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Vai tu a pé. Eu preciso MESMO do carro (e de gasolina barata)

O aumento dos combustíveis está a mexer com todos os sistemas nervosos e com todas as carteiras. "Vai de transportes públicos ou vai a pé", dizem eles. Vai tu a pé! Esta é uma crónica de quem não pode ir a pé.

Catarina Resende
Catarina Resende
Vai tu a pé. Eu preciso MESMO do carro (e de gasolina barata)

Na minha (ainda) pequena experiência de vida, recordo-me de ver os preços dos combustíveis inferiores a 1€. Tempos que ainda não me tinha sequer que preocupar com isso. Porém, à medida que fui crescendo, o preço dos combustíveis parece acompanhar. Mas calma... há limites.

São já 15 semanas consecutivas a ver os preços dos combustíveis aumentarem e aumentarem. Mais de 2€ por um litro de gasolina. Graças a Deus que não preciso do carro todos os dias (viva o teletrabalho!), mas os meus pais, por exemplo, não têm essa sorte. Todos os dias precisam deslocar-se para os seus trabalhos, de carro. E como eles, tantos outros cujo ordenado daqui a mais não chega para despesas básicas.

E é muito fácil dizer: "Olha, vai a pé ou então apanha um autocarro". Bom dia senhores políticos e donos da razão! Trago-vos uma grande novidade: Não moramos todos em Lisboa. Não, não tenho metro à porta de casa e nem sequer num raio de 10 ou mais quilómetros.

Percorrer uma distância de 23 km entre minha casa e o escritório de transportes públicos implicaria:

  • 2.2 km a pé até ao famoso comboio Vouguinha;

  • uma viagem de 30 minutos;

  • 1 km de caminhada até outra Estação;

  • mais uma viagem de 40 minutos;

  • 21 minutos de autocarro e quase outro quilómetro até chegar.

São só quase 3 horas para chegar ao trabalho ou então posso ir a pé e aí são apenas 5 horas e 47 minutos. Vá lá, é tudo uma questão de hábito.

Não, não é.

Uma família que necessite de se deslocar para o trabalho todos os dias, sem hipótese de recorrer a transportes públicos leva um grande impacto nas suas economias. Porque sim, surpresa das surpresas, existem localidades em Portugal onde não existe uma rede de transportes públicos. Ah, e falo de cidades também. A nossa rica cidade de Viseu, por exemplo, não tem ligações de comboio.

Confesso que até tenho feito um esforço para alterar hábitos. Até comprei uma trotinete elétrica vejam bem! Estou toda em modo poupança e amiga do ambiente. Ups. Está a chover... Ah, quase não tenho ciclovias na minha cidade. Mas eu vou pela estrada mesmo... Com sorte nem sou atropelada!

Mas deixa-te de desculpas... É tudo uma questão de hábito!

Não, não é.

Atenção, eu sou 100% a favor de uma cidade limpa, sem emissões poluentes, onde os elétricos circulam lado a lado com trotinetes e bicicletas. Mas ainda não estamos prontos para isso... O dinheiro que poderia estar a poupar para trocar o meu 500 por um elétrico estou a gastá-lo em combustíveis.

Tenho perfeita consciência ambiental mas também tenho consciência de que tem que existir um grande esforço das cidades por se tornarem eco friendly, um esforço do governo, um esforço de todos. Agora, não me peçam para vos dar uma fonte água quando eu estou no deserto.

Agora iludam-me e digam que o preço vai baixar. Não fazam isso... Eu tenho sentimentos. Não brinquem com eles. Eu sou inocente e, por isso, acredito. Mas logo na semana seguinte levam-me a esperar em filas intermináveis em postos de abastecimento. Isso não se faz.

Ah, e não me digam para ir a pé.

Vai tu a pé.

Eu preciso MESMO do carro (e de gasolina barata)

Vai tu a pé. Eu preciso MESMO do carro (e de gasolina barata)

O aumento dos combustíveis está a mexer com todos os sistemas nervosos e com todas as carteiras. "Vai de transportes públicos ou vai a pé", dizem eles. Vai tu a pé! Esta é uma crónica de quem não pode ir a pé.

Catarina Resende
Catarina Resende
Vai tu a pé. Eu preciso MESMO do carro (e de gasolina barata)

Na minha (ainda) pequena experiência de vida, recordo-me de ver os preços dos combustíveis inferiores a 1€. Tempos que ainda não me tinha sequer que preocupar com isso. Porém, à medida que fui crescendo, o preço dos combustíveis parece acompanhar. Mas calma... há limites.

São já 15 semanas consecutivas a ver os preços dos combustíveis aumentarem e aumentarem. Mais de 2€ por um litro de gasolina. Graças a Deus que não preciso do carro todos os dias (viva o teletrabalho!), mas os meus pais, por exemplo, não têm essa sorte. Todos os dias precisam deslocar-se para os seus trabalhos, de carro. E como eles, tantos outros cujo ordenado daqui a mais não chega para despesas básicas.

E é muito fácil dizer: "Olha, vai a pé ou então apanha um autocarro". Bom dia senhores políticos e donos da razão! Trago-vos uma grande novidade: Não moramos todos em Lisboa. Não, não tenho metro à porta de casa e nem sequer num raio de 10 ou mais quilómetros.

Percorrer uma distância de 23 km entre minha casa e o escritório de transportes públicos implicaria:

  • 2.2 km a pé até ao famoso comboio Vouguinha;

  • uma viagem de 30 minutos;

  • 1 km de caminhada até outra Estação;

  • mais uma viagem de 40 minutos;

  • 21 minutos de autocarro e quase outro quilómetro até chegar.

São só quase 3 horas para chegar ao trabalho ou então posso ir a pé e aí são apenas 5 horas e 47 minutos. Vá lá, é tudo uma questão de hábito.

Não, não é.

Uma família que necessite de se deslocar para o trabalho todos os dias, sem hipótese de recorrer a transportes públicos leva um grande impacto nas suas economias. Porque sim, surpresa das surpresas, existem localidades em Portugal onde não existe uma rede de transportes públicos. Ah, e falo de cidades também. A nossa rica cidade de Viseu, por exemplo, não tem ligações de comboio.

Galp
Galp
O preço dos combustíveis está a aumentar há 15 semanas consecutivas. 15!

Confesso que até tenho feito um esforço para alterar hábitos. Até comprei uma trotinete elétrica vejam bem! Estou toda em modo poupança e amiga do ambiente. Ups. Está a chover... Ah, quase não tenho ciclovias na minha cidade. Mas eu vou pela estrada mesmo... Com sorte nem sou atropelada!

Mas deixa-te de desculpas... É tudo uma questão de hábito!

Não, não é.

Atenção, eu sou 100% a favor de uma cidade limpa, sem emissões poluentes, onde os elétricos circulam lado a lado com trotinetes e bicicletas. Mas ainda não estamos prontos para isso... O dinheiro que poderia estar a poupar para trocar o meu 500 por um elétrico estou a gastá-lo em combustíveis.

Tenho perfeita consciência ambiental mas também tenho consciência de que tem que existir um grande esforço das cidades por se tornarem eco friendly, um esforço do governo, um esforço de todos. Agora, não me peçam para vos dar uma fonte água quando eu estou no deserto.

Agora iludam-me e digam que o preço vai baixar. Não fazam isso... Eu tenho sentimentos. Não brinquem com eles. Eu sou inocente e, por isso, acredito. Mas logo na semana seguinte levam-me a esperar em filas intermináveis em postos de abastecimento. Isso não se faz.

Ah, e não me digam para ir a pé.

Vai tu a pé.

Eu preciso MESMO do carro (e de gasolina barata)