Conduzimos o Renault Austral. Ou será que fomos conduzidos por ele?
O novo Renault Austral está a bater à porta do mercado nacional e só não abre quem não quer ver. Já eu quis ver, sentir, conduzir e agora abro a porta para contar-vos tudo o que sei sobre este novo SUV.

Se tivesse que escolher um provérbio português para descrever as mais recentes apostas da Renault, diria com rapidez que é “cada tiro, cada melro”. Depois de me ter surpreendido com o Renault Mégane E-TECH, pensei que a marca francesa levaria algum tempo para me arrancar outro suspiro mas “Foi um dente fora, outro melhor na cova.”. Bem, se calhar parava com os provérbios e falava sobre o Austral que tem de tudo, menos lenga-lengas...

Renault Austral . Uma Alavanca na Qualidade
A Renault chama-lhe Renaulution e a verdade é que os novos modelos inseridos no plano estratégico da marca têm provado que se trata de uma verdadeira Revolução. Adianto-vos já que o Renault Austral não é exceção. Este SUV que representa uma reconquista e ataque ao segmento C, é também uma alavanca na qualidade da marca.
O novo Renault Austral é o primeiro modelo da gama Renault a estar equipado com a nova plataforma CMF-CD da Aliança ( Renault -Nissan-Mitsubishi). Isto permite que este veículo integre a inovadora geração de motores E-TECH Hybrid, numa rede de 400V para até 200cv de potência, e um motor a gasolina para um Mild Hybrid de 140cv e 160cv.
Ou seja, novos motores? Check! E o chassis?
Ao ser pioneiro na utilização desta plataforma, o Austral possui uma arquitetura completamente nova e um chassis redesenhado. Neste caso, o chassis do Novo Austral estará disponível em duas versões: eixo de torsão flexível para modelos com direção a apenas duas rodas e eixo traseiro multibraços com 4CONTROL Advanced para a versão de quatro rodas direcionais.
"Mas isso já sabemos. Então e a tua experiência?”
Eu teria-vos levado logo comigo para a minha experiência mas tive dúvidas que os vossos corações aguentassem. Por isso, agora que estão cientes de alguns aspetos técnicos, vou recuar uns dias no tempo e vamos, juntos, conhecer o Austral .

Comecemos pelo exterior. Não sei se ainda se recordam de termos apelidado o Mégane E-TECH de Sensual-TECH, mas queria apenas desbloquear essa memória para dizer que aqui a sensação é outra. É quase como se a sensualidade fosse mais apurada, menos atrevida mas mais madura. E tudo isto com um toque desportivo que faz espalhar um charme... Bem, a mim cativou-me desde o primeiro pisca (que é como quem diz, piscar de olhos mas na versão automóvel).
Numa combinação de curvas com linhas fluídas destaca-se o novo logotipo da marca e assinatura luminosa composta por luzes LED traseiras com tecnologia de micro-ótica e padrões diamantados integrados na ótica frontal. A grelha larga e axadrezada, com acabamento em Ice Black, atravessa-se, no topo, por uma linha horizontal cromada que se estende até aos faróis.
Arrisco-me a dizer que é uma elegância sem medida e esta expressão lembra-me de vos dizer que o novo Austral tem 1.62m de altura por 1.83m de largura e 4.51m de comprimento, com uma distância entre eixos de 2.67m. A dimensão é de um SUV e a sensação é de robustez e desportivismo que pode estar pintado numa das setes cores de carroçaria: "Glacier White", "Pearl White", "Flame Red", "Iron Blue", "Diamond Black" e a mais recente adição "Shale Gray".
Antes de fechar o capítulo do exterior, não posso deixar de abordar as jantes de liga, com dimensões entre 17 e 20 polegadas, a maioria das quais diamantadas. Todas exibem, ao centro, o novo logótipo Renault e, aqui entre nós, as de 20” são umas senhoras jantes.

Entrem. A casa já é vossa
Para quem já entrou no novo Mégane E-TECH não vai abrir a porta do Austral e perder-se de encantos pelo aspeto ou tecnologia mas não é por isso que deixa de ficar impressionado pela positiva.
Mais uma vez, grande ecrã OpenR é o elemento que mais se destaca, seja pelo espaço que ocupa, seja pela mensagem de boas vindas que logo exibe. Em forma de L invertido, este ecrã é um dois em um e cobre não só o painel de instrumentos como a interface multimédia da consola central.

A bordo do Austral tudo (ou quase tudo) se adapta ao condutor e aos demais. Começa pelo painel de instrumentos que oferece opções de visualização de acordo com a prioridade do momento (velocidade, navegação, zen, estrada ou clássico). Passa pela iluminação ambiente com base no ciclo circadiano que se adapta ao ritmo biológico do corpo humano mas que, ainda assim, é personalizável numa infinidade de cores. E termina nos sistemas multi-sense e 4Control Advanced que personalizam a experiência a bordo.
Os materiais utilizados são de qualidade e oferecem uma sensação de calor e prestígio ao interior do automóvel. Posso dizer-vos que, em momento algum da viagem, ouvi ruídos com origem nos materiais presentes no habitáculo. O único ruído que ouvi foi precisamente do apoio de braço disposto na consola central que se não fizer uso para arrumação ou carregamento de smartphone por indução, pode usufruir de um instrumento antis-stress no trânsito.
“O Renault Austral aproxima-se perigosamente de marcas premium.” - Hugo Barbosa, Diretor de Comunicação da Renault Portugal
Vamos à estrada! Proximo destino: A...lgarve!
Nos últimos dias percorri, a bordo do Renault Austral, quilómetros que ligam Lisboa ao Algarve e o Algarve ao Porto e nem sequer dei por isso. Não o fiz sempre ao volante mas o conforto esteve sempre presente.
Durante anos fiz viagens para o Algarve em férias, como a maioria dos portugueses, e nunca uma viagem de mais de 500km pareceu tão pequena e tão confortável. Nos primeiros 200km, o banco traseiro foi o meu melhor amigo e as minhas pernas não choraram nem por um minuto. Estava tão confortável que até consegui dormir por uns quilómetros. A outra metade do percurso dei as mãos ao volante e tanto a segurança como firmeza da condução ofereceram-me um conforto como poucos carros neste segmento.

Se em cidade o Austral é extremamente ágil, em autoestrada o sentimento predominante é mesmo o conforto, a insonorização e a segurança. Não fossem também 32 os sistemas avançados de auxílio à condução (que mais tarde vos posso detalhar).
E este meu testemunho é sobre a versão base. Sim, porque depois de conduzir a versão Esprit Alpine, a mais completa e desportiva, foi com a mais acessível que regressei ao Norte. É caso para dizer que andei de “cavalo para burro”, mas nem sonhava que estes animais poderiam ser tão parecidos. Claro que os pormenores Alpine fazem sentir a sua falta mas se o seu orçamento é mais reduzido, não será mal servido.

Em relação à agilidade, juntem-se aqui os que têm que estacionar em garagens que qualquer nível de Tetris é mais simples de passar. E não, não é para vos chamar de aselhas. É mesmo para falar do 4CONTROL Advanced. Na versão de duas rodas direcionais, o raio de viragem é de 11,5 metros. Já na versão de quatro rodas direcionais, o valor é reduzido para apenas 10,1 metros. Ah pois! Agora é possível ter um SUV e uma garagem de dificuldade nível máximo!
Quanto aos consumos, lamento desiludir mas não vou avançar com valores porque além de ter repartido trajetos com colegas ao volante, conduzi dois modelos com versões distintas. Porém, terei todo o gosto de o testar e analisar num próximo ensaio.
Chegou ao seu destino: O Veredito Final
O Renault Austral , tal como dizia Hugo Barbosa, Diretor de Comunicação da marca em Portugal, “aproxima-se perigosamente de marcas premium” e é inegável de que está muito bem equipado.
Destaco apenas que este é um carro confortável mas que, por vezes, se faz notar um pouco "duro", talvez por culpa das "senhoras jantes" que vos falei. Além disso, há uma sensibilidade nos pedais que terá que ser adquirida para uma melhor experiência de condução. Experiência é também o que é necessário para dominar os comandos que estão dispostos atrás do volante que apelidei de "mini polvo" mas que não é difícil de pescar.
Ideal para as famílias, possui bancos traseiros deslizantes que mantêm as crianças mais perto e os adultos longe o suficiente. A bagageira oferece um máximo de 575 litros para arrumação.

Com preços que começam nos 34.200€, este não é um carro que fará palpitar o coração à sua passagem mas isso é porque o motor é silencioso.
Por fim, resta-me dizer que à medida que me afastava de Lisboa, a bordo do Austral , ouvia cada vez menos o rugir dos leões. E nem sequer estou a falar de futebol.





