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Mercedes-Benz EQC, falar para quê?

Levamos o Mercedes-Benz EQC até à Figueira da Foz para o Encontro Nacional de Veículos Elétricos. Neste ensaio, vamos perceber como é que este grandalhão com 408 cavalos e 361-420 km de autonomia WLTP se comportou.

Catarina Resende
Catarina Resende
Mercedes-Benz EQC, falar para quê?

Comecemos por uma espécie de bilhete de identidade da viatura. Portanto, estamos a falar de um Mercedes EQC 400 4Matic de 2020 com 408 cv e apenas 6 mil quilómetros, à venda por aproximadamente 76 mil euros, pela Soc. C. Santos.

Amor (ou ódio) à primeira vista

Sempre tive alguma crença no amor à primeira vista e os primeiros olhares trocados com este SUV elétrico provaram que não é mito. O EQC encantou-me com a robustez, o tímido carácter desportivo e as grandes dimensões (1.624m x 1.884m). O feixe único de luzes partilhado pela dianteira e traseira conferem um aspeto moderno e, admito que aquele efeito de boas vindas ao ligar a viatura foi o golpe final desta paixoneta.

Mas como Deus que é Deus não agrada a todos, tive a oportunidade de ouvir outras opiniões de pessoas que não se deixaram render ao aspeto exterior deste Mercedes. Seja por ser mais “arredondado” do que as apostas elétricas de outras marcas, por ser grande, ou simplesmente pelo juntar de tudo isto, ainda ouvi uns quantos “muito feio, carro mesmo feio”. Enfim, gostos não se discutem!

O Armário do século XX

O que também não se discute é o conforto a bordo do Mercedes-Benz EQC. É impossível não desejar conduzir este SUV por horas, lentamente, a saborear cada quilómetro. O espaço no habitáculo é abundante e, por isso, todos podem esticar as pernas à vontade, recostar-se nos bancos altamente ajustáveis e garantir uma ergonomia perfeita.

Em termos de design e tecnologia, não existem grandes novidades ou diferenças. Desde o Classe A ao Classe S, a Mercedes-Benz já nos tem habituado à mesma disposição de equipamentos interiores. Destaque, sem dúvida, para os detalhes que estão por todo o lado! E se, visualmente, os detalhes apontam para a vertente premium e enchem os olhos, para as mãozinhas que os vão limpar não será assim tão giro.

Por isso é que comparo este EQC a um armário antigo cheio de saliências, flores e outros retorcidos que para limpar é preciso um espanador, um pano, o dedo e uma grande dose de paciência. Aviso: Terá que deixar a limpeza da casa para outro dia porque este menino não se limpa em menos de uma manhã.

Sem stress… Mas, se stressar, pode contar com o Pack ENERGIZING Plus para meditar, ativar os músculos ou sentir o mar dentro através do ar condicionado. Mais uma vez, tudo a pensar no conforto. Só tive pena de que este modelo não incluísse bancos com massagem… Sabia bem, não?

Para seguirmos viagem, realço dois aspetos menos positivos. O efeito black piano na consola central, isto porque, dedos e unhas são os verdadeiros inimigos que deixam marca por onde tocam. Por outro lado, o teto de abrir sabe a pouco… É bastante pequeno dadas as dimensões do carro.

Galp
Galp
Todo o interior do EQC tem foco nos detalhes e no ambiente premium.
Mercedes-Benz EQC, falar para quê?

Direção: Figueira da Foz

Chegou o momento: “Olá Mercedes. Navegar para a Figueira da Foz” e lá vamos nós. O arranque foi feito com 229 km de autonomia para uma viagem que nos levaria 119 km em autoestrada. Conforto, conforto e mais conforto. Não encontro melhor descrição para esta viagem que, às tantas, fazia parecer que conduzimos um barco em águas calmas ou que simplesmente seguíamos a 30 km/h.

A minha experiência com outros elétricos fez-me perceber o quão ansiosa sou e o quão stressante pode ser uma viagem a ver a autonomia voar e o destino cada vez mais longe de ser alcançado. Porém, neste EQC o caso mudou de figura. Mesmo em autoestrada, os quilómetros de autonomia desapareciam proporcionalmente ao número de quilómetros percorridos. O único ponto menos positivo foi o facto de quase desmaiar de calor para não ligar o ar condicionado e poupar uns bons quilómetros de autonomia.

Em andamento, este SUV responde bem, é ágil e tem uma boa aceleração, ainda que seja mais notória no arranque do que quando já estamos com uma velocidade mais considerável.

A chegada ao Encontro Nacional de Elétricos foi realizada com sucesso e com 108 km de autonomia restante. Nada mau tendo em atenção que fomos em autoestrada, onde a regeneração mal acontece, e apenas foram gastos praticamente os mesmos quilómetros de autonomia do que os reais percorridos. Mas como os elétricos são mais citadinos, optamos por fazer o regresso via estrada nacional. Antes disso, tivemos que carregar baterias.

O Carregamento

Foi no parque do ENVE que optamos por carregar gratuitamente o nosso EQC. Primeiro experimentamos um posto da Mio com 7 kW de potência e, só para vos dar uma noção, levaríamos mais de 10 horas a carregar a totalidade da bateria. Logicamente, este não era o posto indicado para o nosso veículo e, por isso, ligamo-nos a um posto da edp com 40 kW de potência que carregou 80% da bateria em 40 min.

Pode chegar a ser desesperante carregar um elétrico e esperar durante horas e, por isso, é sempre importante escolher bem o sítio onde o carregamos e adaptar a potência do posto com a que o veículo aceita.

Direção: De Volta a Casa

De regresso a casa e, tal como vos tinha referido, pela estrada nacional, iniciamos este percurso de 138 km com uma autonomia de 223 km. Uma viagem calma, com poucos ruídos do exterior e uma boa música que saía do sistema de som Burmester.

Tudo no interior deste EQC é cuidadosamente pensado para o silêncio. Os piscas são quase silenciosos, os alertas do sistema de apoio à condução igualmente silenciosos, tudo é silêncio e tranquilidade. E foi em tranquilidade que terminou esta viagem com 94 km, graças à regeneração e ao modo de condução eco.

Concluindo…

O Mercedes-Benz EQC é um daqueles grandalhões simpáticos, quase como aquele amigo que é silencioso, misterioso e a quem apetece dar um abracinho. Neste ensaio, senti-me, sem dúvida, abraçada por este elétrico de tanto conforto e tanto prazer de condução. Neste ENVE tive oportunidade também de conduzir o Audi e-tron. Qual o meu preferido? Fique a saber em breve.

Mercedes-Benz EQC, falar para quê?

Levamos o Mercedes-Benz EQC até à Figueira da Foz para o Encontro Nacional de Veículos Elétricos. Neste ensaio, vamos perceber como é que este grandalhão com 408 cavalos e 361-420 km de autonomia WLTP se comportou.

Catarina Resende
Catarina Resende
Mercedes-Benz EQC, falar para quê?

Comecemos por uma espécie de bilhete de identidade da viatura. Portanto, estamos a falar de um Mercedes EQC 400 4Matic de 2020 com 408 cv e apenas 6 mil quilómetros, à venda por aproximadamente 76 mil euros, pela Soc. C. Santos.

Amor (ou ódio) à primeira vista

Sempre tive alguma crença no amor à primeira vista e os primeiros olhares trocados com este SUV elétrico provaram que não é mito. O EQC encantou-me com a robustez, o tímido carácter desportivo e as grandes dimensões (1.624m x 1.884m). O feixe único de luzes partilhado pela dianteira e traseira conferem um aspeto moderno e, admito que aquele efeito de boas vindas ao ligar a viatura foi o golpe final desta paixoneta.

Mas como Deus que é Deus não agrada a todos, tive a oportunidade de ouvir outras opiniões de pessoas que não se deixaram render ao aspeto exterior deste Mercedes. Seja por ser mais “arredondado” do que as apostas elétricas de outras marcas, por ser grande, ou simplesmente pelo juntar de tudo isto, ainda ouvi uns quantos “muito feio, carro mesmo feio”. Enfim, gostos não se discutem!

O Armário do século XX

O que também não se discute é o conforto a bordo do Mercedes-Benz EQC. É impossível não desejar conduzir este SUV por horas, lentamente, a saborear cada quilómetro. O espaço no habitáculo é abundante e, por isso, todos podem esticar as pernas à vontade, recostar-se nos bancos altamente ajustáveis e garantir uma ergonomia perfeita.

Em termos de design e tecnologia, não existem grandes novidades ou diferenças. Desde o Classe A ao Classe S, a Mercedes-Benz já nos tem habituado à mesma disposição de equipamentos interiores. Destaque, sem dúvida, para os detalhes que estão por todo o lado! E se, visualmente, os detalhes apontam para a vertente premium e enchem os olhos, para as mãozinhas que os vão limpar não será assim tão giro.

Por isso é que comparo este EQC a um armário antigo cheio de saliências, flores e outros retorcidos que para limpar é preciso um espanador, um pano, o dedo e uma grande dose de paciência. Aviso: Terá que deixar a limpeza da casa para outro dia porque este menino não se limpa em menos de uma manhã.

Sem stress… Mas, se stressar, pode contar com o Pack ENERGIZING Plus para meditar, ativar os músculos ou sentir o mar dentro através do ar condicionado. Mais uma vez, tudo a pensar no conforto. Só tive pena de que este modelo não incluísse bancos com massagem… Sabia bem, não?

Para seguirmos viagem, realço dois aspetos menos positivos. O efeito black piano na consola central, isto porque, dedos e unhas são os verdadeiros inimigos que deixam marca por onde tocam. Por outro lado, o teto de abrir sabe a pouco… É bastante pequeno dadas as dimensões do carro.

Xpeng G9
Xpeng G9
Todo o interior do EQC tem foco nos detalhes e no ambiente premium.
Mercedes-Benz EQC, falar para quê?

Direção: Figueira da Foz

Chegou o momento: “Olá Mercedes. Navegar para a Figueira da Foz” e lá vamos nós. O arranque foi feito com 229 km de autonomia para uma viagem que nos levaria 119 km em autoestrada. Conforto, conforto e mais conforto. Não encontro melhor descrição para esta viagem que, às tantas, fazia parecer que conduzimos um barco em águas calmas ou que simplesmente seguíamos a 30 km/h.

A minha experiência com outros elétricos fez-me perceber o quão ansiosa sou e o quão stressante pode ser uma viagem a ver a autonomia voar e o destino cada vez mais longe de ser alcançado. Porém, neste EQC o caso mudou de figura. Mesmo em autoestrada, os quilómetros de autonomia desapareciam proporcionalmente ao número de quilómetros percorridos. O único ponto menos positivo foi o facto de quase desmaiar de calor para não ligar o ar condicionado e poupar uns bons quilómetros de autonomia.

Em andamento, este SUV responde bem, é ágil e tem uma boa aceleração, ainda que seja mais notória no arranque do que quando já estamos com uma velocidade mais considerável.

A chegada ao Encontro Nacional de Elétricos foi realizada com sucesso e com 108 km de autonomia restante. Nada mau tendo em atenção que fomos em autoestrada, onde a regeneração mal acontece, e apenas foram gastos praticamente os mesmos quilómetros de autonomia do que os reais percorridos. Mas como os elétricos são mais citadinos, optamos por fazer o regresso via estrada nacional. Antes disso, tivemos que carregar baterias.

O Carregamento

Foi no parque do ENVE que optamos por carregar gratuitamente o nosso EQC. Primeiro experimentamos um posto da Mio com 7 kW de potência e, só para vos dar uma noção, levaríamos mais de 10 horas a carregar a totalidade da bateria. Logicamente, este não era o posto indicado para o nosso veículo e, por isso, ligamo-nos a um posto da edp com 40 kW de potência que carregou 80% da bateria em 40 min.

Pode chegar a ser desesperante carregar um elétrico e esperar durante horas e, por isso, é sempre importante escolher bem o sítio onde o carregamos e adaptar a potência do posto com a que o veículo aceita.

Direção: De Volta a Casa

De regresso a casa e, tal como vos tinha referido, pela estrada nacional, iniciamos este percurso de 138 km com uma autonomia de 223 km. Uma viagem calma, com poucos ruídos do exterior e uma boa música que saía do sistema de som Burmester.

Tudo no interior deste EQC é cuidadosamente pensado para o silêncio. Os piscas são quase silenciosos, os alertas do sistema de apoio à condução igualmente silenciosos, tudo é silêncio e tranquilidade. E foi em tranquilidade que terminou esta viagem com 94 km, graças à regeneração e ao modo de condução eco.

Concluindo…

O Mercedes-Benz EQC é um daqueles grandalhões simpáticos, quase como aquele amigo que é silencioso, misterioso e a quem apetece dar um abracinho. Neste ensaio, senti-me, sem dúvida, abraçada por este elétrico de tanto conforto e tanto prazer de condução. Neste ENVE tive oportunidade também de conduzir o Audi e-tron. Qual o meu preferido? Fique a saber em breve.