Leapmotor C10 REEV: De Lisboa a Madrid sem paragens
Diz-se que “quem não arrisca, não petisca” e a Leapmotor arriscou. Fazer 650 quilómetros entre Lisboa e Madrid sem recarregar nem abastecer parecia, até há pouco tempo, um desafio para qualquer veículo elétrico. Mas o novo Leapmotor C10 Range-Extended EV (REEV) mostrou que é bem capaz. E nós lá estivemos, para ver com os nossos olhos e sentir ao volante o que vale esta promessa em estrada real.

A viagem começou em Lisboa e terminou em Madrid, num trajeto maioritariamente em autoestrada, mais de 95% do percurso. Confesso que, no arranque, havia aquela pontinha de desconfiança: “Será que vai dar conta do recado?” Afinal, estamos habituados à ansiedade da autonomia e a andar sempre a pisar ovos, e sem ar condicionado, para a esticar. Mas o C10 REEV não se ficou por meias medidas. Cumpriu a ligação entre as duas capitais em menos de seis horas, sempre dentro dos limites de velocidade, sem necessidade de parar para recarregar a bateria ou abastecer combustível. No final, ainda sobrava alguma autonomia, provando que faz mesmo aquilo que promete.
Uma nova abordagem à mobilidade elétrica.
O Leapmotor C10 REEV destaca-se por adotar a tecnologia Range Extender, já bem conhecida e amplamente utilizada na China. Este sistema permite que o carro ofereça a experiência típica de um veículo elétrico: condução silenciosa, suave e responsiva, sem nunca perder a tranquilidade de saber que a autonomia é alargada graças ao extensor de autonomia. Na prática, o veículo move-se sempre através do motor elétrico; o motor de combustão interna entra apenas para gerar eletricidade quando a bateria precisa de reforço.
Graças a esta configuração, o C10 REEV alcança uma autonomia total superior a 970 quilómetros e mantém emissões muito baixas, de apenas 10 g/km de CO₂ (ciclo WLTP). Durante a viagem Lisboa–Madrid, alguns veículos ainda chegaram com 150 km de autonomia restante. No trajeto inverso, Madrid–Lisboa, a autonomia ao chegar caiu para cerca de 70 km, diferença explicada pela altitude das duas cidades: Lisboa está a 70 metros acima do nível do mar, enquanto Madrid se encontra a 610 metros. O nosso veículo, por sua vez, chegou com uma autonomia entre 70 e 80 km.
Ao volante, sentem-se os 215 cv do motor elétrico que dão uma resposta rápida mas suave, tornando a condução simples e confortável. O silêncio a bordo era notório e permitia conversar sem esforço, graças ao cuidado da Leapmotor com o ruído, vibração e aspereza (NVH). O C10 revela-se bastante confortável tanto em cidade como em autoestrada, e durante a viagem Lisboa–Madrid isso fez toda a diferença. A bateria de 28,4 kWh permite uma autonomia suficiente para 145 km puramente elétricos, ideal para o dia a dia urbano.
Nesta viagem mais longas, o extensor de autonomia entrou em ação de forma quase impercetível, mantendo o conforto e a suavidade da condução, sem nunca se sentir como um carro a gasolina disfarçado. Foi mesmo uma experiência que mostra o melhor dos dois mundos: a leveza de um elétrico com a segurança de poder ir sempre mais longe.
Se tivesse sido necessário carregar o C10 durante esta viagem, saberíamos que este permite carregamentos rápidos em DC (65 kW), recuperando metade da autonomia elétrica em apenas 18 minutos.
Então, mas não é igual a um Híbrido Plug-in?
A resposta é…não. O Leapmotor C10 REEV, como qualquer veículo com tecnologia Range-Extended EV, é considerado 100% elétrico na tração, porque só o motor elétrico move as rodas. O motor a combustão que equipa o carro nunca está ligado diretamente às rodas; ele funciona apenas como gerador, produzindo eletricidade para recarregar a bateria quando esta fica baixa.
Na prática, isso significa que o carro anda sempre em modo elétrico, com a suavidade e resposta típicas de um EV, enquanto o motor a gasolina entra em cena apenas para alimentar o sistema elétrico, garantindo autonomia extra, daí o nome “extensor de autonomia”. A grande diferença para um híbrido tradicional (HEV ou PHEV) é precisamente esta: nos híbridos, o motor a combustão pode, em determinadas situações, mover as rodas diretamente; no REEV, isso nunca acontece.
Já em termos fiscais, um veículo REEV é tratado de forma semelhante à dos veículos híbridos plug-in, devido à presença de um motor de combustão interna que, embora não mova diretamente as rodas, serve para gerar eletricidade.
Uma solução prática e competitiva
A Leapmotor posiciona o C10 REEV como uma alternativa prática e acessível às opções disponíveis no mercado. O modelo chega a Portugal com preços a partir de 37.454 euros, um valor competitivo para um SUV elétrico com esta tecnologia.
Uma ponte para a eletrificação total
Esta viagem de Lisboa a Madrid demonstrou, de forma prática, o potencial do C10 REEV como solução de transição para uma mobilidade mais sustentável. No fim do dia, a sensação foi simples: “quem vai devagar, vai bem e vai longe”. E o Leapmotor C10 REEV mostrou que sabe ir longe: sem dramas, sem pressas, e sempre com aquele prazer de conduzir em modo elétrico, mas sem ansiedades. No fundo, comprar um C10 REEV é comprar um elétrico com um seguro de viagem.
O futuro da Leapmotor em Portugal
O lançamento do C10 REEV insere-se numa estratégia mais ampla da Leapmotor International (joint venture entre Stellantis e Leapmotor ), que entrou no mercado europeu no final de 2024. Em Portugal, a marca já disponibilizava o citadino 100% elétrico T03 e o SUV C10 BEV , e agora aposta nesta solução REEV.
A rede de concessionários nacionais também está em crescimento, prevendo-se a expansão para nove operadores até ao final do ano. Paralelamente, os clientes terão acesso ao ecossistema Free2move Charge, que facilita o carregamento em casa, no trabalho ou em viagem, através de mais de 800 mil pontos em toda a Europa.






