Julho mostra luz ténue ao fundo do túnel
As vendas de automóveis novos em Portugal viram a quebra dos últimos meses devido à pandemia de Covid-19 ser atenuada em julho, mês em que o mercado nacional matriculou 17 738 veículos ligeiros (passageiros e mercadorias), menos 17,8% do que os 21 574 de igual mês do ano passado.

A diminuição homóloga acumulada continua forte, nos 44,3%, mas a quebra do mês passado é uma daquelas derrotas de onde se sai de cabeça erguida. Os operadores contactados pelo GUIA DO AUTOMÓVEL mostram satisfação pelo desempenho do mercado em julho, mas não deixam de alertar para o facto de isso não significar, ao que tudo indica, uma inversão, mesmo que ligeira, de ciclo para um cenário menos negro. “O número de matrículas pode até transmitir alguma confiança, no entanto, ao averiguar o destino dessas mesmas matrículas, percebemos que nem sempre existem clientes para todos os carros matriculados. A realidade é que constatamos que existem marcas concorrentes que matriculam, num só dia, 50% das matrículas desse mês. Felizmente, na nossa marca o canal privado voltou a subir e, em termos percentuais, igualou o número de julho de 2019”, refere o diretor comercial da Seat Portugal, João Borrego. O diretor-geral da Kia Portugal, João Seabra, concorda que não deveremos estar perante a desejada inflexão na tendência. “O resultado das vendas de viaturas novas em Portugal foi, em julho, muito positivo. Uma quebra de cerca de 17% em relação a julho de 2019 é um volume muito interessante para o momento que atravessamos. Infelizmente, não creio que seja um ponto de inflexão no mercado, mas sim um ‘pico’ de recuperação. Acho que os valores nos restantes meses do segundo semestre andarão numa quebra de 25% a 30% em relação a meses homólogos de 2019, fechando o ano com uma quebra de vendas entre 35% e os 40%”. Para o diretor de comunicação da Renault Portugal, Ricardo Oliveira, julho foi “a tendência de evolução que esperamos para os próximos meses com um mercado que se deverá manter abaixo dos níveis de 2019, mas sem registar níveis de quebra tão acentuados como as do período que mediou entre a segunda quinzena de março e o final de junho”.
ANECRA vê sinais encorajadores
Já o secretário-geral da Associação Nacional das Empresas do Comércio e da Reparação Automóvel (ANECRA), Roberto Gaspar, vê “um excelente sinal” nos números do mercado português em julho. “É difícil perceber exatamente até que ponto estamos a assistir uma verdadeira inversão do ciclo, mas são seguramente números extremamente encorajadores, particularmente se pensarmos que vínhamos de quebras na ordem dos 70% em maio e superiores a 50% em junho”, defende.




