Crise dos 'chips'. Vendas descem a níveis de 1995
Fábricas paradas e sem carros para entrega, o tempo de espera por carro novo dispara, atirando os números das vendas na Europa para valores da década de 90.

É incontornável e assume dimensões preocupantes, para a indústria automóvel e clientes. Em setembro, as vendas de carros novos em Portugal caíram 20,5%, segundo a associação do setor (ACAP). Na Europa, desde 1995 que não se compravam tão poucas unidades com zero quilómetros em setembro, refere a associação europeia ACEA.
O mercado automóvel europeu registou uma descida de 23,1% em setembro, por comparação com o mesmo mês do ano passado, o que corresponde a meio milhão de unidades a menos em comparação com o mesmo período do ano passado.
A explicação encontra-se em grande parte na escassez de semicondutores, já apelidada de “crise dos chips”, que está a originar longas paragens na produção de automóveis e por consequência dificuldades em responder à procura por viaturas novas. Os dados refletem «a escassez de veículos causada pela falta de semicondutores», refere a Associação de Fabricantes Europeus.
Falta de componentes está a deixar construtores, concessionários e compradores à beira de um ataque de nervos.
A procura de componentes eletrónicos tem sido muito elevada, até porque o recurso aos sistemas eletrónicos é cada vez maior na produção dos novos automóveis. Por outro lado, os fabricantes também estão numa situação de concorrência com outras indústrias que necessitam desses «chips», desde os computadores aos telemóveis. O pior é que esta situação "deve prolongar-se em 2022", refere a British Builders Association.
O resultado é que está cada vez mais difícil comprar carro novo: os prazos de entrega estão a aumentar (há quem tenha de esperar mais de seis meses) e há menos equipamento disponível.
Usado mais caro que um novo
A escassez de componentes está a levar a situações extremas. No Brasil, por exemplo, a Exame escreve que passou a ser normal “um carro usado custar mais do que um zero quilómetros”.
A revista sublinha ainda que vender um carro usado com um ano por um preço melhor do que aquele pago na compra “é algo inédito num momento de estabilidade económica”.
“Só vi isso na época da hiperinflação”, afirma Eduardo Jurcevic, presidente da Webmotors, maior plataforma de compra e venda de carros do País.





