Citroën AMI 6: SEIS DÉCADAS DE HISTÓRIA
No início da década de 60, mais precisamente em 24 de abril de 1961, Flaminio Bertoni, responsável pela equipa de design da Citroën, que também assinou modelos como o DS (“Boca de Sapo”), o Traction Avant (Arrastadeira”) e mesmo o 2 CV, apresentou o AMI 6, a sua “obra prima”, como o próprio o designou.

O Ami 6 apresentou-se como sendo: “a relação conforto/km mais barata do mundo”, assim era o slogan publicitário da marca. Destinado ao segmento médio do mercado, foi produzido na variante berlina e Break, esta última foi a que teve maior sucesso e em dez anos foram produzidos um milhão de unidades.
Para o desenvolvimento do então designado Projeto AM, a marca do Double Chevron, deu “carta branca” ao designer e o resultado foi a conceção de um modelo com um irreverente óculo traseiro invertido, ou seja a conhecida Linha Z.
O Ami 6 herdou o conjunto da tecnologia e das provas dadas nos modelos já em comercialização. O bloco de 602 cc, bem como a suspensão derivou do 2 CV e o design do habitáculo teve inspiração no topo de gama DS. Os grupos óticos dianteiros retangulares marcaram a diferença na época, mais tarde (1967), os quatro faróis dianteiros e os pneus com faixas brancas, nas versões Club, foram um verdadeiro sucesso de vendas.
O sucesso da Break
Em 1964, Henri Dargent e Robert Opron sucedem a Flaminio Bertoni, entretanto falecido, são responsáveis pela criação do modelo break, uma carrinha com 320 kg de carga útil, tanto capaz de satisfazer as necessidades de uma faixa de clientes com necessidades mais alargadas em termos de espaço que uma família mais numerosa exige, como uma ferramenta de trabalho para qualquer profissional. A carreira comercial terminou com a chegada dos anos 70, dando lugar ao Ami 8, modelo que ainda na mesma década de 70 viria a ser substituído pelo Visa.
Curiosidades
• O nome Ami 6 vem de uma mistura fonética das palavras do nome do projeto (veículo AM), da palavra “miss” (“senhorita” em inglês) e “amici” (“amigos” em italiano), provavelmente inspirada no seu designer, o também italiano Flaminio Bertoni;
• Yvonne de Gaulle, esposa do General Charles de Gaulle, deslocava-se num Ami 6. Tratava-se de uma unidade inaugural da fábrica Citroën em Rennes-La-Janais, quando esta ainda estava em construção, a 10 de setembro de 1960, pouco mais de um ano antes do início da produção do modelo;
• A Citroën organizou um raide designado “Le Tour de Gaule d'Amisix”, com início em Rennes-La-Janais (numa das fábricas onde era produzido), a 19 de janeiro de 1966, com dois Ami 6 Break completamente de série, de forma a demonstrar a sua resistência e qualidades dinâmicas. Ao fim de 23 horas e 11 minutos, a equipa totalizaria 2.077 km percorridos, a uma velocidade média de 89,6 km/h;
• Em junho de 1963, o Ami 6 foi apresentado nos EUA. O modelo de exportação adotou quatro faróis redondos e para-choques reforçados;
• Locais de produção: Paris (França): de 1961 a 1963; Rennes-La-Janais (França) de 1961 a 1969, tendo sido o Ami 6 a inaugurar esta nova fábrica na Bretanha, representando a primeira grande descentralização da Citroën da cidade de Paris; Forest (Bélgica): de 1961 a 1969; Catila (Argentina), com a produção do Ami 6 Break a continuar até 1971 (os carros eram enviados em peças para montagem local);
• No total foram produzidas 1.039.384 unidades do Ami 6: 483.986 Berlina (de abril de 1961 a março de 1969), 551.880 Break (de outubro de 1964 a setembro de 1969), 3.518 Entreprise, uma variação comercial do Ami 6 Break, com dois lugares, com versões vidradas e de painéis sem janelas;
• Nos últimos modelos Ami 6 produzidos, a intensidade da luz do mostrador pode ser ajustada com um pequeno botão que controlava um reóstato;
• Atualmente, uma unidade Ami 6 em pleno funcionamento e bom estado poderá ter um valor comercial na ordem dos 5.000,00€.








