Mobilidade Reduzida. Como o Parkinson pode afectar a minha condução?
Conduzir é uma tarefa complexa que requer força física, mobilidade, bons reflexos e tempo de reacção, percepção de profundidade, boa visão e audição e a capacidade para gerir várias tarefas em simultâneo, mantendo o registo de muitas entradas visuais e espaciais.

Quando fui diagnosticado com a doença de Parkinson, não tinha ainda dado conta de quaisquer alterações significativas na minha condução ou no uso que fazia do carro. Tinha notado que a minha mão direita se colava mais à secretária e tinha dores de costas, mas nada fazia antever que o problema estivesse já relacionado com falta de mobilidade do braço ou com alterações na força ou nos reflexos. Foi assim, com uma vida activa, entre viagens de trabalho para o estrangeiro e os jogos de Squash, que o diagnóstico me caiu como uma bomba em Julho de 2012. Ainda assim, desse momento, há palavras que retenho como uma espécie de GPS emocional:
-O que faço agora Dra?
-Olhe, mexa-se!...
A simplicidade da expressão desmistifica a doença e canaliza a energia para soluções práticas. Mas era inevitável que, mais cedo ou mais tarde, os sintomas da doença afetassem a minha condução. Conduzir é uma tarefa complexa que requer força física, mobilidade, bons reflexos e tempo de reacção, percepção de profundidade, boa visão e audição e a capacidade para gerir várias tarefas em simultâneo, mantendo o registo de muitas entradas visuais e espaciais.
A doença de Parkinson, impõe-nos uma perda mais notória ao nível da flexibilidade, da força, da elasticidade, com impacto na rapidez e na fluidez de movimentos.
Por outro lado, alguns dos sintomas do Parkinson incluem tremores, visão diminuída, equilíbrio comprometido, reflexos diminuídos, e esses são acrescidos de alguns dos sintomas secundários da medicação, como sonolência, visão turva, confusão ou deficit cognitivo. Se sair de casa, ir para o trabalho, ir às compras, almoçar ou visitar amigos deixam de ser tarefas rotineiras, é evidente que conduzir pode tornar-se um desafio intransponível e, ainda que muitos medicamentos mitiguem drasticamente os sintomas da doença, é crucial permanecermos vigilantes quanto à nossa capacidade para estarmos na estrada num preciso momento.
Há 4 anos comprei um VW GOLF 1.6 TDi DSG usado de 2011 e enviei o meu Seat Ibiza 1.9 SDi comercial de 2001 para minha mãe. Cerca de 1 ano mais tarde voltei a conduzir o Seat e fiquei surpreendido com o peso e esforço que tinha que fazer para virar o volante. Obviamente eu já estava habituado ao Golf , mas a verdade é que eu já não tinha a mesma força. A doença de Parkinson, impõe-nos uma perda mais notória ao nível da flexibilidade, da força, da elasticidade, com impacto na rapidez e na fluidez de movimentos.
Coisas simples como sentarmo-nos no banco, colocarmos o cinto de segurança ou fazermos rodar a chave na ignição, implicam um esforço superior. Usar os parques de estacionamento é uma aventura, especialmente se tivermos que sair do carro para recolher da máquina o bilhete de estacionamento. Sair ou entrar do carro, quando tens um carro colado à tua porta, exige-te um planeamento digno de um doutoramento. Mas o principal factor de limitação até acaba por ser o stress imposto pela falta de civismo e de compreensão para com quem não tem a mesma destreza (mas que tem os mesmo direitos). Manusear a caixa de velocidades ou lidar com o peso do pedal da embraiagem torna- se mais difícil e quando não arrancas no momento imediato em que aparece o verde, sujeitas-te a uma salva de buzinadelas e gesticulações teatrais, como se estivesses num circuito de corridas onde o stress é desmedido para a ocasião. Às vezes nem paro em alguns lugares para estacionar, intimidado pela falta de paciência para com o tempo que posso ter que precisar para estacionar.
Para finalizar, deixo uma nota positiva. Não se deixe intimidar com a sua condição, como a Dra me disse uma vez ‘... afinal de contas, é só Parkinson ! ...e mexa-se!’
(Continua com um novo artigo que será colocado em breve)





