Mercado de automóveis de coleção voltou a estagnar
Em 2025, o mercado de automóveis de coleção voltou a estagnar, com quedas de valor generalizadas, especialmente em clássicos britânicos, enquanto os clássicos modernos, como Hot Hatch e alguns modelos da era turbo, continuam a valorizar-se. Leilões de alto valor no Reino Unido enfrentam dificuldades, e as exportações para os EUA diminuíram, refletindo a incerteza pós-Brexit. Apesar disso, os carros mais raros e desejados mantêm procura, indicando que o mercado se ajustou a níveis realistas após anos de preços inflacionados.

Com sede em Traverse City, Michigan, a Hagerty tem como propósito preservar a condução e a cultura automóvel para as gerações futuras, e a sua missão é construir um negócio global que financie esse propósito. A Hagerty é uma marca para entusiastas do automóvel que oferece produtos e programas de adesão integrados, bem como seguros especializados focados no mercado global de apaixonados por automóveis.
A Hagerty é constituída por uma equipa de especialistas que fornece e acompanha os valores de 3000 modelos de automóveis clássicos e de coleção, sendo uma das fontes mais respeitadas do setor.
“Os tempos de auge do pós-Covid terminaram definitivamente, os compradores estão muito mais cautelosos com o seu dinheiro e, como consequência, quase 80% dos valores baixaram ou permaneceram estáticos. Dito isto, ao analisar um pouco mais a fundo, surgem alguns destaques, tanto em subida como em descida.” - John Mayhead, editor do Hagerty UK Price Guide.

O ponto alto da análise pertence aos clássicos modernos. O mercado mostra um crescimento no valor dos Hot Hatch, compostos sobretudo por compactos desportivos dos anos 80 e mais recentes, e também os automóveis da era dos turbos dos anos 80 e 90. Entre os exemplos de destaque em excelente estado encontram-se o Ford Escort RS Turbo Mk III de 1985-1986, que aumentou 23% em valor; o Renault 5 GT Turbo de 1986-1991, que subiu 7,5%, muito provavelmente devido ao entusiasmo gerado pelo novo Renault 5 elétrico; e o Volkswagen Golf GTi Mk1 1600 de 1975-1984, cujo valor cresceu 6%.

A Mercedes-Benz voltou a afirmar a sua dominância no topo do mercado de automóveis de coleção, destacando-se a venda de um W196R Stromlinienwagen (Streamliner) de 1954 pela RM Sotheby’s, na Alemanha, por cerca de 51,6 milhões de euros. Este tornou-se o segundo maior valor de sempre obtido em leilão público para um automóvel, apenas ultrapassado pela venda, em 2022, de outro W196R - o Uhlenhaut Coupé - que alcançou 131,5 milhões de euros.
Relativamente aos carros mais valiosos vendidos em 2025, a Ferrari representa mais de metade dos dez primeiros lugares, incluindo o título do carro novo mais valioso do ano: um Ferrari Daytona SP3 de 2025, leiloado pela RM Sotheby’s por 22,8 milhões de euros. Os EUA destacam-se como o principal mercado comprador. Merece ainda referência a venda tardia de um McLaren F1 com kit de elevada downforce, vendido em Abu Dhabi, em dezembro, por 21,8 milhões de euros (não incluído na lista).

“Os carros mais antigos, especialmente os clássicos britânicos, têm vindo a desvalorizar, enquanto alguns clássicos modernos continuam a aumentar de preço à medida que a procura cresce”, afirma Mayhead
Voltando as atenções para a terra de Sua Majestade, note-se que os leilões britânicos de maior valor enfrentam dificuldades e registaram o total mais baixo desde 2016. É possível que a contínua complexidade dos requisitos de exportação pós-Brexit, aliada a uma possível diminuição da confiança no mercado, tenha deslocado as grandes vendas para fora do país.
Entre os 3000 modelos do Hagerty Price Guide, as marcas britânicas ocupam nove dos dez lugares na lista dos modelos que mais caíram, sendo a Bizzarrini a única marca não britânica. A Jaguar é a marca que registou a maior queda este ano, menos 21,4%, em parte devido a uma redução significativa no valor médio do XKSS após uma unidade não ter sido vendida no leilão da RM Sotheby’s em Londres, em novembro de 2024. O movimento de mercado subsequente a essa rara tentativa de venda pública levou a uma reavaliação generalizada dos valores do XKSS, incluindo valores segurados. Apesar da bem-sucedida venda de 5,56 milhões de euros de um estimado Jaguar D-Type de 1956 pela Broad Arrow, os valores dos C-Type e D-Type também diminuíram em 2025.

O Shelby Cobra Daytona Coupé registou o maior aumento de valor de qualquer automóvel, impulsionado por várias vendas significativas de Cobras em Kissimmee e Monterey durante 2025, e pela subsequente atualização dos valores segurados.
Outro dado interessante de 2025 mostra que o número de automóveis mais antigos enviados do Reino Unido para os EUA caiu para o nível mais baixo em seis anos, diminuindo 14% face a 2024. Das 15 marcas tipicamente exportadas para os EUA, apenas Porsche e Honda registaram crescimento. A Land Rover manteve-se como o automóvel mais exportado do Reino Unido para os EUA, representando 24,8% do total, seguida da Porsche com 6,7% e da Toyota com 5,4%. A incerteza quanto às regulamentações alfandegárias poderá ter afetado os números de exportação este ano.
A boa notícia é que a tendência descendente dos valores dos automóveis de coleção em 2025 não é sinal de declínio do mercado. Mayhead está confiante de que reflete um regresso a níveis normais após vários anos de preços inflacionados: “Os melhores carros continuam a ter procura, praticamente em todos os níveis de preço, mas a incerteza na política nacional e internacional parece ter influenciado as vendas e as exportações (…) Mas não houve um colapso: os preços insustentáveis do pós-Covid voltaram agora a níveis realistas, e isso pode ser visto como algo positivo para o hobby, pois poderá permitir que uma gama mais ampla de automóveis se torne acessível a um preço mais baixo.”





