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Porque ouvimos o silêncio dos elétricos?

Para aqueles mais atentos e com boa perceção auditiva, pode parecer que os automóveis elétricos já foram mais silenciosos ou que não haviam reparado num som diferente que eles produzem.

Paulo Monteiro
Paulo Monteiro
Porque ouvimos o silêncio dos elétricos?

Se já pensou nisto, fique descansado pois tem toda a razão.

Esta mudança realmente ocorreu após a obrigatoriedade da utilização do dispositivo AVAS em todos os veículos elétricos ou híbridos, produzidos a partir de setembro de 2020 nos Estados Unidos e julho de 2021 na Europa.

Mas em que consiste? O AVAS (Acoustic Vehicle Alerting System) é um sistema capaz de gerar sons artificiais específicos através da verificação contínua de coordenadas como velocidade, posição no pedal e outras, que serão reproduzidos em colunas estrategicamente posicionadas pelo veículo.

A sua função é simplesmente aumentar a segurança, alertando os peões, ciclistas, deficientes visuais ou outras pessoas que possam estar próximas à estes tipos de veículos; a fim de minimizar os riscos de um acidente.

Mas apesar desta obrigatoriedade ser recente, a preocupação com o tema remonta a 2010, quando ocorreram os primeiros estudos e recomendações pelos orgãos de segurança de trânsito do Japão e dos Estados Unidos. Inclusive foram os próprios japoneses, ainda em 2011, os primeiros a produzirem um modelo com o sistema AVAS integrado, o Nissan Leaf.

Para todos os veículos elétricos e híbridos comercializados na Europa, o AVAS deve produzir ruídos mínimos de 50 dB(A) aos 10 km/h, 56 dB(A) aos 20 km/h e pelo menos 47 dB(A) quando atingir os 6 km/h em marcha-atrás. Além disto, a frequência sonora deve aumentar 0,8% para cada 1 km/h acrescido.

Já para o mercado americano o auxílio do AVAS é exigido até os 30 km/h, tendo valores mínimos de ruído obrigatórios de 53 dB(A) aos 10 km/h, 59 dB(A) aos 20 km/h e 63 dB(A) aos 30 km/h. Para manobras em marcha-atrás, o valores são de 50 dB(A).

Além destas diferenças, o padrão americano não exige alterações na frequência sonora com o incremento da velocidade, mas obriga a diferença mínima de 3 dB(A) para o cada intervalo de 10 km/h. Mas nem tudo é regulamentado, e para além destes requisitos mínimos os fabricantes tem liberdade para escolher quais tipos de sons vão utilizar ou que outras características querem incluir em seus próprios AVAS.

Galp
Galp
Atualmente existem duas regulamentações principais que padronizam o AVAS na indústria automobilística: a Europeia (também utilizada pela China) e a Americana.
Porque ouvimos o silêncio dos elétricos?

A Audi, por exemplo, além da configuração obrigatória por lei, deixa a disposição do afortunado proprietário de um RS E-tron um sistema capaz de alterar o som exterior e interior ao seu gosto, criando sensações de potência e esportividade personalizadas. Outra característica própria do modelo é que a partir dos 30 km/h o volume começa a reduzir progressivamente, até se tornar inaudível aos 60 km/h.

Outros, como a italiana Totem Automobili, deram toda a liberdade para seus engenheiros criarem um AVAS muito particular para seu Totem GT Electric, no qual através de softwares emulam sons mais próximos de um modelo a combustão. O sistema que conta com 13 colunas instaladas pelo veículo e muita potência para chegar aos 125 dB(A), ainda pode ser completamente adaptado de acordo com as preferências do proprietário.

Se estás curioso, podes ouvir como soam estes 13 “escapes” na própria página da Totem Automobili.
Resumindo, a realidade é que o silêncio dos elétricos e híbridos criou novas situações de risco no convívio entre os veículos e as pessoas, e a criação do AVAS foi a melhor forma encontrada, até o momento, para mitigar ao máximo tal situação. Entretanto, se é possível adicionar um pouco de diversão aos agora nem tão silenciosos elétricos e híbridos, why not?

Porque ouvimos o silêncio dos elétricos?

Para aqueles mais atentos e com boa perceção auditiva, pode parecer que os automóveis elétricos já foram mais silenciosos ou que não haviam reparado num som diferente que eles produzem.

Paulo Monteiro
Paulo Monteiro
Porque ouvimos o silêncio dos elétricos?

Se já pensou nisto, fique descansado pois tem toda a razão.

Esta mudança realmente ocorreu após a obrigatoriedade da utilização do dispositivo AVAS em todos os veículos elétricos ou híbridos, produzidos a partir de setembro de 2020 nos Estados Unidos e julho de 2021 na Europa.

Mas em que consiste? O AVAS (Acoustic Vehicle Alerting System) é um sistema capaz de gerar sons artificiais específicos através da verificação contínua de coordenadas como velocidade, posição no pedal e outras, que serão reproduzidos em colunas estrategicamente posicionadas pelo veículo.

A sua função é simplesmente aumentar a segurança, alertando os peões, ciclistas, deficientes visuais ou outras pessoas que possam estar próximas à estes tipos de veículos; a fim de minimizar os riscos de um acidente.

Mas apesar desta obrigatoriedade ser recente, a preocupação com o tema remonta a 2010, quando ocorreram os primeiros estudos e recomendações pelos orgãos de segurança de trânsito do Japão e dos Estados Unidos. Inclusive foram os próprios japoneses, ainda em 2011, os primeiros a produzirem um modelo com o sistema AVAS integrado, o Nissan Leaf.

Para todos os veículos elétricos e híbridos comercializados na Europa, o AVAS deve produzir ruídos mínimos de 50 dB(A) aos 10 km/h, 56 dB(A) aos 20 km/h e pelo menos 47 dB(A) quando atingir os 6 km/h em marcha-atrás. Além disto, a frequência sonora deve aumentar 0,8% para cada 1 km/h acrescido.

Já para o mercado americano o auxílio do AVAS é exigido até os 30 km/h, tendo valores mínimos de ruído obrigatórios de 53 dB(A) aos 10 km/h, 59 dB(A) aos 20 km/h e 63 dB(A) aos 30 km/h. Para manobras em marcha-atrás, o valores são de 50 dB(A).

Além destas diferenças, o padrão americano não exige alterações na frequência sonora com o incremento da velocidade, mas obriga a diferença mínima de 3 dB(A) para o cada intervalo de 10 km/h. Mas nem tudo é regulamentado, e para além destes requisitos mínimos os fabricantes tem liberdade para escolher quais tipos de sons vão utilizar ou que outras características querem incluir em seus próprios AVAS.

Galp
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Atualmente existem duas regulamentações principais que padronizam o AVAS na indústria automobilística: a Europeia (também utilizada pela China) e a Americana.
Porque ouvimos o silêncio dos elétricos?

A Audi, por exemplo, além da configuração obrigatória por lei, deixa a disposição do afortunado proprietário de um RS E-tron um sistema capaz de alterar o som exterior e interior ao seu gosto, criando sensações de potência e esportividade personalizadas. Outra característica própria do modelo é que a partir dos 30 km/h o volume começa a reduzir progressivamente, até se tornar inaudível aos 60 km/h.

Outros, como a italiana Totem Automobili, deram toda a liberdade para seus engenheiros criarem um AVAS muito particular para seu Totem GT Electric, no qual através de softwares emulam sons mais próximos de um modelo a combustão. O sistema que conta com 13 colunas instaladas pelo veículo e muita potência para chegar aos 125 dB(A), ainda pode ser completamente adaptado de acordo com as preferências do proprietário.

Se estás curioso, podes ouvir como soam estes 13 “escapes” na própria página da Totem Automobili.
Resumindo, a realidade é que o silêncio dos elétricos e híbridos criou novas situações de risco no convívio entre os veículos e as pessoas, e a criação do AVAS foi a melhor forma encontrada, até o momento, para mitigar ao máximo tal situação. Entretanto, se é possível adicionar um pouco de diversão aos agora nem tão silenciosos elétricos e híbridos, why not?