O futuro da eletrificação: Que desafios para a Tesla?
Os veículos elétricos, como uma alternativa aos motores de combustão e com a Tesla à cabeça, parecem ter um impacto cada vez maior no setor automóvel. Apesar de ser uma tendência atual, esta não é uma tecnologia moderna ou recente. Por exemplo, a General Motors, nos idos anos 90 desenvolveu e produziu o EV1, um coupé elétrico que chegou a ter 2000 unidades produzidas. No entanto, só 40 é que saíram para as estradas que acabaram por ser recolhidas do mercado.

Em 2003, ano em que os outros fabricantes ainda não tinham o seu foco na eletrificação, a Tesla surge na Califórnia com a missão de “acelerar a transição do mundo para a energia sustentável.” O objetivo do grupo de engenheiros responsável pela fundação da marca, era mostrar que seria possível ter um carro que fosse divertido de conduzir e ao mesmo tempo amigo do ambiente, começando a trabalhar num projeto já experienciado por outras marcas que não obtiveram bons resultados.
A realidade hoje é bem diferente. Com os governos a imporem restrições cada vez mais apertadas e a exigirem automóveis menos poluentes, a eletrificação ganhou força e as marcas tradicionais iniciaram um percurso neste sentido. Assim sendo, a Tesla apesar de ser líder na tecnologia, de Elon Musk o seu CEO, ser visto como um génio, e de hoje ser considerada a marca automóvel mais valiosa do mundo, tendo ultrapassado a Toyota, no passado teve de ultrapassar uma série de adversidades, que a levaram quase à falência em 2017 um mês antes de ter sido lançado o Tesla Model 3.
As ameaças que a Tesla tem para o futuro
Se até então a Tesla estava sozinha neste caminho da eletrificação, tem agora de o percorrer com novos players que vão surgindo, como é o caso da Lucid Motors. A empresa norte-americana que se dedicava apenas à produção de baterias para automóveis de outras marcas, iniciou agora também um percurso na construção de automóveis elétricos de luxo. A sua produção teve apenas início no ano de 2020 mas é atualmente uma marca muito valiosa a crescer em direção à grandiosidade da Tesla .
A segurança da Tesla é um fator que pode estar cada vez mais ameaçado. Há bem pouco tempo a marca foi vítima de roubo de códigos referentes à tecnologia de condução autónoma, o que a obrigou a reforçar a segurança dos seus sistemas. Mas outras empresas foram mais longe e chegaram mesmo a vir recrutar colaboradores à Tesla , para que estes lhes revelasse segredos da marca, o que levou Elon Musk a processar esses ex-colaboradores.
A introdução de carros movidos a hidrogénio é considerada também uma outra ameaça com alguma importância para a Tesla , por se tratar de uma alternativa mais limpa e eficaz tanto em relação aos veículos a combustão como em relação aos elétricos. Esta é uma outra alternativa que já está em estudo há algum tempo e que começa agora a ganhar tração, o que a ser verdade pode exercer algumas dificuldades à Tesla .
Analisando o panorama geral, talvez a principal ameaça da Tesla seja mesmo a entrada dos fabricantes tradicionais para o mercado dos veículos elétricos. Em relação aos fabricantes tradicionais de automóveis, a Tesla apesar de ser líder nos aspetos tecnológicos, tem a desvantagem de não conseguir construir automóveis com a mesma qualidade das marcas tradicionais. Isto porque estas têm já um percurso mais longo neste campo, partindo do princípio que os fabricantes tradicionais utilizam a mesma qualidade de construção nos automóveis elétricos que utilizam nos que têm motores a combustão. Outra desvantagem tem que ver com a capacidade de distribuição. Enquanto que a Tesla pretende distribuir os seus automóveis por todo o mundo com lojas próprias, as marcas tradicionais possuem concessionários espalhados por várias partes do globo, o que lhes dá uma relativa vantagem neste campo. Destaque para a facilidade de adaptação às novas tendências e realidades que as marcas tradicionais possuem e que para a Tesla poderão corresponder a um desafio maior.
Estará a Tesla a preparar um plano para o futuro?
Tal como se observou ao longo deste artigo, a Tesla passou de atuar sozinha no mercado dos veículos elétricos, a estar rodeada de pressões provocadas por diversos fatores. Com todas as ameaças que a Tesla tem sido alvo, será que está já a preparar um plano para o caso dos veículos movidos a hidrogénio, se virem a mostrar uma alternativa viável e mais eficaz aos veículos elétricos? Durante quanto tempo é que se vai aguentar como a marca mais valiosa do mundo? Para responder a estas e outras questões teremos de aguardar e analisar o comportamento do mercado nos próximos tempos.







