Venda de usados com sinais de retoma
As vendas de automóveis usados na Europa recuperam para níveis perto de 2019 na última semana de maio, de acordo com o mais recente relatório do Observatório Indicata. Portugal teve um desempenho ainda melhor, segundo a especialista do grupo Autorola.

As vendas globais de automóveis usados nos 13 mercados europeus em que a Indicata está presente estão agora a descer apenas 17%, em termos homólogos e a tendência de subida continua, com a última semana de maio a descer apenas 9%. Em Portugal os volumes não só subiram para níveis pré-confinamento devido à pandemia de Covid-19, como cresceram 21% em relação ao mês homólogo, do ano passado. Portugal é o mercado que mais rapidamente cresce na Europa. O country manager da Autorola em Portugal, Miguel Vassalo, explica ao GUIA DO AUTOMÓVEL que a subida do mercado no nosso país pela procura de um automóvel usado em vez de um novo “percecionada como uma decisão que apresenta um melhor custo-benefício”, além da poder haver, também, algum “efeito de ‘abertura da comporta’ com um número muito grande de pequenos operadores a fechar poucos negócios”. O mesmo responsável admite que, além do efeito normal da paragem durante dois meses ter adiado comprar necessárias, a procura de mobilidade individual versus transportes públicos terá tido influência. “É plausível, tanto mais que este crescimento é assente em automóveis com mais de três anos”, indica Miguel Vassalo.
Preços estabilizados
Voltando à totalidade do mercado europeu de veículos usados, os dados do Observatório Indicata revelam que a procura por motorizações diesel caiu 29%. Há, além disso, um mercado forte nos automóveis mais antigos e crescimento nos modelos de luxo e desportivos. Quanto aos preços, mantêm-se estáveis, segundo a análise. O valor dos usados começaram a mexer, embora gradualmente, com a Suécia, o menos restritivo de todos os países europeus, assistindo à maior redução de preços de 4,2%. “Todos os outros países estão a encontrar cautelosamente um novo preço ‘normal’, o que sugere que os retalhistas e os fabricantes estão a manter a calma e não estão a vender o seu stock em pânico”, refere o relatório do grupo Autorola. Em relação a previsões para o futuro, há mais dúvidas do que certezas. Desde logo pela questão sanitária, mas também por eventuais medidas de apoio à compra de automóveis novos que os vários governos europeus estão a estudar. Estas têm natural impacto no comportamento do mercado de usados.




