Portugal não deu rodas ao BMW i3. Deu-lhe inteligência
O novo elétrico da BMW já saiu da fábrica de Munique e chega ao mercado português com até 912 km de autonomia, 469 cv e um habitáculo onde quase tudo gira em torno do condutor. Mas há uma parte desta nova geração que também se escreve em português: mais de 3300 profissionais da Critical TechWorks participam no desenvolvimento da tecnologia que equipa o modelo.

Quando se fala de automóveis alemães, é fácil pensar em engenharia, precisão e tradição industrial. No novo BMW i3, porém, há uma parte desta história que não se conta apenas em Munique. Também passa por Portugal, onde a Critical TechWorks (CTW), empresa criada através de uma parceria entre o BMW Group e a portuguesa Critical Software, participa no desenvolvimento de tecnologias para a nova geração de automóveis da marca.
Afinal, um automóvel já não se constrói apenas com aço, alumínio, baterias e motores. Também se constrói com linhas de código, sistemas capazes de interpretar informação e software que determina a forma como o condutor interage com a máquina. No novo i3, uma parte desse trabalho tem assinatura portuguesa.
E há boas razões para olhar para este modelo para lá da sua nacionalidade industrial. O novo i3 é o segundo representante da geração Neue Klasse e assinala a entrada do BMW Série 3 numa nova era totalmente elétrica. Mantém a identidade de berlina desportiva que acompanha o modelo há cinco décadas, mas estreia uma linguagem visual, uma arquitetura elétrica e uma experiência a bordo profundamente renovadas. 
Um Série 3 que mudou (não só) de pele
O novo BMW i3 não é uma simples adaptação elétrica de um modelo existente. Foi desenvolvido de raiz para a geração Neue Klasse e apresenta proporções que procuram preservar o carácter desportivo do Série 3 . A distância entre eixos alongada, as curtas projeções dianteira e traseira e a frente inclinada, com a grelha e os faróis integrados numa única assinatura visual, dão-lhe uma presença bastante diferente da geração anterior.
Na traseira, os grupos óticos horizontais reforçam a largura da carroçaria, enquanto os contornos pronunciados das cavas das rodas ajudam a destacar a postura desportiva. A BMW mantém alguns dos elementos visuais que identificam a família Série 3 , mas interpreta-os com uma linguagem mais tecnológica e minimalista.
É no habitáculo que a mudança se torna ainda mais evidente. O tablier desenvolve-se horizontalmente em direção aos painéis das portas, criando uma sensação envolvente em torno dos ocupantes. A marca procurou combinar uma apresentação mais depurada com a orientação para o condutor que tradicionalmente caracteriza os seus modelos.
O elemento mais marcante é o BMW Panoramic iDrive. Em vez de concentrar toda a informação num painel de instrumentos convencional, o sistema projeta dados numa superfície especialmente preparada na parte inferior do para-brisas, ao longo de praticamente toda a largura do habitáculo. A informação fica, assim, mais próxima do campo de visão do condutor.
O conjunto é complementado por um ecrã central de 17,9 polegadas, com formato Free-Cut Design, um novo volante multifunções com comandos Shy Tech e, em opção, um Head-Up Display 3D. A ideia é reduzir a necessidade de desviar o olhar da estrada, sem abdicar de uma experiência digital abrangente.
Também a interação por voz ganha protagonismo. O BMW Intelligent Personal Assistant passa a integrar tecnologia de inteligência artificial Alexa+, permitindo uma comunicação mais natural com o automóvel e respostas adaptadas ao contexto. A disponibilização destas funcionalidades será gradual, consoante os mercados.
Entre as opções de equipamento estão ainda o teto panorâmico em vidro Climate Comfort, bancos desportivos M e jantes aerodinâmicas M de 21 polegadas. A gama de lançamento contempla onze cores exteriores, incluindo o novo M Le Castellet Blue, exclusivo desta família.
A transformação não fica pelo desenho. O novo BMW i3 estreia a sexta geração da tecnologia BMW eDrive, com arquitetura elétrica de 800 V, bateria de alta tensão com células cilíndricas e uma nova abordagem à integração dos componentes.
A gama arranca com duas versões de tração integral xDrive, ambas equipadas com dois motores elétricos, um em cada eixo.
No topo da oferta inicial encontra-se o BMW i3 50 xDrive, com 469 cv e 645 Nm de binário. A aceleração dos 0 aos 100 km/h faz-se em 4,7 segundos e a autonomia homologada pode chegar aos 912 km em ciclo WLTP. A potência máxima de carregamento em corrente contínua atinge os 400 kW, permitindo recuperar até 423 km de autonomia em dez minutos, em condições ideais de carregamento.
A segunda proposta é o BMW i3 40 xDrive, com 374 cv, 710 km de autonomia WLTP e uma aceleração dos 0 aos 100 km/h em 5,4 segundos. Neste caso, a potência máxima de carregamento rápido é de 300 kW.
Ambas beneficiam da nova arquitetura de bateria Gen6, que utiliza células cilíndricas e uma construção cell-to-pack, procurando aumentar a densidade energética e otimizar o aproveitamento do espaço. A tecnologia de 800 V permite também trabalhar com potências de carregamento superiores.
Outra funcionalidade interessante é o carregamento bidirecional. O BMW i3 pode funcionar como fonte de energia para equipamentos externos ou, através de soluções compatíveis, integrar sistemas energéticos domésticos e até a rede elétrica. Na prática, a bateria deixa de servir exclusivamente para alimentar o automóvel. 
A inteligência também se escreve em português
É neste capítulo que Portugal entra na história. A Critical TechWorks conta com mais de 3300 colaboradores, distribuídos pelos escritórios de Lisboa, Porto e Braga, e é o maior centro de desenvolvimento de software do BMW Group na Europa.
A empresa participa no desenvolvimento do BMW Panoramic iDrive, de sistemas de assistência à condução e de componentes do sistema operativo da marca. O contributo estende-se ainda à aplicação MyBMW e à infraestrutura que permite instalar atualizações remotas de software.
Não significa que o BMW i3 seja desenvolvido em Portugal, nem que toda a sua tecnologia tenha origem nacional. Mas significa que parte da experiência digital que a BMW quer oferecer aos seus clientes tem trabalho português por detrás.
O novo BMW i3 é, por isso, o resultado de uma indústria cada vez mais distribuída, onde a engenharia mecânica, a eletrónica e o desenvolvimento de software trabalham em conjunto. E, numa altura em que a diferença entre automóveis também se mede pela inteligência dos sistemas que os acompanham, Portugal está longe de ser apenas um espectador. 
Primeiro estranha-se, depois entranha-se
Ao vivo, o novo BMW i3 causa uma primeira impressão curiosa. O design não será consensual e, confesso, também precisei de olhar umas 3 a 4 vezes para me habituar às novas proporções e à linguagem visual da Neue Klasse. Mas, depois de o observar com mais atenção, acaba por conquistar.
No interior, a qualidade dos materiais, os acabamentos e a montagem estão à altura do que se espera de um BMW , enquanto o ambiente parece confortável e bem conseguido. O espaço nos bancos traseiros, porém, não impressiona. Ainda não tive oportunidade de o conduzir, pelo que ficam por avaliar aspetos essenciais como o comportamento dinâmico, o conforto em andamento e a eficácia da nova tecnologia elétrica.
Os preços para Portugal começam nos 59 500€ para o BMW i3 40 xDrive e nos 65 500€ para o i3 50 xDrive. A gama deverá crescer na primavera de 2027, com a chegada do BMW i3 M60 xDrive M Performance.






