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Subscrever um Mercedes como se fosse a Netflix? Os prós e os contras das subscrições

E se em vez de comprar um carro, ou de o alugar, tivermos a possibilidade de fazer uma assinatura ou de subscrever um serviço como fazemos com a Netflix? O modelo de subscrição é o segmento de serviço que mais cresce no momento na Europa.

Nuno Poço
Nuno Poço
Subscrever um Mercedes como se fosse a Netflix? Os prós e os contras das subscrições

A Mercedes vai testar um novo programa de usados na Alemanha e chamou-lhe ‘Young Stars’. Trata-se da introdução de uma modalidade de subscrição de carros usados, que será primeiro testada no mercado germânico e, caso se confirme que tenha sucesso, pode depois ser replicada noutros países da Europa.

Essa decisão foi tomada na sequência da recente falha no fornecimento de microchips, o que forçou a entrega de carros novos despidos de equipamento e conduziu também ao atraso nas entregas dos carros. Foi nesse contexto que a marca diminuiu radicalmente a disponibilidade para vender a rent-a-cars e a gestoras de frotas e locadoras, diminuindo drasticamente, quer a disponibilidade de unidades, quer os descontos praticados nesse canal.

Quando um carro é vendido a uma rent-a-car, uma gestora de frota ou a uma locadora, esse carro vai ter um primeiro ciclo mais curto e passa mais rapidamente para o mercado de usados, pelo que uma diminuição no fornecimento contribuiu necessariamente para a tendência de subida dos preços dos usados a que assistimos nos últimos meses.

Assim, a Mercedes mostra interesse em controlar mais o mercado dos carros usados da marca, torná-lo mais atrativo e rentável e, para isso, pretende testar mais uma vez o modelo de subscrição.

Relembramos que a Mercedes já testou por diversas vezes o modelo de subscrição, tendo experimentado várias variações possíveis e, por diversas vezes também, deixou cair esses projectos.

A inovação da Mercedes está, neste caso, na utilização de carros que tradicionalmente alimentavam as vendas no programa de usados da marca.

Tendência de futuro

Ora, o modelo de subscrição pode ser uma tendência de futuro, com o segmento do serviço das subscrições de carros a ser o que mais cresce no momento na Europa. São várias as empresas independentes a aparecerem no mercado com este serviço, para além das marcas que, como a Mercedes, a Volvo ou a Land Rover, decidem explorar o ‘modelo de negócio’.

Xpeng G9
Xpeng G9
A Volvo e a Land Rover também exploram a opção de subscrição dos seus modelos.
Subscrever um Mercedes como se fosse a Netflix? Os prós e os contras das subscrições

Espera-se que, dentro de 3 anos, em 2025, cerca de 10% das pessoas optem por uma assinatura de um carro e paguem pela sua utilização, preferindo essa alternativa à compra ou ao aluguer.

O modelo de subscrições é muito simples para o consumidor que, para saber o valor que terá de pagar pelo uso do carro, só tem que escolher o modelo e indicar os quilómetros que vai fazer por mês. A partir dali, os utilizadores não têm que se preocupar com mais nada, tendo apenas que lidar com as multas e com o combustível, ou com a eletricidade.

Afinal de contas, o que é a subscrição de um carro?

A subscrição é diferente de todas as opções a que já nos habituamos, mesmo de um renting ou de um aluguer flexível. Uma modalidade de ‘pay-as-you-go’, uma espécie de assinatura para um carro, sem qualquer entrada inicial, que pode ser tão curta quanto um mês por exemplo. A decisão de deixar de utilizar o carro, está nas mãos do utilizador, não existindo uma data acordada de início, muitas vezes com total flexibilidade e sem pré-avisos.

A empresa responsável pelo serviço de subscrição será responsável pelos impostos, seguros, garantias e serviços, garantindo que não há uma quebra de serviço para o utilizador. O fornecedor do serviço pode, por exemplo, trocar o carro por outro do mesmo modelo mais recente ou por um modelo que seja equivalente.

Normalmente tudo é gerido através de uma aplicação.

Quais as vantagens e desvantagens da subscrição?

A principal vantagem é a flexibilidade. A ideia de não haver um compromisso com um custo mensal fixo de um maior de transporte é uma ideia que agrada a uma franja cada vez maior de consumidores.

A principal desvantagem é que a flexibilidade vem com um preço. Para além do valor residual do carro, a previsibilidade e o risco da descontinuidade são fatores que elevam o preço da assinatura do carro. Normalmente quanto mais flexível for o serviço, mais caro ele vai ser. A questão é saber quem valoriza mais essa flexibilidade.

Em que situações uma subscrição pode fazer sentido?

Experimentar um elétrico

Estamos a trocar de carro, pensamos mudar para um elétrico mas não temos a certeza que é a melhor opção para o percurso que fazemos. Podemos subscrever um veículo elétrico pelo período de 1, 2 ou 3 meses e perceber, sem nos comprometemos com a compra, se é uma solução que responde às nossas necessidades.

Experimentar carros diferentes

Alguns serviços permitem-nos usar mais do que um modelo ao longo do mês. Contratamos um serviço de subscrição que nos permite conduzir um elétrico citadino de segunda a sexta e um desportivo durante o fim-de-semana, ou SUV de grandes dimensões. Ou a nossa assinatura permite-nos experimentar, todos os meses, um modelo novo que tenha sido lançado recentemente. Uma opção apelativa para entusiastas.

Vamos comprar um carro e ele demora 12 meses a chegar

Recentemente, os prazos de entrega de carros novos (de encomenda) viram os seus prazos alargarem-se, muitas vezes para além do razoável. Para além da inconveniência associada, pode ser complicado fazer a negociação da retoma e atribuir-lhe um valor agora, quando na realidade vai entrar no mercado daqui a muitos meses. Um risco adicional para o negócio. Uma subscrição pode resolver este risco.

Este modelo pode demorar mais tempo a ser implementado em países do Sul da Europa, como Portugal por exemplo, uma vez que o sentimento de posse de um carro tem ainda um peso considerável, quando comparado com outras regiões.

Subscrever um Mercedes como se fosse a Netflix? Os prós e os contras das subscrições

E se em vez de comprar um carro, ou de o alugar, tivermos a possibilidade de fazer uma assinatura ou de subscrever um serviço como fazemos com a Netflix? O modelo de subscrição é o segmento de serviço que mais cresce no momento na Europa.

Nuno Poço
Nuno Poço
Subscrever um Mercedes como se fosse a Netflix? Os prós e os contras das subscrições

A Mercedes vai testar um novo programa de usados na Alemanha e chamou-lhe ‘Young Stars’. Trata-se da introdução de uma modalidade de subscrição de carros usados, que será primeiro testada no mercado germânico e, caso se confirme que tenha sucesso, pode depois ser replicada noutros países da Europa.

Essa decisão foi tomada na sequência da recente falha no fornecimento de microchips, o que forçou a entrega de carros novos despidos de equipamento e conduziu também ao atraso nas entregas dos carros. Foi nesse contexto que a marca diminuiu radicalmente a disponibilidade para vender a rent-a-cars e a gestoras de frotas e locadoras, diminuindo drasticamente, quer a disponibilidade de unidades, quer os descontos praticados nesse canal.

Quando um carro é vendido a uma rent-a-car, uma gestora de frota ou a uma locadora, esse carro vai ter um primeiro ciclo mais curto e passa mais rapidamente para o mercado de usados, pelo que uma diminuição no fornecimento contribuiu necessariamente para a tendência de subida dos preços dos usados a que assistimos nos últimos meses.

Assim, a Mercedes mostra interesse em controlar mais o mercado dos carros usados da marca, torná-lo mais atrativo e rentável e, para isso, pretende testar mais uma vez o modelo de subscrição.

Relembramos que a Mercedes já testou por diversas vezes o modelo de subscrição, tendo experimentado várias variações possíveis e, por diversas vezes também, deixou cair esses projectos.

A inovação da Mercedes está, neste caso, na utilização de carros que tradicionalmente alimentavam as vendas no programa de usados da marca.

Tendência de futuro

Ora, o modelo de subscrição pode ser uma tendência de futuro, com o segmento do serviço das subscrições de carros a ser o que mais cresce no momento na Europa. São várias as empresas independentes a aparecerem no mercado com este serviço, para além das marcas que, como a Mercedes, a Volvo ou a Land Rover, decidem explorar o ‘modelo de negócio’.

Galp
Galp
A Volvo e a Land Rover também exploram a opção de subscrição dos seus modelos.
Subscrever um Mercedes como se fosse a Netflix? Os prós e os contras das subscrições

Espera-se que, dentro de 3 anos, em 2025, cerca de 10% das pessoas optem por uma assinatura de um carro e paguem pela sua utilização, preferindo essa alternativa à compra ou ao aluguer.

O modelo de subscrições é muito simples para o consumidor que, para saber o valor que terá de pagar pelo uso do carro, só tem que escolher o modelo e indicar os quilómetros que vai fazer por mês. A partir dali, os utilizadores não têm que se preocupar com mais nada, tendo apenas que lidar com as multas e com o combustível, ou com a eletricidade.

Afinal de contas, o que é a subscrição de um carro?

A subscrição é diferente de todas as opções a que já nos habituamos, mesmo de um renting ou de um aluguer flexível. Uma modalidade de ‘pay-as-you-go’, uma espécie de assinatura para um carro, sem qualquer entrada inicial, que pode ser tão curta quanto um mês por exemplo. A decisão de deixar de utilizar o carro, está nas mãos do utilizador, não existindo uma data acordada de início, muitas vezes com total flexibilidade e sem pré-avisos.

A empresa responsável pelo serviço de subscrição será responsável pelos impostos, seguros, garantias e serviços, garantindo que não há uma quebra de serviço para o utilizador. O fornecedor do serviço pode, por exemplo, trocar o carro por outro do mesmo modelo mais recente ou por um modelo que seja equivalente.

Normalmente tudo é gerido através de uma aplicação.

Quais as vantagens e desvantagens da subscrição?

A principal vantagem é a flexibilidade. A ideia de não haver um compromisso com um custo mensal fixo de um maior de transporte é uma ideia que agrada a uma franja cada vez maior de consumidores.

A principal desvantagem é que a flexibilidade vem com um preço. Para além do valor residual do carro, a previsibilidade e o risco da descontinuidade são fatores que elevam o preço da assinatura do carro. Normalmente quanto mais flexível for o serviço, mais caro ele vai ser. A questão é saber quem valoriza mais essa flexibilidade.

Em que situações uma subscrição pode fazer sentido?

Experimentar um elétrico

Estamos a trocar de carro, pensamos mudar para um elétrico mas não temos a certeza que é a melhor opção para o percurso que fazemos. Podemos subscrever um veículo elétrico pelo período de 1, 2 ou 3 meses e perceber, sem nos comprometemos com a compra, se é uma solução que responde às nossas necessidades.

Experimentar carros diferentes

Alguns serviços permitem-nos usar mais do que um modelo ao longo do mês. Contratamos um serviço de subscrição que nos permite conduzir um elétrico citadino de segunda a sexta e um desportivo durante o fim-de-semana, ou SUV de grandes dimensões. Ou a nossa assinatura permite-nos experimentar, todos os meses, um modelo novo que tenha sido lançado recentemente. Uma opção apelativa para entusiastas.

Vamos comprar um carro e ele demora 12 meses a chegar

Recentemente, os prazos de entrega de carros novos (de encomenda) viram os seus prazos alargarem-se, muitas vezes para além do razoável. Para além da inconveniência associada, pode ser complicado fazer a negociação da retoma e atribuir-lhe um valor agora, quando na realidade vai entrar no mercado daqui a muitos meses. Um risco adicional para o negócio. Uma subscrição pode resolver este risco.

Este modelo pode demorar mais tempo a ser implementado em países do Sul da Europa, como Portugal por exemplo, uma vez que o sentimento de posse de um carro tem ainda um peso considerável, quando comparado com outras regiões.