MAGE e VIGO: a nova dupla da Dongfeng já chegou a Portugal
A Dongfeng continua a acelerar a sua ofensiva em Portugal e apresentou dois novos SUV com propostas bem diferentes. O MAGE chega como híbrido plug-in, enquanto o VIGO aposta exclusivamente na mobilidade elétrica. Estive na apresentação e fui conhecer de perto esta nova dupla.

Há cada vez menos espaço para quem chega ao mercado automóvel português sem uma proposta clara. E a Dongfeng parece ter percebido isso. Depois de reforçar a sua presença no nosso país, a marca chinesa apresentou oficialmente dois novos modelos que seguem caminhos diferentes, mas têm um objetivo comum: conquistar espaço num segmento onde a concorrência é cada vez maior.
Falamos do Dongfeng MAGE e do Dongfeng VIGO, dois SUV que chegam com dimensões, motorizações e posicionamentos distintos. Estive presente na apresentação realizada na zona de Lisboa e foi interessante perceber como a marca decidiu atacar dois perfis de utilização diferentes de uma só vez.
De um lado temos o MAGE , o primeiro híbrido plug-in da Dongfeng em Portugal. Do outro, o VIGO , um SUV compacto 100% elétrico.
MAGE: o híbrido plug-in para quem ainda não quer abdicar da versatilidade
Comecemos pelo MAGE . Com 4,69 metros de comprimento, este é o maior dos dois modelos e assume uma vocação claramente familiar.
A principal novidade está, naturalmente, debaixo do capô. O MAGE estreia em Portugal a tecnologia Mach PHREV 3 Power, que combina um motor 1.5 Turbo, uma transmissão híbrida dedicada 4DHT e uma bateria LFP de 17 kWh.
O resultado anunciado pela Dongfeng é de 279 cv e 580 Nm de binário, números que colocam o MAGE numa posição interessante dentro da oferta de SUV híbridos plug-in.
Mas é na autonomia que a marca quer fazer a diferença. O MAGE anuncia até 86 km de autonomia elétrica em ciclo combinado WLTP e uma autonomia total superior a 1.100 km. Em determinadas condições de utilização, a autonomia elétrica urbana anunciada chega aos 136 km.
A Dongfeng anuncia ainda um consumo combinado WLTP de 2,2 l/100 km, embora os valores constantes das condições da campanha de lançamento apresentem dados técnicos diferentes, nomeadamente 1,49 l/100 km e 81 km de autonomia elétrica em ciclo combinado. É, por isso, importante olhar para estes números tendo em conta a versão, homologação e condições específicas de utilização.
Na prática, a proposta é fácil de perceber: permitir fazer os trajetos diários em modo elétrico e, ao mesmo tempo, manter a possibilidade de percorrer longas distâncias sem depender exclusivamente da rede de carregamento.
E há outro detalhe que me parece particularmente relevante num modelo desta dimensão: a bagageira de 525 litros. Com uma distância entre eixos de 2.775 mm, o MAGE procura conjugar espaço interior com uma utilização familiar.
Um interior que aposta na tecnologia
Se há algo que salta à vista quando analisamos a ficha do MAGE é a aposta no equipamento.
O SUV recebe um ecrã central de 14,6 polegadas, processador Qualcomm 8155, Apple CarPlay e Android Auto, atualizações OTA e um conjunto abrangente de sistemas de assistência à condução.
Na versão Premium, a dotação inclui ainda teto panorâmico, jantes de 19 polegadas, bancos em pele sintética, climatização automática, porta da bagageira elétrica e câmara de 360 graus.
Também o carregamento foi pensado para não ser necessariamente um processo demorado. A bateria pode passar dos 30 aos 80% em cerca de 31 minutos através de carregamento rápido DC.
É uma lista de equipamento que mostra bem onde a Dongfeng pretende jogar: oferecer bastante tecnologia sem colocar o modelo num patamar de preço proibitivo.
VIGO: compacto por fora, elétrico por dentro
Se o MAGE representa a aposta híbrida plug-in, o VIGO segue uma direção completamente diferente.
É um SUV mais compacto, com 4,31 metros de comprimento, mas mantém uma distância entre eixos de 2.715 mm. A promessa é oferecer espaço suficiente para cinco ocupantes sem assumir dimensões exteriores demasiado difíceis de gerir no quotidiano.
A bagageira tem 500 litros, aos quais se junta um compartimento inferior adicional de 72 litros.
Debaixo do piso está uma bateria LFP de 51,87 kWh, associada a um motor elétrico de 120 kW, equivalente a 163 cv, e 230 Nm de binário.
A autonomia anunciada chega aos 340 km em ciclo combinado WLTP, podendo atingir 521 km em ciclo urbano. São números que colocam o VIGO numa faixa interessante para quem procura um elétrico para utilização sobretudo urbana e periurbana.
Mas há outro dado que merece atenção: o carregamento rápido DC pode atingir 167 kW, permitindo passar dos 30 aos 80% em apenas 18 minutos.
É aqui que a diferença de filosofia relativamente ao MAGE se torna mais evidente. Enquanto o MAGE procura eliminar a ansiedade de autonomia através da combinação entre eletricidade e motor de combustão, o VIGO aposta numa utilização totalmente elétrica e tenta compensar eventuais limitações com uma capacidade de carregamento rápida.
O VIGO dispõe ainda de tecnologia Vehicle-to-Load (V2L), que permite utilizar a energia armazenada na bateria para alimentar equipamentos elétricos externos.
Pode parecer um detalhe, mas é uma daquelas funcionalidades que começa a deixar de ser exclusiva de modelos de segmentos superiores. Para quem utiliza o automóvel em atividades ao ar livre, campismo ou simplesmente precisa de alimentar determinados equipamentos longe de uma tomada convencional, pode ser uma solução interessante.
A versão One Edition apresentada em Portugal inclui ainda teto panorâmico, jantes de 18 polegadas, bancos dianteiros com regulação elétrica, carregamento de smartphone por indução e câmara de 360 graus.
Dois preços que querem dar que falar
É impossível falar destes dois modelos sem olhar para os preços anunciados.
Em campanha de lançamento, válida até 30 de setembro de 2026 e limitada ao stock existente, o MAGE Power-3 1.5T PHREV está disponível por 28.490 euros + IVA, enquanto o VIGO One Edition custa 26.990 euros + IVA, com as condições específicas indicadas pela Dongfeng .
São valores particularmente relevantes para dois SUV eletrificados com esta dotação de equipamento.
Outro argumento apresentado pela marca é a garantia: 7 anos ou 300.000 quilómetros para o veículo e 10 anos, sem limite de quilómetros, para a bateria de alta tensão, de acordo com os termos e condições aplicáveis.
A Dongfeng está a mudar de velocidade
O que retirei desta apresentação foi sobretudo a ideia de uma marca que já não está apenas a testar terreno em Portugal.
A Dongfeng está a construir uma gama com diferentes tecnologias e, com MAGE e VIGO , passa a oferecer duas respostas bastante distintas para a transição energética.
O MAGE parece-me particularmente pensado para quem quer experimentar a condução elétrica no dia a dia, mas ainda precisa da tranquilidade de um motor de combustão para viagens mais longas. O VIGO , por outro lado, é uma proposta mais simples na sua filosofia: entra-se, carrega-se e conduz-se sem gasolina ou gasóleo pelo caminho.
Não são, portanto, dois modelos que competem necessariamente pelo mesmo cliente.
E talvez seja precisamente aí que esteja a estratégia mais interessante desta dupla apresentada pela Dongfeng : em vez de tentar encontrar uma única solução para todos, a marca coloca duas cartas diferentes em cima da mesa.
Resta agora perceber como será a resposta do mercado português quando estes modelos começarem a aparecer com maior frequência nas nossas estradas. Porque, numa altura em que as marcas chinesas estão a ganhar cada vez mais espaço por cá, já não basta chegar com preços competitivos.
É preciso convencer. E o MAGE e o VIGO são mais duas peças nessa corrida.






