Stellantis Pro One. O teu escritório pode ter rodas e sai de Mangualde
A Stellantis Pro One quer ir além da venda de veículos comerciais e assumir-se como parceira dos negócios que deles dependem. A nova Smart Compact Van, produzida em Mangualde e lançada em quatro marcas do grupo, é um exemplo dessa estratégia: menos lugares, mais arrumação e uma cabine pensada para trabalhar.

Uma carrinha comercial passa grande parte do dia na estrada, mas nem todo o trabalho acontece ao volante. Há ferramentas para arrumar, documentos para consultar, refeições para fazer e, por vezes, tarefas administrativas para resolver entre dois serviços. Foi precisamente a partir desta realidade que a Stellantis decidiu repensar o interior dos seus furgões compactos. O resultado chama-se Smart Compact Van e tem uma particularidade de que Portugal se pode orgulhar: é produzida na fábrica de Mangualde, de onde parte agora para conquistar o mercado europeu.
A novidade foi apresentada no âmbito da estratégia da Stellantis Pro One, a unidade de negócio global do grupo dedicada aos veículos comerciais. Mas reduzir a Pro One a uma divisão que vende carrinhas seria ficar aquém daquilo que pretende ser. A ambição passa por oferecer um conjunto mais abrangente de soluções de mobilidade profissional, incluindo adaptações, personalizações e equipamentos que ajudem os clientes a trabalhar melhor.
A lógica é simples: um veículo comercial não deve ser apenas um meio de transporte. Tem de ser uma ferramenta de trabalho, adaptada à atividade de quem o utiliza. E isso implica olhar para muito mais do que a capacidade de carga ou a potência do motor.
A dimensão desta estratégia percebe-se também na estrutura industrial da Pro One, que conta com 20 fábricas e quatro centros de design espalhados pelo mundo. Mais de metade das vendas de veículos comerciais envolve algum tipo de transformação ou personalização, um indicador que ajuda a explicar por que razão o grupo quer reforçar a oferta de soluções feitas à medida de cada negócio.
A pergunta que orientou o desenvolvimento da Smart Compact Van foi particularmente pertinente: os profissionais precisam de mais equipamento ou precisam de retirar mais valor daquilo que já têm à disposição?
A resposta começou por uma observação atenta da utilização diária dos veículos. Segundo os dados apresentados pela Stellantis, 40% dos clientes europeus não têm interesse numa configuração de três lugares e os condutores profissionais viajam sozinhos em cerca de 90% do tempo de trabalho. Perante esta realidade, manter um banco de passageiro convencional nem sempre seria a solução mais inteligente.
Em vez de acrescentar funcionalidades isoladas, procuraram criar um conjunto de soluções que funcionassem em articulação e aproveitassem melhor o espaço disponível.
O principal exemplo é o Flexiseat, um banco de passageiro modular que pode ser rebatido para aumentar o volume de carga em cerca de 0,5 metros cúbicos. Mas a transformação não fica por aqui.
Entre os equipamentos disponíveis encontra-se o Modutable, uma mesa amovível e deslizante produzida em Portugal pelo grupo Simoldes. A solução permite criar uma pequena superfície de trabalho dentro da própria cabine, transformando uma pausa numa oportunidade para tratar de assuntos profissionais.
A lista inclui ainda a Moduconsole, uma consola central removível com suporte para copos e compartimento fechado; a Dashbox, que acrescenta espaços de arrumação fechados no tablier; e a Drivedrawer, uma gaveta discreta debaixo do banco do condutor. Há também uma tomada de 220 V para alimentar ou carregar equipamentos eletrónicos.
O objetivo é que cada objeto tenha um lugar e cada centímetro possa ser aproveitado. Não se trata apenas de tornar a cabine mais confortável, mas de lhe dar uma utilidade acrescida ao longo do dia.
A Smart Compact Van não substitui os restantes furgões compactos da Stellantis. Complementa a oferta com uma configuração mais acessível e funcional, direcionada para profissionais que valorizam a simplicidade e a eficiência. O grupo estima que esta versão possa representar entre 10% e 15% das vendas, com uma parte significativa a corresponder à conquista de novos clientes.
Quatro marcas, uma mesma ideia
A Smart Compact Van chega ao mercado através de quatro marcas do grupo, assumindo diferentes designações: Citroën Berlingo Van First, Fiat Professional Doblò EasyPro, Opel Combo Start e Peugeot Partner Active.
Apesar das diferenças de identidade de cada marca, a base técnica e as soluções funcionais são comuns. A gama mantém a arquitetura dos furgões compactos existentes, com dois comprimentos disponíveis, uma capacidade de carga útil até 650 kg e um volume de carga entre 3,3 e 4,4 metros cúbicos.
A oferta de motorizações também procura responder a diferentes necessidades profissionais. Está disponível uma versão 100% elétrica, com 136 cv e bateria de 42 kWh de capacidade útil, que anuncia até 270 quilómetros de autonomia. Para quem continua a privilegiar o gasóleo, existem motores de 100 e 130 cv, ambos associados a caixas manuais. A partir de 2027, a gama deverá receber ainda uma variante híbrida de 48 V.
Em termos de preços, a nova Smart Compact Van chega ao mercado português com valores a partir de 16.900 euros + IVA nas versões Diesel e de 17.660 euros + IVA na variante 100% elétrica. Estes preços de lançamento, válidos até ao final de 2026, já incluem rádio com ecrã de 10 polegadas, câmara traseira e Flexiseat (banco modular rebatível). Entre os equipamentos disponíveis como opcionais destaca-se a Modutable, uma mesa amovível e deslizante que transforma a cabine num pequeno espaço de trabalho. A Stellantis não divulgou, para já, os preços individuais deste e dos restantes equipamentos adicionais.
É uma abordagem que deixa a escolha nas mãos do cliente, em função da atividade, dos percursos e dos custos operacionais que precisa de controlar.
Mangualde não se limita a montar carrinhas
Se a Smart Compact Van representa uma nova forma de pensar o produto, a fábrica de Mangualde mostra como essa estratégia ganha expressão na indústria portuguesa.
Durante a visita às instalações, Múcio Brasileiro, responsável pela unidade industrial, destacou o peso da fábrica na produção nacional: são cerca de 900 colaboradores e aproximadamente 27% da produção automóvel nacional sai destas instalações. Além disso, cerca de 30% das peças utilizadas nos veículos têm origem em Portugal.
Mangualde é uma fábrica com várias gerações de história, mas a experiência acumulada não significa ficar presa aos mesmos métodos. A ambição passa por conjugar volume de produção com qualidade, eficiência e competitividade económica. A unidade procura manter-se entre as três melhores do grupo nestes indicadores.
O processo industrial começa na ferragem e passa pela pintura, montagem, área de produção de baterias e controlo de qualidade. A fábrica não dispõe de estampagem, mas tem vindo a adaptar a sua estrutura às exigências da produção automóvel atual.
Um dos espaços que merece atenção é o CustomFit Center, onde os veículos recebem transformações e personalizações ainda na fábrica. A lógica é evitar que o cliente tenha de procurar posteriormente um fornecedor externo para adaptar a viatura à sua atividade. Cerca de metade dos clientes de comerciais procura algum tipo de personalização, pelo que integrar esse trabalho no processo de produção permite controlar melhor os prazos e entregar o veículo já preparado para a missão que o espera.
No final, a Smart Compact Van acaba por representar duas ideias que se cruzam. Por um lado, a vontade da Stellantis Pro One de deixar de olhar para os veículos comerciais apenas como produtos e passar a pensar nas necessidades concretas de quem vive deles. Por outro, a capacidade de uma fábrica portuguesa para desenvolver e produzir uma proposta destinada a diferentes mercados europeus.
Porque, para quem faz da estrada o seu local de trabalho, uma boa carrinha não é apenas aquela que transporta mais. É aquela que permite fazer melhor o trabalho que vem depois.






