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Ciclo WLTP e os carros elétricos: Realidade ou Ficção?

No Guia do Automóvel, vai ser cada vez mais comum leres valores de consumos em KWh/100 ou Wh/Km, valores de autonomia em WLTP, autonomia em cidade ou em condições reais, bem como capacidade total e capacidade útil da bateria. O que é mais relevante e como navegar no meio desta confusão?

Nuno Poço
Nuno Poço
Ciclo WLTP e os carros elétricos: Realidade ou Ficção?

Principalmente para quem se inicia nos elétricos, as novas medidas podem gerar confusão, mesmo nos aspectos mais simples. Saber o que é um consumo elevado ou um consumo baixo num elétrico ou se os valores apresentados pelas marcas, para autonomia, quase sempre acompanhados pela referência WLTP, são uma referência válida para uma condução real ou não. O nosso objectivo é rever os conceitos mais importantes e simplificar. No final, se tudo correr bem, vão ver que tudo é mais simples do que parece.

Consumos num elétrico e num carro a gasolina

Em primeiro lugar fica a saber que é tudo igual aos carros a combustão. Estás a ver quando fazes uma viagem a Zanzibar e de repente estás a pagar 100.000 Xelins por uma refeição? Ora, a primeira sensação é de algum stress e de conversões para euros, mas quando as férias terminam, sabemos definir o que é caro ou barato e a conversão é quase imediata. Com os carros elétricos é igual, é tudo uma questão de medidas.

Num carro a combustão medimos os consumos em litros por 100 Kms, ou seja, quantos litros de combustível precisamos para fazer 100 Kms? Imediatamente sabemos que 5 é pouco e que 15 é muito porque estamos habituados a ir à bomba e sabemos o preço do litro.

O consumo num elétrico mede-se em em Wh ou então em KWh, como em casa. Em casa, pagamos cerca de 16 cêntimos por cada KWh de energia consumida. Ou seja, se um carro elétrico consome 16 Kwh/100 kms, isso significa que nos custa 2,56 €, o equivalente a 1,5 litros de gasolina, uma poupança considerável por comparação a um carro que gaste 6 litros de gasolina e que nos ‘leva’ cerca de 10€ de combustível por cada 100 Kms.

Como referência, um consumo de 16-17 KWh por cada 100 Kms é bom. Em auto-estrada, onde os elétricos são menos eficientes, os consumos podem chegar aos 28-30 KWh ou até ultrapassar se não optarmos por uma condução conservadora.

Capacidade da bateria e capacidade útil da bateria. Qual o valor relevante?

Todas as baterias dos carros elétricos têm uma capacidade total e, adicionalmente, uma capacidade útil, que normalmente se situa entre os 95% e os 99% da capacidade total da bateria. Ambas se medem em KWh. O que se passa, é que os elétricos têm um software que tenta preservar a ‘saúde’ das baterias e previne que as mesmas sejam carregadas a 100%. Assim, aquela diferença funciona como uma espécie de margem de segurança. Ainda que no dashboard do carro, possa indicar bateria carregada a 100%, de facto, não é assim.

Energia consumida na bateria Vs Energia consumida no carregamento.

Outra coisa que é importante saber é que há diferenças entre a energia consumida pela bateria durante a utilização do carro e a energia necessária para repor a carga da bateria durante o carregamento. Essa diferença existe porque existem perdas durante o carregamento na rede. Para terem uma ideia, as perdas vão equivaler a cerca de 10% do montante necessário para carregar. Por exemplo, se vão precisar de carregar 40 Kwh para andarem durante a semana, então a energia consumida na rede pode rondar os 44 Kwh.

Quando, por exemplo, vemos um valor referente a um consumo WLTP, para um carro elétrico, essa referência é para a energia consumida durante o carregamento, ou seja, esse valor de consumo reflete as perdas que ocorrem, porque no fundo o utilizador vai pagar essa energia. Por outro lado, o consumo que vemos no dashboard do carro não leva em consideração as perdas durante o carregamento, por isso não corresponde ao que é medido ‘em WLTP’.

Umas das coisas que temos que nos habituar é a não usarmos o carro como usamos o telemóvel. Habituamos-nos a carregar o telemóvel todos os dias até aos 100%, mas não atestamos o depósito do carro todos os dias. Com os elétricos é igual, não precisamos de o ter 100% carregado todos os dias de manhã, só para dar uso à Wallbox que temos em casa.

Galp
Galp
O consumo marcado no dashboard do carro e o consumos WLTP referem-se a coisas diferentes.
Ciclo WLTP e os carros elétricos: Realidade ou Ficção?

O que é o procedimento WLTP?

O que é o consumo WLTP? É o consumo real do carro? E porque é que algumas marcas apresentam consumo em cidade?

WLTP é um acrónimo para Worldwide Harmonised Light-Vehicle Test Procedure. Trata-se de um procedimento standard para testes e visa calcular a autonomia de um carro elétrico. O consumo que decorre do procedimento WLTP não corresponde ao consumo real. Então porque se utiliza?

O WLTP, por ser standard, garante-nos que todos os carros fazem o mesmo teste, à mesma velocidade e com os mesmos tempos de paragem. Dessa forma, todos os carros são comparáveis entre si.

Claro que o que pretendemos saber é quanto gasta um carro em condições reais. Mas o que são condições reais de condução?

Ninguém sai de casa à mesma hora, apanha o mesmo congestionamento de trânsito, pára nos mesmos vermelhos, percorre a mesma rota, à mesma temperatura ambiente e ninguém tem o mesmo estilo de condução ou está com o mesmo estado de espírito, todos os dias. Todos estes fatores fazem parte do mundo real e não podem ser replicados com exatidão.

No momento da compra, ou da decisão de compra, faz sentido haver um método que nos permita fazer comparações entre carros e dizer, este consome mais do que aquele. Esse método é o WLTP.

O teste WLTP é composto por vários segmentos. Durante o teste WLTP, o veículo elétrico é primeiro sujeito a um descarregamento completo da bateria, seguido de um carregamento completo. Depois, existem 4 segmentos, dos quais, o primeiro e o terceiros são 2 segmentos dinâmicos ( os chamados ciclos WLTP), com acelerações e desacelerações, enquanto que o segundo e o quarto segmentos, são 2 segmentos em que os veículos são conduzidos a uma velocidade constante de 100Km/h. Estes dois permitem um descarregamento mais rápido da bateria e o teste termina quando o carro não tem energia suficiente para manter a velocidade de 100Km/h.

O procedimento WLTP tem por base o ciclo WLTP, que é um ‘percurso’ de cerca de 30 minutos que o carro ‘percorre’ a uma temperatura ambiente de 23º, por isso, ideal para os elétricos. Estes ciclos, que como vimos, são os segmentos dinâmicos (segmento 1 e 3) do procedimento são os únicos segmentos que são relevantes para calcular o consumo de energia e, por conseguinte, a autonomia.

Esse ciclo WLTP divide-se em quatro subciclos ou fases, com velocidades e tempos diferentes, mas cuja média é de 46,5 Km/h.

As primeiras duas fases, denominadas ‘Low’ e ‘Medium’, pretendem simular a condução em cidade. Por uma questão de curiosidade, são estas as duas fases que estão na base do valor de autonomia WLTP dos PHEV.
Por outro lado, as fases ‘High’ e ‘Extra-high’, pretendem simular condução em estrada e auto-estrada.

Para terem uma ideia, a fase ‘Low’ do teste WLTP, por exemplo, dura quase 10 minutos e o carro atinge uma velocidade máxima de 56 Km/h, mas fica imóvel’ durante 56% do tempo para simular o tempo de paragem e o para-arranca nos semáforos.

Por outro lado, durante a fase ‘Extra-high’, que dura mais de 5 minutos, o carro desloca-se a uma média de 94 km/h e atinge uma velocidade máxima de 131 Km/h.

Como dissemos acima, a média do total das 4 fases do ciclo dá 46,5 Km/h. Como se sabe, a velocidade é o fator crítico para o consumo de um elétrico. Dessa forma, é fácil de compreender que, para quem faz muita auto-estrada, a uma média muito superior a 46,5 Km/h, o consumo real vai ser muito diferente do que o que é apresentado em WLTP.

Autonomia ‘em cidade’ e Autonomia combinada WLTP. O que significam?

Algumas marcas, não muitas, apresentam a autonomia do carro em ‘cidade’. Esta autonomia só é útil para os condutores que fazem cidade, mas não para os restantes, uma vez que as diferenças de velocidade têm um impacto muito grande.

Neste caso, a marca está a utilizar os dados de consumo de energia na bateria durante as fases ‘Low’ e ‘Medium’ do ciclo. Apenas essas fases são usadas neste cálculo. Depois divide-se a capacidade útil da bateria, em Wh, pelo valor do consumo médio nas fases, em Wh também, e obtemos a autonomia do carro em cidade.

Por outro lado, para o cálculo da autonomia WLTP combinada, usa-se a média ponderada de consumo de energia na bateria que ocorre durante a totalidade (não apenas durante a fase ‘Low’ e ‘Medium’) dos dois ciclos WLTP que são percorridos durante o teste WLTP, ou seja, são usadas todas as fases, inclusivamente a fase ‘High’ e ‘Extra-high’. Relembramos que esses ciclos equivalem aos segmentos dinâmicos de que falamos acima.

Porque é que quando usamos o consumo WLTP, não bate certo com a autonomia WLTP?

Como vimos antes, calculamos a autonomia WLTP, dividindo a capacidade útil da bateria pelo consumo registado na bateria. Por exemplo, um carro, com uma bateria útil com capacidade de 51.000Wh (51KWh), que tenha uma média registada de 170Wh/Km nos 2 ciclos WLTP (equivalente a 17KWh/100 Kms), tem uma autonomia combinada WLTP de 51000/170 = 300 Kms.

No entanto, para calcularmos o consumo WLTP usamos a energia consumida no carregamento, a qual conta com perdas de cerca de 10%. Assim, o consumo WLTP registado seria de 56100/300= 187 Wh. Por isso, é que usar este consumo WLTP para calcular a autonomia, há uma inconsistência.

Por último, o que é autonomia WLTP (TEL) e WLTP (TEH)?

Nas nossas reviews do Guia do Automóvel, nós usamos algumas vezes a designação WLTP (TEL) ou WLTP (TEH), normalmente a primeira.

Neste caso, TEL significa ‘Test Energy Low’ e TEH significa ‘Test Energy High’. Nem todos os modelos têm estes valores disponíveis de consumo e autonomia, mas quando estão disponíveis nós vamos usá-los nas reviews do Guia.

O que significam estes valores? Não devem ser confundidos com as fases (subciclos) do ciclo WLTP, não tem nada a ver com isso.

O WLTP (TEL) para um determinado modelo, refere-se à versão com o nível de equipamento que tem o menor consumo de energia, enquanto que o WLTP (TEH), para o mesmo modelo, tem em conta a versão com a configuração que consome mais energia. Isto acontece porque determinados extras vão acrescentar peso ao conjunto, o que faz com que o carro consuma mais. Por exemplo, um determinado modelo equipado com jantes de 22” vai consumir mais do que o mesmo carro equipado com jantes de 20”. No fundo, qualquer equipamento que afecte o peso, ou a resistência aerodinâmica ou de rolamento vai ter impacto no consumo de energia.

Voltamos à autonomia real. O que é a autonomia real?

A Autonomia real de um elétrico, obviamente, não vai corresponder à autonomia WLTP. Como começamos por dizer, o mérito do teste WLTP é a comparabilidade.

Se na utilização que vamos fazer do nosso elétrico, vamos usar muita auto-estrada, se vamos ligar o ar condicionado ou se vamos usar o carro com uma temperatura ambiente muito diferente dos 23º, então a autonomia WLTP vai ser muito diferente.

Todas as autonomias reais de que ouvimos falar são estimativas também, uma vez que não há aqui testes standard.

Pode ser útil, termos acesso ao feedback de utilizadores em situações reais de condução, claro que sim, mas há que ter em conta todas as diferenças de que falamos no início.

Artigos relacionados: Os carros elétricos com mais autonomia

Ciclo WLTP e os carros elétricos: Realidade ou Ficção?

No Guia do Automóvel, vai ser cada vez mais comum leres valores de consumos em KWh/100 ou Wh/Km, valores de autonomia em WLTP, autonomia em cidade ou em condições reais, bem como capacidade total e capacidade útil da bateria. O que é mais relevante e como navegar no meio desta confusão?

Nuno Poço
Nuno Poço
Ciclo WLTP e os carros elétricos: Realidade ou Ficção?

Principalmente para quem se inicia nos elétricos, as novas medidas podem gerar confusão, mesmo nos aspectos mais simples. Saber o que é um consumo elevado ou um consumo baixo num elétrico ou se os valores apresentados pelas marcas, para autonomia, quase sempre acompanhados pela referência WLTP, são uma referência válida para uma condução real ou não. O nosso objectivo é rever os conceitos mais importantes e simplificar. No final, se tudo correr bem, vão ver que tudo é mais simples do que parece.

Consumos num elétrico e num carro a gasolina

Em primeiro lugar fica a saber que é tudo igual aos carros a combustão. Estás a ver quando fazes uma viagem a Zanzibar e de repente estás a pagar 100.000 Xelins por uma refeição? Ora, a primeira sensação é de algum stress e de conversões para euros, mas quando as férias terminam, sabemos definir o que é caro ou barato e a conversão é quase imediata. Com os carros elétricos é igual, é tudo uma questão de medidas.

Num carro a combustão medimos os consumos em litros por 100 Kms, ou seja, quantos litros de combustível precisamos para fazer 100 Kms? Imediatamente sabemos que 5 é pouco e que 15 é muito porque estamos habituados a ir à bomba e sabemos o preço do litro.

O consumo num elétrico mede-se em em Wh ou então em KWh, como em casa. Em casa, pagamos cerca de 16 cêntimos por cada KWh de energia consumida. Ou seja, se um carro elétrico consome 16 Kwh/100 kms, isso significa que nos custa 2,56 €, o equivalente a 1,5 litros de gasolina, uma poupança considerável por comparação a um carro que gaste 6 litros de gasolina e que nos ‘leva’ cerca de 10€ de combustível por cada 100 Kms.

Como referência, um consumo de 16-17 KWh por cada 100 Kms é bom. Em auto-estrada, onde os elétricos são menos eficientes, os consumos podem chegar aos 28-30 KWh ou até ultrapassar se não optarmos por uma condução conservadora.

Capacidade da bateria e capacidade útil da bateria. Qual o valor relevante?

Todas as baterias dos carros elétricos têm uma capacidade total e, adicionalmente, uma capacidade útil, que normalmente se situa entre os 95% e os 99% da capacidade total da bateria. Ambas se medem em KWh. O que se passa, é que os elétricos têm um software que tenta preservar a ‘saúde’ das baterias e previne que as mesmas sejam carregadas a 100%. Assim, aquela diferença funciona como uma espécie de margem de segurança. Ainda que no dashboard do carro, possa indicar bateria carregada a 100%, de facto, não é assim.

Energia consumida na bateria Vs Energia consumida no carregamento.

Outra coisa que é importante saber é que há diferenças entre a energia consumida pela bateria durante a utilização do carro e a energia necessária para repor a carga da bateria durante o carregamento. Essa diferença existe porque existem perdas durante o carregamento na rede. Para terem uma ideia, as perdas vão equivaler a cerca de 10% do montante necessário para carregar. Por exemplo, se vão precisar de carregar 40 Kwh para andarem durante a semana, então a energia consumida na rede pode rondar os 44 Kwh.

Quando, por exemplo, vemos um valor referente a um consumo WLTP, para um carro elétrico, essa referência é para a energia consumida durante o carregamento, ou seja, esse valor de consumo reflete as perdas que ocorrem, porque no fundo o utilizador vai pagar essa energia. Por outro lado, o consumo que vemos no dashboard do carro não leva em consideração as perdas durante o carregamento, por isso não corresponde ao que é medido ‘em WLTP’.

Umas das coisas que temos que nos habituar é a não usarmos o carro como usamos o telemóvel. Habituamos-nos a carregar o telemóvel todos os dias até aos 100%, mas não atestamos o depósito do carro todos os dias. Com os elétricos é igual, não precisamos de o ter 100% carregado todos os dias de manhã, só para dar uso à Wallbox que temos em casa.

Xpeng G9
Xpeng G9
O consumo marcado no dashboard do carro e o consumos WLTP referem-se a coisas diferentes.
Ciclo WLTP e os carros elétricos: Realidade ou Ficção?

O que é o procedimento WLTP?

O que é o consumo WLTP? É o consumo real do carro? E porque é que algumas marcas apresentam consumo em cidade?

WLTP é um acrónimo para Worldwide Harmonised Light-Vehicle Test Procedure. Trata-se de um procedimento standard para testes e visa calcular a autonomia de um carro elétrico. O consumo que decorre do procedimento WLTP não corresponde ao consumo real. Então porque se utiliza?

O WLTP, por ser standard, garante-nos que todos os carros fazem o mesmo teste, à mesma velocidade e com os mesmos tempos de paragem. Dessa forma, todos os carros são comparáveis entre si.

Claro que o que pretendemos saber é quanto gasta um carro em condições reais. Mas o que são condições reais de condução?

Ninguém sai de casa à mesma hora, apanha o mesmo congestionamento de trânsito, pára nos mesmos vermelhos, percorre a mesma rota, à mesma temperatura ambiente e ninguém tem o mesmo estilo de condução ou está com o mesmo estado de espírito, todos os dias. Todos estes fatores fazem parte do mundo real e não podem ser replicados com exatidão.

No momento da compra, ou da decisão de compra, faz sentido haver um método que nos permita fazer comparações entre carros e dizer, este consome mais do que aquele. Esse método é o WLTP.

O teste WLTP é composto por vários segmentos. Durante o teste WLTP, o veículo elétrico é primeiro sujeito a um descarregamento completo da bateria, seguido de um carregamento completo. Depois, existem 4 segmentos, dos quais, o primeiro e o terceiros são 2 segmentos dinâmicos ( os chamados ciclos WLTP), com acelerações e desacelerações, enquanto que o segundo e o quarto segmentos, são 2 segmentos em que os veículos são conduzidos a uma velocidade constante de 100Km/h. Estes dois permitem um descarregamento mais rápido da bateria e o teste termina quando o carro não tem energia suficiente para manter a velocidade de 100Km/h.

O procedimento WLTP tem por base o ciclo WLTP, que é um ‘percurso’ de cerca de 30 minutos que o carro ‘percorre’ a uma temperatura ambiente de 23º, por isso, ideal para os elétricos. Estes ciclos, que como vimos, são os segmentos dinâmicos (segmento 1 e 3) do procedimento são os únicos segmentos que são relevantes para calcular o consumo de energia e, por conseguinte, a autonomia.

Esse ciclo WLTP divide-se em quatro subciclos ou fases, com velocidades e tempos diferentes, mas cuja média é de 46,5 Km/h.

As primeiras duas fases, denominadas ‘Low’ e ‘Medium’, pretendem simular a condução em cidade. Por uma questão de curiosidade, são estas as duas fases que estão na base do valor de autonomia WLTP dos PHEV.
Por outro lado, as fases ‘High’ e ‘Extra-high’, pretendem simular condução em estrada e auto-estrada.

Para terem uma ideia, a fase ‘Low’ do teste WLTP, por exemplo, dura quase 10 minutos e o carro atinge uma velocidade máxima de 56 Km/h, mas fica imóvel’ durante 56% do tempo para simular o tempo de paragem e o para-arranca nos semáforos.

Por outro lado, durante a fase ‘Extra-high’, que dura mais de 5 minutos, o carro desloca-se a uma média de 94 km/h e atinge uma velocidade máxima de 131 Km/h.

Como dissemos acima, a média do total das 4 fases do ciclo dá 46,5 Km/h. Como se sabe, a velocidade é o fator crítico para o consumo de um elétrico. Dessa forma, é fácil de compreender que, para quem faz muita auto-estrada, a uma média muito superior a 46,5 Km/h, o consumo real vai ser muito diferente do que o que é apresentado em WLTP.

Autonomia ‘em cidade’ e Autonomia combinada WLTP. O que significam?

Algumas marcas, não muitas, apresentam a autonomia do carro em ‘cidade’. Esta autonomia só é útil para os condutores que fazem cidade, mas não para os restantes, uma vez que as diferenças de velocidade têm um impacto muito grande.

Neste caso, a marca está a utilizar os dados de consumo de energia na bateria durante as fases ‘Low’ e ‘Medium’ do ciclo. Apenas essas fases são usadas neste cálculo. Depois divide-se a capacidade útil da bateria, em Wh, pelo valor do consumo médio nas fases, em Wh também, e obtemos a autonomia do carro em cidade.

Por outro lado, para o cálculo da autonomia WLTP combinada, usa-se a média ponderada de consumo de energia na bateria que ocorre durante a totalidade (não apenas durante a fase ‘Low’ e ‘Medium’) dos dois ciclos WLTP que são percorridos durante o teste WLTP, ou seja, são usadas todas as fases, inclusivamente a fase ‘High’ e ‘Extra-high’. Relembramos que esses ciclos equivalem aos segmentos dinâmicos de que falamos acima.

Porque é que quando usamos o consumo WLTP, não bate certo com a autonomia WLTP?

Como vimos antes, calculamos a autonomia WLTP, dividindo a capacidade útil da bateria pelo consumo registado na bateria. Por exemplo, um carro, com uma bateria útil com capacidade de 51.000Wh (51KWh), que tenha uma média registada de 170Wh/Km nos 2 ciclos WLTP (equivalente a 17KWh/100 Kms), tem uma autonomia combinada WLTP de 51000/170 = 300 Kms.

No entanto, para calcularmos o consumo WLTP usamos a energia consumida no carregamento, a qual conta com perdas de cerca de 10%. Assim, o consumo WLTP registado seria de 56100/300= 187 Wh. Por isso, é que usar este consumo WLTP para calcular a autonomia, há uma inconsistência.

Por último, o que é autonomia WLTP (TEL) e WLTP (TEH)?

Nas nossas reviews do Guia do Automóvel, nós usamos algumas vezes a designação WLTP (TEL) ou WLTP (TEH), normalmente a primeira.

Neste caso, TEL significa ‘Test Energy Low’ e TEH significa ‘Test Energy High’. Nem todos os modelos têm estes valores disponíveis de consumo e autonomia, mas quando estão disponíveis nós vamos usá-los nas reviews do Guia.

O que significam estes valores? Não devem ser confundidos com as fases (subciclos) do ciclo WLTP, não tem nada a ver com isso.

O WLTP (TEL) para um determinado modelo, refere-se à versão com o nível de equipamento que tem o menor consumo de energia, enquanto que o WLTP (TEH), para o mesmo modelo, tem em conta a versão com a configuração que consome mais energia. Isto acontece porque determinados extras vão acrescentar peso ao conjunto, o que faz com que o carro consuma mais. Por exemplo, um determinado modelo equipado com jantes de 22” vai consumir mais do que o mesmo carro equipado com jantes de 20”. No fundo, qualquer equipamento que afecte o peso, ou a resistência aerodinâmica ou de rolamento vai ter impacto no consumo de energia.

Voltamos à autonomia real. O que é a autonomia real?

A Autonomia real de um elétrico, obviamente, não vai corresponder à autonomia WLTP. Como começamos por dizer, o mérito do teste WLTP é a comparabilidade.

Se na utilização que vamos fazer do nosso elétrico, vamos usar muita auto-estrada, se vamos ligar o ar condicionado ou se vamos usar o carro com uma temperatura ambiente muito diferente dos 23º, então a autonomia WLTP vai ser muito diferente.

Todas as autonomias reais de que ouvimos falar são estimativas também, uma vez que não há aqui testes standard.

Pode ser útil, termos acesso ao feedback de utilizadores em situações reais de condução, claro que sim, mas há que ter em conta todas as diferenças de que falamos no início.

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