Guiamos o novo Mazda 3
Guiei o novo Mazda 3, na versão HB 1.8 SKYACTIV-D 116 cv Evolve, e gostei. Gostei das linhas, gostei do comportamento e a maioria das coisas de que não gostei, têm botão “off”.

Se para si um automóvel é um veículo cuja única função é levá-lo do ponto A ao ponto B e tudo o mais, tipo estética e prazer de condução, são coisas supérfluas, então pode passar adiante e ir ler o Guia Ilustrado do Preenchimento do IRS (Versão Anotada).
Se não pensa assim, então está a ler o texto certo.
Começamos pelas linhas. Gosto francamente: uma carroçaria bi-corpo de linhas fluidas, cintura alta, capô mergulhante que reforça a imagem desportiva. Ainda por cima o cinza da versão testada assenta-lhe bem e as portas traseiras quase passam despercebidas. Os pilares acrescentam uma imagem de robustez e a frente não esconde a origem, com a imagem de marca Mazda bem presente.
Uma viagem desde o Porto a Montalegre, onde tinha uma prova do PTRX – Campeonato de Portugal de Ralicross, Kartcross e Super Buggy, deu-me o ambiente ideal para experimentar o carro, com cidade, auto-estrada e estradas secundárias de montanha q.b.
"Quebrado o gelo", é tempo de avançar e sentar-me ao volante. É fácil encontrar a “nossa” posição. Acho mesmo que deve ser o modelo da gama com maior regulação do volante em profundidade. O banco tem regulações em distância, altura, inclinação das costas e apoios, em que não falta o apoio de pernas.
A consola central, elevada, reforça a imagem envolvente de todo o habitáculo, sobre ela encontramos os comandos para o “infotainment”, que é intuitivo e de fácil interpretação. No painel de instrumentos realça-se o velocímetro, um ecrã digital, que no centro recebe um painel informativo, onde podem constar informações sobre consumo, sistemas activos, ou desactivados no automóvel, por exemplo.
Agora é tempo de premir o botão, carregar no travão de mão eléctrico, meter primeira e seguir. Olhar em frente não podemos deixar saber qual limite de velocidade no local, se o estamos a exceder, e toda uma serie de informações, disponibilizadas pelo Active Driving Display, projectado no pára-brisas.
O comando da caixa é preciso e de curso curto, como convém a um automóvel com carácter desportivo, com este. O motor cumpre, principalmente a partir das 1.800 r.p.m. onde passa a estar à vontade. Abaixo disso fica um pouco mais “amorfo” e obriga a mais algum trabalho de caixa, principalmente em percursos mais “enrolados”… lá chegaremos.
No paralelo das ruas do Porto o 3 porta-se bem. E, apesar da rigidez da suspensão, a comodidade não sai comprometida e os ruídos de rolamento existem, claro, mas a insonorização é eficiente.
Em alguns cruzamentos a visibilidade para direita parece-me um pouco mais deficiente. A minha posição de condução não se dá bem com o pilar e o trânsito que vem da direita. Mas isso não quer dizer que consigo seja a mesma coisa.
Continuamos pela cidade e as médias, apesar do natural “pára-arranca”, mantêm-se dentro do que a marca anuncia, da ordem dos 5,4 L/100Kms, segundo se pode ver no computador de bordo e verificar no reabastecimento.
Segundo a marca, o Catalisador de Armazenamento de NOx (NSC) que converte o óxido nitroso em nitrogénio inofensivo, reduz as emissões de NOx e obtém um melhor desempenho ambiental. Combina um consumo médio de combustível de 4,8 a 5,7 l/100 km com emissões de CO2 de 130 a 151 g/km.
De consciência mais verde, seguimos para a auto-estrada.
Primeira coisa com botão “off” é o Lane Departure Warning Sistem (LDWS), que sempre que se pisa uma linha de limite de faixa, altera a rigidez da direcção. Definitivamente não gosto, mas desliga-se e pronto. O mesmo destino tem o Mazda Radar Cruize Control (MRCC), pois mesmo sendo eu um utilizador assíduo do “cruise control” em auto-estrada, definitivamente não me adapto ao facto do carro desatar a travar quando não espero, porque alguém decide andar a 50 Km/h. “Off”.
A placa que anuncia Cabeceiras de Basto aproxima-se e aí é tempo de sair da A7 e seguir pela Serra da Cabreira acima. É justamente neste tipo de percursos que o Mazda 3 se revela.

Curva bem, a direcção é precisa e directa, dando sempre uma ideia muito exacta de “por onde anda” e o chassis é equilibrado, reforçando o prazer de condução. A curvar, parece que nunca mais acaba e se os 116 cavalos desenvolvidos pelo motor 1.8 diesel parecem poucos, quando estamos a abaixo das 1.800 r.p.m., é igualmente certo que a caixa de seis velocidades, com o uso devido, colmata bem essa lacuna.

A Montalegre chegaram quatro adultos, com bagagem volumosa e apenas o mais alto que viajou no banco traseiro se queixou que por vezes tocava com a cabeça no tecto. Resta dizer que a versão testada – Mazda 3 HB 1.8 SKYACTIV-D 116 cv Evolve – é vendida por € 30.700,00.
Para alguns o novo modelo é muito baixo. Para esses apenas um conselho: parece que há um “irmão” mais alto, um CX, vai aparecer em breve. Remate positivo foi o facto de o regresso ser feito no mesmo carro.
Reveja todas as especificações técnicas e a nossa review do Mazda 3 aqui no Guia do Automóvel.








