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“Compra e financiamento de viaturas usadas já recuperaram a 100%”

O mercado automóvel está a recuperar a duas velocidades da crise provocada pela Covid-19, com os usados já a níveis semelhantes aos que havia antes da pandemia e os novos a terem uma retoma mais lenta, segundo o diretor comercial do Banco Credibom, Miguel Couto. “Enquanto a compra e financiamento de viaturas usadas já recuperaram a 100%, as viaturas novas necessitam do mercado empresas. Este mercado não recuperará em 2020 e encontra-se anémico nos particulares. O esforço de comunicação e promoções das marcas estão, e continuarão a estar, particularmente ativas até ao final do ano, de forma a tentar alterar a dinâmica”, explica, em entrevista.

Aquiles Pinto
Aquiles Pinto
“Compra e financiamento de viaturas usadas já recuperaram a 100%”

Entrevista ao diretor comercial do Banco Credibom, Miguel Couto.

Guia do Automóvel (GA): Qual o impacto da pandemia na atividade do Credibom?

Miguel Couto (MC): O desafio que se nos deparou no início de março passou essencialmente por três dimensões. Uma era como ajudar a que os nossos bons clientes antes da crise continuassem a ser os nossos bons clientes após a crise. Outra era manter o foco no negócio, garantindo apoio aos nossos parceiros a continuidade das operações à medida das suas necessidades. A terceira dimensão era, em simultâneo à anterior, salvaguardar a proteção dos nossos empregados e clientes que nos visitam. Nesse sentido, o principal consumo de energia foi a disponibilização de moratórias aos nossos clientes diretamente impactados pela Covid-19 (para particulares a moratória privada da ASFAC – Associação de Instituições de Crédito Especializado e para empresas e profissionais liberais a moratória pública) e o apoio aos nossos parceiros e clientes, com soluções E2E 100% digitais permitindo a gestão e contratação remota entre o banco e os seus parceiros e clientes. Em 15 dias mobilizámos 100% dos nossos colaboradores em teletrabalho, garantindo a continuidade das operações e salvaguardando a saúde dos nossos colaboradores e das suas famílias. Estamos agora a regressar progressivamente às instalações e ao terreno, em situação de segurança. Em termos de atividade, começámos a sentir a quebra da procura na segunda metade março e durante os meses de abril e maio recuámos 40% face a 2019. Em junho e julho a atividade já retomou completamente. Preocupamo-nos especialmente em reforçar a nossa imagem como o banco mais estável na atividade do crédito ao consumo nos momentos difíceis. A segurança que apresentámos aos nossos parceiros, e o acompanhamento dos clientes na sua maioria comuns, fazem parte da nossa razão de ser, isto apesar da pressão no risco de crédito, que todo o sistema financeiro sente neste momento e cuja “fatura” ainda está por determinar.

GA: Entre os vossos clientes, que percentagem recorreu à moratória?

MC: Para o Banco Credibom representou até julho cerca de 10%.

**GA: Por tipo de crédito quais os mais afetados?

MC: Em termos relativos não existiu diferenciação relevante. No caso do Banco Credibom, visto que a sua carteira apresenta um peso de 80% em crédito automóvel, naturalmente o peso das moratórias esteve alinhado com o seu peso da atividade. O produto de crédito representando 95% da nossa carteira, aglomerou a quase totalidade das nossas moratórias.

GA: No que ao financiamento automóvel diz respeito, os usados recuperaram mais depressa do que os novos?

MC: Claramente que sim. Várias explicações podem ser elencadas para esse cenário. Uma é que, genericamente e devido às suas estruturas de menor dimensão, os distribuidores de viaturas usadas tornaram-se, com o tempo, empresas mais ágeis a reagir em situações fora da zona de conforto e, consequentemente, mais rápidas nas adaptações necessárias. Outra é a paragem do negócio de rent-a-car em 2020, que normalmente significa entre 30 a 40% do mercado de novos. Por fim, a dificuldade de entrega em tempo útil de viaturas novas com a configuração desejada pelo cliente apresenta desafios aos concessionários de marca para manutenção do interesse do cliente.

GA: Tipo de cliente, quais as diferenças?

MC: Claramente, os clientes privados lideram a recuperação e em particular no financiamento automóvel. Isso é parcialmente explicado pelo risco de contágio desta pandemia e que promoveu a procura de transporte privado em detrimento da partilha na mobilidade. As empresas e os empresários em nome individual estão claramente mais cautelosos e apreensivos. Quanto ao crédito pessoal e lar, o mercado continua difícil, motivado pela mudança de hábitos do consumidor que se encontra agora mais resguardado e sem o impulso anterior.

GA: Em que prazos poderá o mercado voltar a níveis de pré-pandemia?

MC: Assistimos a diferentes realidades. Enquanto a compra e financiamento de viaturas usadas já recuperaram a 100%, as viaturas novas necessitam do mercado empresas. Este mercado não recuperará em 2020 e encontra-se anémico nos particulares. O esforço de comunicação e promoções das marcas estão, e continuarão a estar, particularmente ativas até ao final do ano, de forma a tentar alterar a dinâmica. Quanto ao crédito pessoal, este mercado não voltará a ter a dimensão anterior nos próximos anos. A redução das maturidades máximas em abril deste ano combinada com a lei da solvabilidade em vigor redimensionará o mercado mesmo após efeito da Covid-19. Apenas os cartões de crédito poderão contrariar a tendência de redução do crédito pessoal, pelo menos enquanto o Banco de Portugal não mostrar o mesmo interesse no controlo do crédito ao consumo por esta via como fez nos restantes produtos. No que se refere ao mercado do financiamento lar, deverá retomar após desaparecer o risco de saúde provocado pela pandemia. De qualquer das formas, é muito cedo para percebermos o comportamento da recuperação. A economia ainda goza de um conjunto de apoios que serão cessados. De forma muito simplista, a evolução do impacto no desemprego, ditará a velocidade da recuperação sustentada.

GA: É de crer que o cliente médio terá mais risco de agora em diante?

MC: Em período de crise, o sistema financeiro é sempre afetado por uma subida extraordinária do incumprimento. É comum verificarmos a retração e a cautela do setor durante esses momentos, bem como o inverso em ciclos económicos favoráveis. Os comportamentos são cíclicos. O risco adicional na concessão de crédito resulta da incerteza em ciclo económico desfavorável como o que vivemos hoje, e em que medida esse cliente poderá ser afetado. Esta crise é mais desafiadora na antecipação dos seus efeitos, pois é transversal, supranacional e com características de interdependência únicas.

GA: Nesse sentido, pretendem reforçar a comercialização de soluções com seguros de crédito associado?

MC: O banco e o setor já oferecem múltiplas soluções de cobertura através dos seus produtos de seguro de proteção ao crédito. Os produtos são em norma facultativos, pelo que acontece nestes períodos de incerteza é um acréscimo da respetiva procura por parte dos clientes, em particular o de desemprego.

GA: Com a pandemia, os canais digitais ganharam o impulso definitivo?

MC: Sem dúvida. A pandemia funcionou como um acelerador para a transformação digital nas organizações, e mesmo os mais resistentes, céticos ou desconhecedores, ao serem confrontados com a necessidade, já verificaram as vantagens e possibilidades de muitas das soluções experimentadas durante este período. Foi um período em que a necessidade espoletou a abertura de uma serie de “janelas”.

GA: O Credibom integra um grande grupo bancário. Quais os objetivos para a presença no mercado português?

MC: Detido a 100% por um dos maiores grupos bancários europeus, o grupo Credit Agricole, o Credibom é um banco especializado no crédito ao consumo e uma referência no financiamento automóvel em Portugal, que disponibiliza a clientes e parceiros soluções de crédito flexíveis, transparentes e adequadas às suas necessidades. Em Portugal há mais de 20 anos, o Credibom presta um aconselhamento personalizado e transparente, procurando encontrar a melhor solução para cada caso. Temos a ambição de ser o melhor banco de crédito ao consumo em portugal, através do reconhecimento por parte dos nossos parceiros e clientes.

“Compra e financiamento de viaturas usadas já recuperaram a 100%”

O mercado automóvel está a recuperar a duas velocidades da crise provocada pela Covid-19, com os usados já a níveis semelhantes aos que havia antes da pandemia e os novos a terem uma retoma mais lenta, segundo o diretor comercial do Banco Credibom, Miguel Couto. “Enquanto a compra e financiamento de viaturas usadas já recuperaram a 100%, as viaturas novas necessitam do mercado empresas. Este mercado não recuperará em 2020 e encontra-se anémico nos particulares. O esforço de comunicação e promoções das marcas estão, e continuarão a estar, particularmente ativas até ao final do ano, de forma a tentar alterar a dinâmica”, explica, em entrevista.

Aquiles Pinto
Aquiles Pinto
“Compra e financiamento de viaturas usadas já recuperaram a 100%”

Entrevista ao diretor comercial do Banco Credibom, Miguel Couto.

Guia do Automóvel (GA): Qual o impacto da pandemia na atividade do Credibom?

Miguel Couto (MC): O desafio que se nos deparou no início de março passou essencialmente por três dimensões. Uma era como ajudar a que os nossos bons clientes antes da crise continuassem a ser os nossos bons clientes após a crise. Outra era manter o foco no negócio, garantindo apoio aos nossos parceiros a continuidade das operações à medida das suas necessidades. A terceira dimensão era, em simultâneo à anterior, salvaguardar a proteção dos nossos empregados e clientes que nos visitam. Nesse sentido, o principal consumo de energia foi a disponibilização de moratórias aos nossos clientes diretamente impactados pela Covid-19 (para particulares a moratória privada da ASFAC – Associação de Instituições de Crédito Especializado e para empresas e profissionais liberais a moratória pública) e o apoio aos nossos parceiros e clientes, com soluções E2E 100% digitais permitindo a gestão e contratação remota entre o banco e os seus parceiros e clientes. Em 15 dias mobilizámos 100% dos nossos colaboradores em teletrabalho, garantindo a continuidade das operações e salvaguardando a saúde dos nossos colaboradores e das suas famílias. Estamos agora a regressar progressivamente às instalações e ao terreno, em situação de segurança. Em termos de atividade, começámos a sentir a quebra da procura na segunda metade março e durante os meses de abril e maio recuámos 40% face a 2019. Em junho e julho a atividade já retomou completamente. Preocupamo-nos especialmente em reforçar a nossa imagem como o banco mais estável na atividade do crédito ao consumo nos momentos difíceis. A segurança que apresentámos aos nossos parceiros, e o acompanhamento dos clientes na sua maioria comuns, fazem parte da nossa razão de ser, isto apesar da pressão no risco de crédito, que todo o sistema financeiro sente neste momento e cuja “fatura” ainda está por determinar.

GA: Entre os vossos clientes, que percentagem recorreu à moratória?

MC: Para o Banco Credibom representou até julho cerca de 10%.

**GA: Por tipo de crédito quais os mais afetados?

MC: Em termos relativos não existiu diferenciação relevante. No caso do Banco Credibom, visto que a sua carteira apresenta um peso de 80% em crédito automóvel, naturalmente o peso das moratórias esteve alinhado com o seu peso da atividade. O produto de crédito representando 95% da nossa carteira, aglomerou a quase totalidade das nossas moratórias.

GA: No que ao financiamento automóvel diz respeito, os usados recuperaram mais depressa do que os novos?

MC: Claramente que sim. Várias explicações podem ser elencadas para esse cenário. Uma é que, genericamente e devido às suas estruturas de menor dimensão, os distribuidores de viaturas usadas tornaram-se, com o tempo, empresas mais ágeis a reagir em situações fora da zona de conforto e, consequentemente, mais rápidas nas adaptações necessárias. Outra é a paragem do negócio de rent-a-car em 2020, que normalmente significa entre 30 a 40% do mercado de novos. Por fim, a dificuldade de entrega em tempo útil de viaturas novas com a configuração desejada pelo cliente apresenta desafios aos concessionários de marca para manutenção do interesse do cliente.

GA: Tipo de cliente, quais as diferenças?

MC: Claramente, os clientes privados lideram a recuperação e em particular no financiamento automóvel. Isso é parcialmente explicado pelo risco de contágio desta pandemia e que promoveu a procura de transporte privado em detrimento da partilha na mobilidade. As empresas e os empresários em nome individual estão claramente mais cautelosos e apreensivos. Quanto ao crédito pessoal e lar, o mercado continua difícil, motivado pela mudança de hábitos do consumidor que se encontra agora mais resguardado e sem o impulso anterior.

Galp
Galp
"Quanto ao crédito pessoal, este mercado não voltará a ter a mesma dimensão nos próximos anos", afirma Miguel Couto

GA: Em que prazos poderá o mercado voltar a níveis de pré-pandemia?

MC: Assistimos a diferentes realidades. Enquanto a compra e financiamento de viaturas usadas já recuperaram a 100%, as viaturas novas necessitam do mercado empresas. Este mercado não recuperará em 2020 e encontra-se anémico nos particulares. O esforço de comunicação e promoções das marcas estão, e continuarão a estar, particularmente ativas até ao final do ano, de forma a tentar alterar a dinâmica. Quanto ao crédito pessoal, este mercado não voltará a ter a dimensão anterior nos próximos anos. A redução das maturidades máximas em abril deste ano combinada com a lei da solvabilidade em vigor redimensionará o mercado mesmo após efeito da Covid-19. Apenas os cartões de crédito poderão contrariar a tendência de redução do crédito pessoal, pelo menos enquanto o Banco de Portugal não mostrar o mesmo interesse no controlo do crédito ao consumo por esta via como fez nos restantes produtos. No que se refere ao mercado do financiamento lar, deverá retomar após desaparecer o risco de saúde provocado pela pandemia. De qualquer das formas, é muito cedo para percebermos o comportamento da recuperação. A economia ainda goza de um conjunto de apoios que serão cessados. De forma muito simplista, a evolução do impacto no desemprego, ditará a velocidade da recuperação sustentada.

GA: É de crer que o cliente médio terá mais risco de agora em diante?

MC: Em período de crise, o sistema financeiro é sempre afetado por uma subida extraordinária do incumprimento. É comum verificarmos a retração e a cautela do setor durante esses momentos, bem como o inverso em ciclos económicos favoráveis. Os comportamentos são cíclicos. O risco adicional na concessão de crédito resulta da incerteza em ciclo económico desfavorável como o que vivemos hoje, e em que medida esse cliente poderá ser afetado. Esta crise é mais desafiadora na antecipação dos seus efeitos, pois é transversal, supranacional e com características de interdependência únicas.

GA: Nesse sentido, pretendem reforçar a comercialização de soluções com seguros de crédito associado?

MC: O banco e o setor já oferecem múltiplas soluções de cobertura através dos seus produtos de seguro de proteção ao crédito. Os produtos são em norma facultativos, pelo que acontece nestes períodos de incerteza é um acréscimo da respetiva procura por parte dos clientes, em particular o de desemprego.

GA: Com a pandemia, os canais digitais ganharam o impulso definitivo?

MC: Sem dúvida. A pandemia funcionou como um acelerador para a transformação digital nas organizações, e mesmo os mais resistentes, céticos ou desconhecedores, ao serem confrontados com a necessidade, já verificaram as vantagens e possibilidades de muitas das soluções experimentadas durante este período. Foi um período em que a necessidade espoletou a abertura de uma serie de “janelas”.

GA: O Credibom integra um grande grupo bancário. Quais os objetivos para a presença no mercado português?

MC: Detido a 100% por um dos maiores grupos bancários europeus, o grupo Credit Agricole, o Credibom é um banco especializado no crédito ao consumo e uma referência no financiamento automóvel em Portugal, que disponibiliza a clientes e parceiros soluções de crédito flexíveis, transparentes e adequadas às suas necessidades. Em Portugal há mais de 20 anos, o Credibom presta um aconselhamento personalizado e transparente, procurando encontrar a melhor solução para cada caso. Temos a ambição de ser o melhor banco de crédito ao consumo em portugal, através do reconhecimento por parte dos nossos parceiros e clientes.