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O carro mais vendido do mundo faz 60 anos e pode tornar-se elétrico

Em 1966, a Toyota lançou um automóvel familiar com um objetivo simples: oferecer qualidade, conforto e versatilidade a um preço acessível. Seis décadas e mais de 57 milhões de unidades vendidas depois, o Corolla continua a ser o modelo mais vendido do mundo.

Catarina Resende
Catarina Resende
O carro mais vendido do mundo faz 60 anos e pode tornar-se elétrico

Em 60 anos, o Toyota Corolla passou de uma berlina compacta com motor de 1,1 litros a uma família de modelos com tecnologia híbrida, equipamentos digitais e diferentes formatos de carroçaria. Pelo caminho, chegou a Portugal, conquistou um lugar na competição automóvel e tornou-se uma referência à escala mundial. São 12 gerações de uma história que ainda não tem ponto final.

A receita que deu origem ao modelo continua a orientar a sua evolução: qualidade, versatilidade e um preço acessível. O desafio tem sido adaptar estes princípios a um mercado em constante mudança, sem perder de vista as necessidades de quem procura um automóvel para o dia a dia. Agora, ao assinalar seis décadas de existência, a Toyota olha para trás, celebra o presente e deixa antever o que poderá ser a próxima grande transformação do Corolla .

1966: o início de uma história que também passou por Portugal

No início dos anos 60, o Japão atravessava um período de crescimento económico acelerado. As cidades expandiam-se, surgiam novas zonas residenciais e ter automóvel próprio tornava-se cada vez mais desejável. A Toyota identificou a oportunidade de criar um carro que fosse além do transporte básico: confortável, moderno, bem equipado e agradável de conduzir, sem deixar de estar ao alcance de um público alargado.

O Corolla foi apresentado no Salão Automóvel de Tóquio de 1966 e chegou ao mercado japonês em novembro desse ano. A primeira versão era uma berlina de duas portas, equipada com um motor de 1,1 litros e 60 cv. Em 1967, a gama cresceu com uma berlina de quatro portas e uma carrinha; no ano seguinte, recebeu o Corolla Sprinter, um coupé de perfil mais desportivo.

A expansão internacional começou cedo. As primeiras unidades chegaram à Europa em abril de 1967 e, em 1971, o Corolla começou a ser montado em Portugal pela Caetano, a partir de conjuntos de componentes enviados pela Toyota . Esta ligação à indústria nacional antecedeu em mais de duas décadas a produção em grande escala que a marca viria a estabelecer noutros países europeus.

As gerações seguintes acompanharam as prioridades de cada época. Na década de 1980, a eficiência dos motores e o aproveitamento do espaço interior ganharam importância. A quinta geração, apresentada em 1983, introduziu a tração dianteira em parte da gama, permitindo libertar espaço no habitáculo, embora as versões de tração traseira tenham continuado disponíveis para quem procurava uma condução mais desportiva.

É precisamente dessa geração que vem um dos Corolla mais acarinhados pelos entusiastas: o AE86. Produzido entre 1983 e 1987, combinava um motor de 1,6 litros com tração traseira, baixo peso e um comportamento que o tornou popular na competição e no drift. A notoriedade cresceu ainda mais com a série japonesa Initial D, na qual o protagonista conduzia um AE86 nas suas entregas de tofu e nas corridas noturnas. O modelo ganhou, assim, uma dimensão cultural que ultrapassou largamente o universo automóvel.

O Corolla também teve êxito nos ralis. Em 1999, uma versão preparada para competição ajudou a Toyota a conquistar o título de construtores do Campeonato do Mundo de Ralis. A faceta desportiva nunca definiu toda a gama, mas mostrou que a versatilidade do nome Corolla não se limitava às deslocações familiares.

Xpeng G9
Xpeng G9
Do Auris ao Corolla híbrido: a evolução continua
O carro mais vendido do mundo faz 60 anos e pode tornar-se elétrico

Na Europa, a história do modelo teve um intervalo curioso. Em 2007, a Toyota passou a utilizar o nome Auris nos hatchbacks de três e cinco portas, mantendo a designação Corolla para a berlina em alguns mercados. A mudança prolongou-se pela geração seguinte, até que, em 2019, o nome Corolla regressou à gama europeia, reunindo o hatchback, a carrinha Touring Sports e a berlina.

A atual, décima segunda geração, assenta na plataforma TNGA-C, que permitiu baixar o centro de gravidade e aumentar a rigidez da carroçaria, com benefícios para a agilidade, a resposta em curva e o conforto. Outra alteração importante foi a adoção exclusiva de motorizações híbridas na gama europeia desde o lançamento.

Atualmente, o Corolla Hatchback e a Touring Sports estão disponíveis com dois sistemas híbridos. O motor de 1,8 litros desenvolve 138 cv e privilegia a eficiência, enquanto o de 2,0 litros oferece 176 cv e uma resposta mais orientada para as prestações.

A tecnologia também evoluiu. O equipamento inclui um painel de instrumentos digital de 12,3 polegadas, um ecrã multimédia de 10,5 polegadas, navegação com informação de trânsito e um conjunto de sistemas de assistência à condução Toyota Safety Sense. As atualizações remotas permitem ainda introduzir melhorias nas funcionalidades de segurança e multimédia sem depender exclusivamente de uma visita à oficina.

A dimensão industrial acompanha esta presença internacional. Segundo a Toyota , o Corolla é atualmente produzido em 14 centros de produção, distribuídos por 11 países. Na Europa, o hatchback e a Touring Sports são fabricados no Reino Unido, enquanto a berlina é produzida na Turquia. As vendas acumuladas no continente aproximam-se dos 9,5 milhões de unidades.

Uma edição especial para assinalar seis décadas

Para celebrar o aniversário, a Toyota lançou uma edição especial do Corolla , disponível em números limitados. A proposta distingue-se sobretudo pelos detalhes visuais, sem alterar a fórmula híbrida que caracteriza a gama atual.

A carroçaria pode receber a pintura metálica Boreal Blue, combinada com tejadilho e pilares em preto. As jantes de liga leve de 17 polegadas têm um acabamento específico, complementado por apontamentos decorativos em prateado mate e elementos escurecidos. No interior, os detalhes comemorativos estendem-se às soleiras das portas e aos tapetes, que exibem a identificação dos 60 anos. A edição de aniversário utiliza exclusivamente o sistema híbrido de 1,8 litros, com 138 cv. A Toyota mantém, assim, o foco na utilização quotidiana e na eficiência, em vez de transformar a celebração numa versão de carácter desportivo.

O próximo capítulo poderá ser 100% elétrico

O aniversário não serve apenas para recordar o passado. A Toyota já mostrou uma antevisão do que poderá ser a próxima geração, através do Corolla Concept, apresentado no Japan Mobility Show de 2025.

O protótipo rompe com a imagem mais convencional do modelo atual. A carroçaria tem linhas angulares, um para-brisas bastante inclinado e uma abordagem ao espaço interior que procura combinar dimensões compactas com uma sensação de amplitude. O projeto foi orientado pelos conceitos «Max Vision» e «Max Space», que traduzem a intenção de criar um automóvel funcional, mas também com uma identidade visual mais marcante.

A proposta foi concebida para acomodar diferentes tipos de motorização, incluindo sistemas híbridos, motores de combustão e propulsão elétrica a bateria. Esta flexibilidade corresponde à estratégia da Toyota de adaptar as soluções de mobilidade aos diferentes mercados, que não avançam todos ao mesmo ritmo na eletrificação.

Entretanto, com base em informações do jornal japonês Nikkei Asia, estima-se que a produção da próxima geração do Corolla seja na China a partir de 2028, incluindo uma versão totalmente elétrica. A produção deverá ficar a cargo da FAW Toyota , uma das empresas conjuntas da marca japonesa no mercado chinês.

Esta informação deve, contudo, ser encarada com cautela. O Corolla Concept é uma apresentação oficial da Toyota , mas o calendário de produção e a futura versão elétrica são, de acordo com as fontes disponíveis, previsões avançadas pela imprensa, e não características de um modelo de produção já confirmadas pela marca. Não são ainda conhecidos os dados técnicos dessa eventual versão, nem existe confirmação da sua comercialização na Europa.

A hipótese tem, ainda assim, significado. Na geração europeia atual, o Corolla está associado exclusivamente à tecnologia híbrida. A entrada de uma versão 100% elétrica representaria uma mudança importante para um modelo que construiu a sua reputação através da evolução gradual e da adaptação às necessidades dos clientes.

O desafio de continuar a ser o Corolla

Mais de 57 milhões de unidades vendidas em 60 anos ajudam a explicar a dimensão do Corolla , mas não garantem o seu futuro. O mercado automóvel enfrenta novas exigências ambientais, uma concorrência cada vez mais intensa e uma transformação tecnológica que está a alterar as expectativas dos consumidores.

O modelo já atravessou crises petrolíferas, mudanças nas preferências dos compradores e várias revoluções técnicas. Passou de uma berlina compacta a uma família de automóveis, chegou à produção europeia e incorporou a tecnologia híbrida quando esta começou a ganhar espaço no mercado.

Agora, a possibilidade de uma versão totalmente elétrica abre uma nova etapa. Se vier a concretizar-se, o desafio será o mesmo que acompanhou o Corolla desde 1966: adaptar-se sem perder a razão que o tornou uma referência mundial. Seis décadas depois, a história continua em andamento.

O carro mais vendido do mundo faz 60 anos e pode tornar-se elétrico

Em 1966, a Toyota lançou um automóvel familiar com um objetivo simples: oferecer qualidade, conforto e versatilidade a um preço acessível. Seis décadas e mais de 57 milhões de unidades vendidas depois, o Corolla continua a ser o modelo mais vendido do mundo.

Catarina Resende
Catarina Resende
O carro mais vendido do mundo faz 60 anos e pode tornar-se elétrico

Em 60 anos, o Toyota Corolla passou de uma berlina compacta com motor de 1,1 litros a uma família de modelos com tecnologia híbrida, equipamentos digitais e diferentes formatos de carroçaria. Pelo caminho, chegou a Portugal, conquistou um lugar na competição automóvel e tornou-se uma referência à escala mundial. São 12 gerações de uma história que ainda não tem ponto final.

A receita que deu origem ao modelo continua a orientar a sua evolução: qualidade, versatilidade e um preço acessível. O desafio tem sido adaptar estes princípios a um mercado em constante mudança, sem perder de vista as necessidades de quem procura um automóvel para o dia a dia. Agora, ao assinalar seis décadas de existência, a Toyota olha para trás, celebra o presente e deixa antever o que poderá ser a próxima grande transformação do Corolla .

1966: o início de uma história que também passou por Portugal

No início dos anos 60, o Japão atravessava um período de crescimento económico acelerado. As cidades expandiam-se, surgiam novas zonas residenciais e ter automóvel próprio tornava-se cada vez mais desejável. A Toyota identificou a oportunidade de criar um carro que fosse além do transporte básico: confortável, moderno, bem equipado e agradável de conduzir, sem deixar de estar ao alcance de um público alargado.

O Corolla foi apresentado no Salão Automóvel de Tóquio de 1966 e chegou ao mercado japonês em novembro desse ano. A primeira versão era uma berlina de duas portas, equipada com um motor de 1,1 litros e 60 cv. Em 1967, a gama cresceu com uma berlina de quatro portas e uma carrinha; no ano seguinte, recebeu o Corolla Sprinter, um coupé de perfil mais desportivo.

A expansão internacional começou cedo. As primeiras unidades chegaram à Europa em abril de 1967 e, em 1971, o Corolla começou a ser montado em Portugal pela Caetano, a partir de conjuntos de componentes enviados pela Toyota . Esta ligação à indústria nacional antecedeu em mais de duas décadas a produção em grande escala que a marca viria a estabelecer noutros países europeus.

As gerações seguintes acompanharam as prioridades de cada época. Na década de 1980, a eficiência dos motores e o aproveitamento do espaço interior ganharam importância. A quinta geração, apresentada em 1983, introduziu a tração dianteira em parte da gama, permitindo libertar espaço no habitáculo, embora as versões de tração traseira tenham continuado disponíveis para quem procurava uma condução mais desportiva.

É precisamente dessa geração que vem um dos Corolla mais acarinhados pelos entusiastas: o AE86. Produzido entre 1983 e 1987, combinava um motor de 1,6 litros com tração traseira, baixo peso e um comportamento que o tornou popular na competição e no drift. A notoriedade cresceu ainda mais com a série japonesa Initial D, na qual o protagonista conduzia um AE86 nas suas entregas de tofu e nas corridas noturnas. O modelo ganhou, assim, uma dimensão cultural que ultrapassou largamente o universo automóvel.

O Corolla também teve êxito nos ralis. Em 1999, uma versão preparada para competição ajudou a Toyota a conquistar o título de construtores do Campeonato do Mundo de Ralis. A faceta desportiva nunca definiu toda a gama, mas mostrou que a versatilidade do nome Corolla não se limitava às deslocações familiares.

Galp
Galp
Do Auris ao Corolla híbrido: a evolução continua
O carro mais vendido do mundo faz 60 anos e pode tornar-se elétrico

Na Europa, a história do modelo teve um intervalo curioso. Em 2007, a Toyota passou a utilizar o nome Auris nos hatchbacks de três e cinco portas, mantendo a designação Corolla para a berlina em alguns mercados. A mudança prolongou-se pela geração seguinte, até que, em 2019, o nome Corolla regressou à gama europeia, reunindo o hatchback, a carrinha Touring Sports e a berlina.

A atual, décima segunda geração, assenta na plataforma TNGA-C, que permitiu baixar o centro de gravidade e aumentar a rigidez da carroçaria, com benefícios para a agilidade, a resposta em curva e o conforto. Outra alteração importante foi a adoção exclusiva de motorizações híbridas na gama europeia desde o lançamento.

Atualmente, o Corolla Hatchback e a Touring Sports estão disponíveis com dois sistemas híbridos. O motor de 1,8 litros desenvolve 138 cv e privilegia a eficiência, enquanto o de 2,0 litros oferece 176 cv e uma resposta mais orientada para as prestações.

A tecnologia também evoluiu. O equipamento inclui um painel de instrumentos digital de 12,3 polegadas, um ecrã multimédia de 10,5 polegadas, navegação com informação de trânsito e um conjunto de sistemas de assistência à condução Toyota Safety Sense. As atualizações remotas permitem ainda introduzir melhorias nas funcionalidades de segurança e multimédia sem depender exclusivamente de uma visita à oficina.

A dimensão industrial acompanha esta presença internacional. Segundo a Toyota , o Corolla é atualmente produzido em 14 centros de produção, distribuídos por 11 países. Na Europa, o hatchback e a Touring Sports são fabricados no Reino Unido, enquanto a berlina é produzida na Turquia. As vendas acumuladas no continente aproximam-se dos 9,5 milhões de unidades.

Uma edição especial para assinalar seis décadas

Para celebrar o aniversário, a Toyota lançou uma edição especial do Corolla , disponível em números limitados. A proposta distingue-se sobretudo pelos detalhes visuais, sem alterar a fórmula híbrida que caracteriza a gama atual.

A carroçaria pode receber a pintura metálica Boreal Blue, combinada com tejadilho e pilares em preto. As jantes de liga leve de 17 polegadas têm um acabamento específico, complementado por apontamentos decorativos em prateado mate e elementos escurecidos. No interior, os detalhes comemorativos estendem-se às soleiras das portas e aos tapetes, que exibem a identificação dos 60 anos. A edição de aniversário utiliza exclusivamente o sistema híbrido de 1,8 litros, com 138 cv. A Toyota mantém, assim, o foco na utilização quotidiana e na eficiência, em vez de transformar a celebração numa versão de carácter desportivo.

O próximo capítulo poderá ser 100% elétrico

O aniversário não serve apenas para recordar o passado. A Toyota já mostrou uma antevisão do que poderá ser a próxima geração, através do Corolla Concept, apresentado no Japan Mobility Show de 2025.

O protótipo rompe com a imagem mais convencional do modelo atual. A carroçaria tem linhas angulares, um para-brisas bastante inclinado e uma abordagem ao espaço interior que procura combinar dimensões compactas com uma sensação de amplitude. O projeto foi orientado pelos conceitos «Max Vision» e «Max Space», que traduzem a intenção de criar um automóvel funcional, mas também com uma identidade visual mais marcante.

A proposta foi concebida para acomodar diferentes tipos de motorização, incluindo sistemas híbridos, motores de combustão e propulsão elétrica a bateria. Esta flexibilidade corresponde à estratégia da Toyota de adaptar as soluções de mobilidade aos diferentes mercados, que não avançam todos ao mesmo ritmo na eletrificação.

Entretanto, com base em informações do jornal japonês Nikkei Asia, estima-se que a produção da próxima geração do Corolla seja na China a partir de 2028, incluindo uma versão totalmente elétrica. A produção deverá ficar a cargo da FAW Toyota , uma das empresas conjuntas da marca japonesa no mercado chinês.

Esta informação deve, contudo, ser encarada com cautela. O Corolla Concept é uma apresentação oficial da Toyota , mas o calendário de produção e a futura versão elétrica são, de acordo com as fontes disponíveis, previsões avançadas pela imprensa, e não características de um modelo de produção já confirmadas pela marca. Não são ainda conhecidos os dados técnicos dessa eventual versão, nem existe confirmação da sua comercialização na Europa.

A hipótese tem, ainda assim, significado. Na geração europeia atual, o Corolla está associado exclusivamente à tecnologia híbrida. A entrada de uma versão 100% elétrica representaria uma mudança importante para um modelo que construiu a sua reputação através da evolução gradual e da adaptação às necessidades dos clientes.

O desafio de continuar a ser o Corolla

Mais de 57 milhões de unidades vendidas em 60 anos ajudam a explicar a dimensão do Corolla , mas não garantem o seu futuro. O mercado automóvel enfrenta novas exigências ambientais, uma concorrência cada vez mais intensa e uma transformação tecnológica que está a alterar as expectativas dos consumidores.

O modelo já atravessou crises petrolíferas, mudanças nas preferências dos compradores e várias revoluções técnicas. Passou de uma berlina compacta a uma família de automóveis, chegou à produção europeia e incorporou a tecnologia híbrida quando esta começou a ganhar espaço no mercado.

Agora, a possibilidade de uma versão totalmente elétrica abre uma nova etapa. Se vier a concretizar-se, o desafio será o mesmo que acompanhou o Corolla desde 1966: adaptar-se sem perder a razão que o tornou uma referência mundial. Seis décadas depois, a história continua em andamento.

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