A pensar comprar um elétrico? Veja este Guia de 10 dicas
Comprar um elétrico ainda não é o mesmo que comprar um veículo a gasóleo, em muitos aspetos. Por isso, a compra deve ser consciente e devidamente pensada.

A tendência do mercado para os veículos elétricos é relativamente recente e, de certo modo, extremamente aliciante. É natural que muitos condutores se sintam iludidos pelos benefícios dos veículos sustentáveis. Porém, é importante que antes de comprar um elétrico pense e repense na sua decisão com o objetivo de não se vir a arrepender poucas semanas depois.
Destacamos 10 conselhos e dicas para seguir antes de tomar a decisão de comprar um elétrico. Além destas ditas, temos muitas outras que pode consultar, aqui.
1. Pesquisar, pesquisar e pesquisar
O primeiro grande passo nesta aventura em busca de um elétrico é pesquisar. Quanto melhor informados estivermos menor será a probabilidade de cairmos em erros de compra. É importante consultar os modelos disponíveis no mercado, preços, autonomias, formas e tamanhos. Algumas marcas poderão até ter campanhas de oferta de wallbox, acessos especiais a redes de carregamento, entre outros benefícios.
Perceba qual é a sua necessidade. Um carro citadino para uso individual? Um SUV para a família? Quantos quilómetros faço diariamente? Estas são algumas perguntas que deve fazer a si mesmo e procurar modelos que respondam às suas necessidades.
O Guia do Automóvel permite-lhe fazer uma pesquisa específica e detalhada que poderá levá-lo ao carro ideal em poucos passos. Consulte a nossa página de pesquisa e aventure-se a pesquisar. Não se esqueça de pedir opinião a outros condutores de elétricos. Testemunhos reais são sempre uma ótima forma de prever possíveis problemas.
2. Venha a calculadora. É hora de fazer contas
Existem modelos elétricos que têm preços bastante atrativos mas, na sua maioria, têm um preço superior aos tradicionais carros a combustão. Porém, apesar de muitas vezes o valor de aquisição ser superior, há que ter em consideração, por exemplo, a isenção de impostos ou o abastecimento mais acessível. Principalmente no caso das empresas, é aqui que vai recuperar grande parte do valor do invetsimento. Assim, poupança está nos benefícios fiscais e no abastecimento dos veículos.
É importante que faça contas ao valor de aquisição, aos custos que o elétrico implicará nos próximos anos e perceber se estes gastos são também eles sustentáveis.
Consulte o nosso artigo : Poupar com um carro elétrico? Nós fizemos as contas
3. Candidate-se ao Incentivo do Estado
Em 2022, o Governo português definiu que até 1300 veículos ligeiros de passageiros para uso particular poderão ser beneficiados no valor de 4 mil euros. Para isso, o carro deverá ser novo, sem matrícula, exclusivamente elétrico, das categorias M1 e N1, devidamente homolgado e o preço não poderá ultrapassar os 62.500 euros.
Os beneficiários do incentivo são obrigados a manter os veículos financiados no mínimo durante um ano, sem possibilidade de os exportarem.
Os pedidos são ordenados de acordo com a data e hora de submissão, pelo que, se a sua candidatura estiver fora do número-limite, ficará em lista de espera. Os financiamentos decorrem até a verba de 4.2 milhões de euros (distribuido pelas tipologias de veículo) for alcançada.
4. Carregamento com "C" de Casa
Antes de adquirir um veículo elétrico é essencial verificar a potência e capacidade da sua eletricidade. Não será de todo agradável ter que deixar o carro 3 dias a carregar para chegar aos 80% de autonomia. Contacte vários fornecedores de wallboxs, compare os preços e as potências. O vendedor do elétrico poderá também ajudá-lo a escolher a melhor opção.
No caso de habitar num apartamento, recordamos que a tomada pode estar ligada ao quadro elétrico do condómino, sendo uma imposição legal. Se utilizar a energia elétrica comum do condomínio, deverá ter que assumir os custos da energia.
A wallbox é, na maioria dos casos, a opção mais económica e mais eficaz para o carregamento do elétrico.
Experimente carregamento público
Carregar o elétrico numa wallbox em casa é a condição ideal e mais eficaz. Porém, nem sempre é possível dadas as autonomias pouco elevadas. As taxas e tarifas especiais aplicadas aos postos de abastecimento elétricos fazem os preços dispararem.
Se a sua deslocação exigir obrigatoriamente um carregamento em postos públicos ou se não tiver opções viáveis em casa, deverá então procurar conhecer a localização, os preços e a potência dos postos de abastecimento na área de maior necessidade.
Segundo a DECO, na fatura de carregamento de uma bateria com 18 kWh (média para percorrer 100 km) num posto de carregamento normal de 22 kW metade do valor pertence a impostos e outra metade ao consumo de eletricidade. Isso significa que se a energia custar cerca de 4.080€, as tarifas dos operadores correspondem a 1.884€, IEC 0.018€ e o IVA 1.380€. Ou seja, percorrer 100 km custará cerca de 7.36€.
Os postos de carregamento públicos são pagos e para realizar esses mesmos pagamentos precisará de um cartão. Esse cartão deve ser solicitado a um dos Comercializadores de Eletricidade para a Mobilidade Elétrica, habitualmente localizados em parques de estacionamento, zonas de estacionamento na via pública, centros comerciais ou até áreas de serviço.
Uma vez feito o contrato, ser-lhe-á enviado um cartão para a sua morada que lhe garante acesso a 1559 postos com 3390 pontos de carregamento. Os montantes referente aos pagamentos será debitado da conta associada ao seu cartão.
Existem também outras aplicações onde pode ver um mapa de postos de abastecimento, os valores, a ocupação ou não dos mesmos e realizar até mesmo os pagamentos.
Cada comercializador tem o seu próprio tarifário que pode variar em função do tipo de carregamento ou do plano com tarifa bi-horária.
Assim, é importante conhecer a localização, os valores da energia e os impostos e taxas atribuidas aos postos de abastecimento para se evitarem surpresas.
Atenção à autonomia
500 quilómetros de autonomia pode parecer um valor considerável, porém esse valor não corresponde à realidade. A autonomia está dependente da velocidade, temperatura, topografia e até mesmo o próprio trânsito. Os valores fornecidos pelas marcas seja EPQ ou WLTP são estimativas e, por isso, não correspondem a uma utilização real de um condutor em condições reais.
A nossa dica é procurar artigos e reviews que nos mostram as autonomias mais reais em que os condutores fazem uma utilização muito semelhante à sua. Pode ainda pedir opinião a proprietários do mesmo veículo, uma vez que certamente têm um testemunho bem mais real e imparcial.
A vida da bateria
Este é um tema que causou desde muito cedo polémica. Afinal de contas, quanto tempo dura a bateria de um elétrico? A verdade é que existe pouca probabilidade de ter que substituir a bateria de um elétrico, uma vez que estas conseguem acompanhar a vida últil do veículo no seu todo. Segundo a DECO, as bateria duram o período de vida do veículo com uma degradação de 20 a 30%.
A maioria das marcas possui uma garantia de oito anos ou 160 mil quilómetros a uma bateria com capacidade mínima de 70%, embora existam marcas que elevam a fasquia.
É expectável que uma bateria de um veículo novo garanta cerca de 150 mil quilómetros com uma capacidade superior de carga a 80%.
Caso seja de facto necessáario trocar de bateria, isto significa um custo adicional considerável. A organização de defesa do consumidor estima que o custo da substituição de uma nova bateria de 24 kWh seja de três mil euros e uma bateria de 62 kWh pode chegar aos sete mil euros.
Abrace a tecnologia
Por norma, os veículos elétricos estão repletos de tecnologias que, além de tornarem o veículo mais sustentável, procuram oferecer o maior conforto e comodidade possíveis. Isso implica, por exemplo, uma aplicação para smartphone dedicado ao seu veículo que lhe permite, por exemplo, agendar carregamentos, controlar o programar o ar condicionado ou abrir o carro através da chave digital.
Se se permitir abraçar estas tecnologias, a sua experiência será muito mais agradável e facilitada.
Manutenção: Adeus Sr. Fernando
A manutenção ou reparação de um veículo elétrico não é bem a mesma coisa do que de um carro tradicional a combustão. Por isso, é natural que a "oficina do Sr. Fernando" não tenha capacidade para responder às suas necessidades.
Assim, lembre-se que ficará dependente dos serviços e preços de um concessionário ou oficina autorizada. Verifique também o valor das revisões obrigatórias que mantêm a garantia do veículo ou revisões também elas obrigatórias.
Nada como Experimentar
Não há nada como experimentar, isso é mais do que certo. Desloque-se a um concessionário e peça para realizar um test drive, principalmente se nunca conduziu um veículo automático ou um elétrico. A condução é bastante simples e confortável, pelo menos geralmente, porém, convém que tenha uma experiência antes de se aventurar neste mundo da sustentabilidade.
Se ainda assim não está convencido ou precisa de ainda mais dicas, visite a nossa página de dicas e explore todos os modelos elétricos. Temos a certeza que encontrará a sua resposta aqui.




