Os carros clássicos são um bom investimento?
Os carros clássicos podem ser uma paixão, mas podem ser também um investimento rentável, mais rentável do que os depósitos tradicionais ou certificados e tão rentáveis como carteiras de ações, obrigações, imóveis, edge funds, commodities ou metais.

Sabemos bem que, tradicionalmente, não é dessa forma que vemos os clássicos. Imaginamos garagens de luxo, longos pavilhões alcatifados, equipados com ares condicionados e desumidificadores, de colecionadores dedicados que são norteados por uma paixão pelos automóveis.
Mas há outros colecionadores que têm uma abordagem mais racional. Se gostam de automóveis? Sim, provavelmente. Mas juntam o agradável ao útil e alocam as suas poupanças em activos que têm potencial de valorização. Neste ponto, convém reforçar que o investimento em carros clássicos não está isento de riscos, riscos muito semelhantes aos que encontramos em outros activos financeiros. Não há garantias!
Como se compara o investimento em carros clássicos com outros activos mais tradicionais?
Com base nos dados da Hagerty, uma seguradora americana especializada em carros clássicos, a Vanarama conduziu um estudo que compara a valorização de vários activos, num período de valorização entre 2010 e 2020. Assim, foram seleccionados 10 carros clássicos com valores abaixo dos 20 mil euros e a valorização entre 2010 e 2020 foi comparada com a valorização de outros activos.

O estudo aponta para que os carros clássicos tenham um potencial de valorização superior aos depósitos, ao ouro, imóveis ou à arte, sendo apenas menos rentáveis que o potencial de valorização de ações. De referir também que o investimento permite maximizar o retorno com um horizonte temporal superior a 7 anos.
O que deve ser levado em conta, quando nos decidimos por investir num clássico?
A primeira coisa a ter em conta é assegurar-se que tem um espaço fechado e com condições para manter o carro em boas condições durante um período alargado de tempo. Isso tem um custo implícito e terá que ser levado em consideração.
Depois, o mais importante (e também a parte mais interessante) é a escolha do carro que vai comprar.
Quais os factores a ter em conta na escolha do carro?
Nessa escolha, há factores que devem ser levados em conta para além do nosso gosto pessoal. Por exemplo, o modelo manteve-se com elevada procura, mesmo depois de terminar a sua comercialização? Um carro que teve sucesso comercial e que manteve procura mesmo depois de sair de comercialização, depois de deixar de ser produzido será com maior probabilidade um melhor investimento.
O facto de ser uma raridade pode também influenciar o valor do carro no futuro. Deve escolher um carro com carisma ou carro que foi produzido numa série limitada, um carro memorável com um design apurado vai ter mais probabilidade de ser procurado no futuro.
Outro fator bastante importante é a tecnologia. Deve procurar carros que foram icónicos no seu tempo, que foram produzidos com características inovadoras. ‘Este foi o primeiro carro a ser produzido com…’ pode ser um bom indicador para um clássico com potencial.
Não menos importante será o tempo que o carro se manteve no mercado. Um carro com uma vida maior em produção é um bom indicador de uma escolha acertada no futuro. Em muitas situações podemos encontrar séries limitadas revivalistas.
Em resumo...
Nada é seguro, mas uma boa aposta passará pela procura de carros pioneiros, raros e bonitos.
Alguns exemplos: Vejamos o que se passou com o valor nos últimos 3 anos de alguns verdadeiros clássicos e escolhas seguras.
A escolha óbvia: Porsche 911
Este modelo cumpre todos os factores de garantia de valorização. Tem procura, é raro e nostálgico e é um dos carros mais bonitos de sempre.
Um Porsche 911 é sempre coleccionável. Todos eles, 964,993, 996, 997, 991 e 992. Mesmo o 996, o menos carismático de todos eles, tem um potencial actual de valorização muito bom. De acordo com a Hagerty, um Porsche 993 Carrera de 1996 em bom estado viu o seu valor crescer mais de 30% nos últimos 3 anos.
Um carro inovador no seu tempo: Citroen DS21
Um Citroen DS21 de 1967 em excelente estado valorizou quase 30% nos ultimos 36 meses.
Um carro em ascenção: Mercedes 450 SL
Por último, o carro que encontramos e que se valorizou mais nos ultimos 36 meses foi o Mercedes 450 SL. Um Mercedes 450 SL de 1979 em estado excelente terá valorizado uns impressionantes 72% desde 2019.
Carros que nós escolheríamos como clássicos do futuro: Partindo das condições anteriores conseguimos identificar alguns modelos que podem ser boas apostas para o futuro um Abarth 595 pode ser uma boa escolha. Com um design diferenciado, revivalista este modelo mantém-se por vários anos no mercado. Com várias séries especiais ao longo do tempo, esta opção mistura vários ingredientes de sucesso.
Outra opção para nós seria o Alpine A110. este carro tem tudo para ser um clássico valorizado no futuro. Desde o design, o carisma, a produção.
No mesmo sentido, o Alfa Romeo 4C também seria uma boa opção. Tal como o Alpine, este carro tem carisma e tem um design apurado e distintivo. Para além disso, e tal como a Alpine , a marca Alfa Romeo já nos habituou a uma série de clássicos bem sucedidos.
Pensamos também que o novo Toyota Supra poderá ser um bom clássico no futuro. Este carro é marcado por linhas japonesas que nos parecem intemporais. Achamos que pode demorar um pouco mais a ser um clássico valorizado.
Outra aposta segura ainda que para ‘bolsos’ especiais será o Mercedes-Benz AMG GT ‘Black Serie’. Este carro tem todos os ingredientes assegurados para uma valorização. E nem sequer precisa de se tornar um clássico para isso.



