o Spring continua a ser um Dacia . Só que, desta vez, não parece estar a pedir desculpa por isso.

250 km de autonomia e 80 cv

Debaixo da carroçaria está uma bateria LFP com 27,5 kWh de capacidade útil, associada a um motor elétrico de 60 kW, equivalentes a 80 cv, e 175 Nm.

A autonomia máxima chega aos 250 km em ciclo WLTP. Os números não impressionam quem olha para um elétrico como substituto de um automóvel para grandes viagens, mas esse nunca foi verdadeiramente o papel do Spring .

Segundo os dados de utilização recolhidos pela Dacia , os proprietários da geração anterior percorrem, em média, 34 km por dia e 75% dos carregamentos são feitos em casa. A marca desenhou, portanto, o novo Spring para o cenário mais provável: deslocações diárias, cidade, periferia e uma ou outra escapadinha sem grandes ambições rodoviárias.

Até porque, como diz o velho ditado, “mais vale pouco e bom do que muito e mau”. Neste caso, a questão é perceber se os 250 km chegam para aquilo que cada utilizador realmente precisa.

O novo Spring acelera dos 0 aos 100 km/h em 12,1 segundos e atinge os 130 km/h.

Carregar durante a noite ou em 28 minutos

O carregamento também foi pensado para não transformar a vida do proprietário numa sucessão de paragens junto a carregadores.

De série, o Spring conta com carregador AC de 6,6 kW. Numa tomada doméstica, o carregamento dos 15 aos 80% demora cerca de nove horas. Numa wallbox de 7 kW, o mesmo processo baixa para 2h55. Quem optar pelo pacote de carregamento rápido passa a contar com carregador AC de 11 kW e carregamento DC até 50 kW. Nesse caso, os 15 aos 80% podem ser feitos em 28 minutos num posto rápido.

Não é um recordista de carregamento. Mas também não pretende ser.

Pequeno por fora, mais preparado por dentro

A Dacia não esqueceu a utilização diária. O raio de viragem de 4,95 metros facilita as manobras em cidade e há sensores traseiros de série em todas as versões. A câmara traseira passa a fazer parte do equipamento da versão Journey.

A posição de condução também foi revista, com banco do condutor ajustável em altura, volante regulável em altura e profundidade e cartão mãos-livres na versão Journey.

Outro pormenor interessante é o sistema My Safety, que permite ao condutor configurar de forma rápida algumas das ajudas à condução, em vez de andar a desligar cada sistema individualmente sempre que liga o carro.

O primeiro de quatro elétricos

O novo Spring é mais do que a segunda geração de um modelo importante para a Dacia . É também o primeiro passo concreto da ofensiva elétrica que a marca anunciou para 2030.

A Dacia confirmou o lançamento de quatro modelos totalmente elétricos até ao final da década, e o Spring é o primeiro deles.

Depois de uma primeira geração que ajudou a colocar milhares de pessoas ao volante de um elétrico, a segunda chega com uma tarefa mais difícil: continuar acessível num mercado onde os concorrentes chineses estão a pressionar os preços e onde os clientes já exigem mais tecnologia, mais espaço e mais equipamento.

A Dacia parece ter percebido o recado.

O novo Spring não quer ser o elétrico mais potente, mais rápido ou mais sofisticado. Quer ser aquele que faz sentido para quem precisa de um carro pequeno, elétrico e simples para todos os dias.

E, olhando para ele ao vivo, talvez essa seja precisamente a sua maior mudança: o Spring deixou de parecer uma solução de recurso. Agora parece uma escolha consciente.

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