Mãos só no volante? A Toyota promete acabar com o tédio dos veículos elétricos
A Toyota submeteu uma patente para um carro elétrico com uma caixa manual e um pedal de embraiagem. A ideia é tornar a condução mais envolvente por parte do condutor e mais entusiasta.

Os carros elétricos estão na moda, mas ao mesmo tempo estão sujeitos a muitas críticas por parte de grupos de apaixonados por automóveis. Parte das críticas estão relacionadas com a pegada ecológia dos carros elétricos, mas também há quem apresente queixas a respeito dos silenciosos motores elétricos e da inexistência de caixas manuais, argumentando que, dessa forma, não é possível usufruir-se de um carro elétrico com o mesmo entusiasmo do que um carro com motor de combustão interna.
Quão diferente é conduzir um carro elétrico comparado com um carro de combustão interna?
É muito diferente. A principal diferença decorre do facto de um carro elétrico não ter uma caixa de velocidades, operando apenas com uma ‘mudança’, uma relação de transmissão.
Um carro com motor de combustão interna, seja a gasóleo ou a gasolina, apresenta uma curva de potência e binário de acordo com diferenças nas rotações por minuto e precisam de uma caixa de velocidades com várias relações de transmissão, relações essas que fazem variar a relação entre a rotação do motor e a rotação do eixo motriz, por forma a transferir a potência para as rodas. Assim, enquanto que num motor de combustão, o binário é tanto maior quanto maior a rotação do motor em relação ao eixo, um motor elétrico, sem combustão, oferece logo o máximo binário a partir de ‘0’ rotações por minuto. Além disso, os motores elétricos têm uma gama de rotações muito mais abrangente do que os motores tradicionais. Ou seja, com o torque todo disponível ao longo da gama de rotações, a verdade é que os carros elétricos não precisam de uma caixa de velocidades.
Atualmente, a maior parte dos carros tem uma caixa de uma única velocidade com excepção do Porsche Taycan e do Audi e-tron que têm 1 caixa com 2 velocidades. Isto acontece porque normalmente um carro elétrico privilegia a aceleração sacrificando a velocidade máxima e, no caso do Porsche e do Audi , não existe esse sacrifício.
Num carro elétrico, tudo o que o condutor tem que fazer é selecionar o ‘D’ para andar para a frente ou o ‘R’ para andar para trás.
Assim, num carro elétrico, tudo o que o condutor tem que fazer é selecionar o ‘D’ para andar para a frente ou o ‘R’ para andar para trás. Apesar da designação ser a mesma e de muitas pessoas pensarem que este funcionamento é semelhante ao de uma caixa automática num carro de combustão interna, isso não é verdade. Os carros de caixa automática tem múltiplas velocidades (relações de transmissão) que são selecionadas automaticamente de acordo com a pressão no pedal do acelerador e no pedal do travão.
Assim, podemos concluir que um carro elétrico conduz-se, de facto, de uma forma muito diferente com uma condução menos envolvente, quando comparado com um carro de combustão interna.
A Toyota tem planos para uma caixa manual
A Toyota submeteu recentemente uma patente nos Estados Unidos para um EV com transmissão manual. O objetivo é imitar a operação de mudança nas relações de caixa como num carro de combustão interna. De acordo com a patente submetida, haverá uma espécie de um controlador que permite alterar o torque de um carro elétrico, estando previsto um pedal de embraiagem e uma alavanca de caixa de velocidades.
No entanto, a marca usou a palavra ‘pseudo’ na sua patente, o que reforça o sentido da ‘imitação’. Haverá um controlo eletrónico do binário do carro elétrico que depende do pedal do acelerador, da embraiagem e da velocidade pseudo-engrenada pelo condutor, replicando a reação de força que é característica de passagens de caixa.
Não se sabe muito mais acerca dos efeitos que pode ter uma caixa manual simulada na condução e na performance do carro, mas a marca pretende responder aos condutores que ‘exigem’ mais envolvimento e emoção num carro elétrico.





