Sugestão. "Queen of Speed" celebra o talento de Michèle Mouton
Queen of Speed retrata a forma como Mouton surpreendeu o mundo no Campeonato Mundial de Rally durante os anos setenta e oitenta.

“O automobilismo era um mundo de homens. Um pouco como hoje, não?”
Michèle Mouton relembra a sua lendária carreira de rali há 40 anos atrás quando surpreendeu tudo e todos no Campeonato Mundial de Rally durante os anos setenta e oitenta.
Mouton cresceu no sul da França e descobriu a paixão de conduzir carros na rua do pai mas foi em 1973 que um amigo a convidou para conduzi-lo em Monte Carlo. Durante um ano o pai de Mouton pagaria o carro de corrida na condição de que ela se esforçaria e mostraria o seu valor.
“As mulheres nunca foram levadas a sério, mas meu pai não pensou nisso. Ele tinha tanta confiança em mim.”
Mas nem todos os homens viram Mouton sem maldade. Ao longo do documentário podemos ver que muitos foram os que se questionaram com quem ela se teria envolvido para chegar até ali. Era quase que uma intrusa, alguém não desejado. A desconfiança subiu a um nível que os oficiais da corrida desmontaram o seu carro para ver se não existiam ilegalidades que estivessem a favorecer a pilota.
A temporada de maior sucesso do Campeonato Mundial de Rali de Mouton e, por isso, a que mais foco tem, aconteceu em 1982 no início da temível era do Grupo B e apenas um ano depois de ela se tornar a primeira mulher a vencer um evento do WRC. Mouton e a co-pilota do Audi quattro Fabrizia Pons, venceram três ralis nesse ano: Portugal, Grécia e Brazil. Entraram nas últimas duas rodadas da temporada com 82 pontos no campeonato, perdendo apenas para o alemão Walter Röhrl, com 89 pontos.
Antes da penúltima rodada da temporada na Costa do Marfim, o pai de Mouton – a pessoa que a acompanhou desde o início – morreu. Mouton não contou à sua equipa o tinha acontecido mas não conteve as lágrimas em alguns momentos do rali. Ainda assim, alcançou uma vantagem de 25 minutos no início, que se acabou por estender para mais de uma hora.
Uma das partes mais interessantes de Queen of Speed é como os concorrentes de Mouton a viam versus como ela se via. Os homens não queriam perder contra ela, os talk shows perguntavam como uma senhora tão pequena podia pilotar um carro tão robusto.
No entanto, Mouton não se fixou em seu próprio gênero ou no de sua concorrência. Nem Pons. Suas citações ecoam as das pilotos de hoje: que sob o capacete, todos são iguais.
Através da sua experiência, agora ilustrada neste documentário, Mouton não demonstrou que o lugar da mulher é onde ela quiser.
“Quando estás no carro, ninguém pode dizer que é um homem ou uma mulher que está a conduzir”




