COVID 1.6 GDi
O Hyundai Tucson foi apresentado na sua enésima edição e tivemos acesso à versão 1.6 a gasolina. Bom equipamento, bom comportamento, mas falta alma (leia-se motor) para puxar “a coisa”. A história do Tucson remonta a 2004, quando foi lançado para competir no mercado dos SUV. Hoje, três gerações volvidas e um “facelift” a acrescentar, o Hyundai Tucson continua a ser o cavalo de batalha da marca coreana, no segmento dos SUV´s compactos. A forma como o Tucson se instalou no mercado nacional é, de certa forma, semelhante à do novo Coronavirus. Chegou, veio pra ficar (como dizia uma marca de sucesso há muitos anos) e está a incomodar muitos no nosso país. Mas tal como o COVID 19, apesar de uma “simpática” disseminação, tem também alguns incómodos. Pelo menos a versão 1.6 a gasolina. A forma como o SUV coreano se instalou no nosso mercado é um bom exemplo: é fácil de “apanhar”. As linhas são consensualmente agradáveis, o equipamento é bom e o ambiente a bordo está alinhado com muito do que de bom há na concorrência. Bem, esta é a parte da “bela”, a parte do “senão” passa pelo motor 1.6 a gasolina, que testamos e que aliado à caixa manual de seis velocidades, mais uma vez nos remete para o COVID 19, ou seja quando tudo corre bem é um aborrecimento, se corre mal, aí é mesmo grave e o melhor era termos ficado em casa. No entanto, tal como o COVID 19, este aborrecimento só será mesmo um problema aí para uns dois ou três por cento da população…

Fotos: Paulo Braga
A mais recente versão do Tucson parte de uma nova plataforma. Mas são sobretudo as suas linhas fruto da inspiração de Raphaël Bretecher, que a marca coreana foi buscar à Volkswagen, que encantam, ou não a maioria. Normalmente esquivo-me a questões estéticas, mas concordo que possui proporções harmoniosas, uma frente agressiva, sublinhada pelos novos “vês” criados pela iluminação diurna led e uma traseira que transmite robustez, são alguns dos pontos fortes do Tucson . As opiniões recolhidas junto da família e amigos sublinham isto. Chegada a hora de nos sentarmos ao volante, não há dúvida que estamos perante um modelo cómodo, capaz de acomodar quatro adultos e bagagem – algo volumosa, acrescente-se – sem problemas de maior. Acrescento mesmo que o espaço de bagagem pode variar entre os 513 litros, com os bancos na posição normal, e os 1503 litros, com os bancos rebatido e aí já não cabem todos dos adultos… No tablier destaca-se o ecrã de oito polegadas, onde se concentra o “infotainement” com o GPS, conectividade, rádios, som, etc; logo abaixo o rádio e o controlo do ar-condicionado; entradas de USB; o Tucson possui também o Android Auto, que permite conectar o telemóvel com o automóvel e na consola central (entre os bancos), alem do comando da caixa manual de seis velocidades, temos ainda os botões para controlar o aquecimento dos bancos e um espaço de arrumação. No volante há os vários comandos para o som e telefones. Ao lado o botãozinho de “ligar e desligar” que é importante premir, para percebermos como tudo isto se comporta. Primeira coisa se o cinto de segurança não estiver apertado, desista da ideia de arrancar. O carro pura e simplesmente vai ficar bloqueado.
A versão ensaiada (Tucson 1.6 GDi Premium + Pack Pele + Pack Style MY19'5), está disponível por 32 000,00€.
Cinto apertado e é tempo de nos fazermos à estrada
O Tucson cumpre. O comportamento é neutro, a carroçaria não adorna, o carro “pisa” bem e é confortável, quer à frente quer atrás. Nos bancos traseiros o espaço é generoso, embora em auto-estrada, a partir dos cem comecem a aparecer alguns ruídos parasitas provocados pela aerodinâmica, talvez seja um problema só desta unidade, digo eu… Saímos da auto-estrada e aí é “que a porca torce o rabo”. O conjunto motor/caixa, sendo que neste caso estamos ao volante do 1.6 GDI, ou seja o motor de quatro cilindros e 1491 c.m.3 a gasolina que é combinado com uma caixa manual de seis velocidades e tração dianteira, fornece uma potência máxima de 97 kW ou 132 cv às 6300 rpm e um binário máximo de 16,4 kgm às 4850 rpm. Ora os valores até parecem bem, mas na prática qualquer subida um pouco mais inclinada, com dois adultos a bordo, é feita em segunda(!). É certo que as novas normas de emissões podem explicar em grande parte esta situação, mas quando numa estrada nacional, a subir, com quatro pessoas e bagagem (até se pode tirar a bagagem e uma ou duas pessoas, que é igual) se apanha um daqueles senhores velhinhos, de chapéu na cabeça, a disputar a travagem da próxima curva com um cágado, achamos que falta mesmo qualquer coisa, pois uma ultrapassagem pode colocar-nos ao nível um qualquer elemento de grupo de risco em plena pandemia de COVID19.
Falta só o preço e por uns 32 000,00€, o Tucson 1.6 GDi Premium + Pack Pele + Pack Style MY19'5, pode ser seu.





