O sucessor do McLaren P1 poderá ser elétrico. Isto faz sentido?
McLaren, Ferrari, Pininfarina, Lotus, Rimac, Lamborghini, Porsche … todos prometem hipercarros elétricos. Ora, suceder ao McLaren F1 e ao McLaren P1, logo com um elétrico, não é propriamente a tarefa mais ligeira de todas.

Os pequenos fabricantes de supercarros foram resistindo como podiam aos elétricos. O principal desafio de fazer um hipercarro elétrico é o peso, principalmente em marcas como a McLaren e como a Lotus, que vêm a sua genética comprometida pelo elevado peso das baterias.
No entanto, alterações de legislação e do próprio mercado logo criaram a pressão necessária para que todos esses fabricantes começassem a trabalhar em soluções para elétricos. Ora, essa tarefa é uma tarefa muito mais árdua do que eletrificar um carro 'normal', quer de um ponto de vista puramente técnico, de eficiência, como de um ponto de vista emocional. Convenhamos, ninguém quer gastar mais de 1 milhão de euros num carro que tenha um comportamente e uma aceleração parecidos com o de um Tesla Model S.
Isso mesmo já tinha sido confirmado por Christian Von koenigsegg e, mais recentemente, também pelo CEO da McLaren que afirmou: ‘Não queremos fazer um carro que pese 2000 Kgs e que tenha 2000 cavalos, qualquer um pode fazer isso…’
(Ler também Super-Desportivos em vias de extinção, com a opinião do patrão da Koenigsegg)
Michael Leiters da McLaren reforça ainda que o carro elétrico, a ser lançado, tem que ser melhor do que um McLaren de combustão interna. Tem que ser potente, mas também tem que ser ágil e excitante de conduzir, no fundo tem que se enquadrar no ADN da marca.
A verdade é que a promessa está feita e o sucessor do P1 poderá estar pronto antes de 2030. Será?
‘Não queremos fazer um carro que pese 2000 Kgs e que tenha 2000 cavalos, qualquer um pode fazer isso…’
Agora, num contexto em que a própria UE recuou na proibição dos motores de combustão interna e promete preparar legislação que permita o uso de combustíveis sintéticos, será que faz sentido termos hipercarros elétricos?
O investimento de investigação e desenvolvimento necessário para que uma marca como a McLaren ou como a Koenigsegg, apresentem um modelo elétrico dificilmente poderia ser amortizado, tendo em conta o volume total de vendas e a baixa intensidade de utilização destes carros. E este é o ponto de partida para a tomada de decisão por parte dos fabricantes.
Fomos comparar o Renault Clio e o Lamborghini Aventador
Para colocar as coisas em perspectiva, fomos comparar as emissões de CO2 do Lamborghini Aventador S Roadster, um carro com um bloco de 6,5 litros e que custa mais de 521 mil euros, com um Renault Clio TCE Bi-Fuel de 100 cavalos e que custa cerca de 21 mil euros.
O primeiro emite cerca de 460 gramas de CO2 por km, enquanto que o Clio emite cerca de 122 gramas de CO2 por Km.
Apesar dos números, é fácil de antever que o Aventador não representa ameaça significativa para as emissões de CO2 na Europa, já o Clio pode ser um problema.
(Independentemente disto, a UE trata cada fabricante individualmente tendo em conta um valor de emissões por cada carro vendido na UE. Podem ver aqui um artigo acerca de como funcionam esses limites)
O Europeu médio faz mais de 12 mil quilómetros por ano() nas suas deslocações de carro. Por outro lado, Stefano Domenicali dizia em 2019(2), que um Aventador médio percorria cerca de 4000 kms por ano. Claro!...É pouco provável que alguém use um Aventador nas suas deslocações diárias.
Assim, tendo em conta o uso expectável para cada um dos modelos, um único Aventador deverá emitir 1840 toneladas de CO2, enquanto que um Clio emitirá 1464 toneladas de CO2, apenas 25% menos.
Para além dessa diferença, temos que levar em consideração que se vendem 140 mil unidades do Renault Clio por ano na Europa, quase 600(3) por cada Aventador que é vendido. Ou seja, percebe-se facilmente que a Renault terá que fazer um esforço maior, porque tem uma responsabilidade relativa maior, para diminuir as emissões do Clio .
Neste caso, o investimento em combustíveis sintéticos, com neutralidade carbónica, podem ser a solução para os pequenos fabricantes de supercarros, mas não só.
Apesar de não parecer lógico, estes fabricantes individuais de supercarros, embarcaram numa ‘corrida’ aos elétricos. O ponto positivo, é que talvez eles consigam encontrar a fórmula mágica para tornar os elétricos cada vez mais emocionantes. Porque, relembramos, os elétricos fazem muito sentido em outros segmentos.
(1)Fonte:ACEA (2)Fonte: Automotive News (entrevista Stefano Dominicali, CEO Lamborghini 2016-2020) (3)Fonte: CarSalesBase Website







