Quem disse que um citadino elétrico não pode fazer drift? A Geely E2 foi para a pista
A Geely encontrou uma forma pouco habitual de mostrar que um pequeno elétrico também pode ser divertido. Durante o Festival Interlagos 2026, no Brasil, a marca apresentou o E2 Street e o E2 Track, dois conceitos que levam o compacto de tração traseira para um território bem diferente daquele para que foi originalmente pensado.

Conhecido como EX2 no mercado brasileiro, o modelo assume na Europa a designação E2. E a sua configuração mecânica ajuda a perceber por que razão foi escolhido para esta experiência: tem tração traseira, suspensão independente nas quatro rodas e um centro de gravidade baixo.
De pequeno elétrico urbano a brinquedo de pista
O E2 Track é a versão que levou a brincadeira mais a sério. A Geely recorreu à configuração de tração traseira do modelo e decidiu explorar uma característica que normalmente não associamos a pequenos elétricos: a capacidade de proporcionar alguma diversão ao volante.
Para isso, a suspensão foi recalibrada e foram instaladas jantes de 17 polegadas com pneus 225/45. Mas a preparação não ficou pelo exterior.
Lá dentro, os bancos originais desapareceram e parte dos revestimentos foi retirada para poupar peso. No seu lugar surgiram bancos concha fixos e uma meia-gaiola de proteção, deixando bem claro que este E2 não foi pensado para transportar compras do supermercado. E depois há o detalhe que explica praticamente tudo: um travão de mão hidráulico.
Os controlos de tração e estabilidade também foram desligados, permitindo ao condutor explorar a traseira do pequeno elétrico e fazer aquilo que provavelmente nunca esteve no primeiro rascunho da lista de equipamentos do E2: drift.
A escolha do E2 para esta experiência não é assim tão descabida quanto parece. O pequeno modelo tem tração traseira, suspensão independente nas quatro rodas, travões de disco e um centro de gravidade baixo. Características que, num automóvel desenvolvido exclusivamente para a eficiência, poderiam passar despercebidas. Mas colocando-lhe uma suspensão preparada, retirando algum peso, desligando os sistemas que tentam manter tudo sob controlo e acrescentando um travão de mão hidráulico... De repente, temos um E2 com outras ambições.
É claro que isto não significa que qualquer E2 de série esteja pronto para entrar num circuito e começar a desenhar círculos de borracha. O Track é um exercício desenvolvido especificamente para utilização em pista e demonstrações. Mas demonstra que há mais possibilidades para um pequeno elétrico do que simplesmente ser eficiente, silencioso e fácil de estacionar.
E se preferires algo menos radical?
Para quem não pretende transformar o E2 num aspirante a piloto de drift, existe o E2 Street.
A fórmula é bem mais civilizada: suspensão modificada e rebaixada, jantes de 17 polegadas, pneus 225/45 de baixa resistência ao rolamento e um habitáculo com bancos revestidos em couro e Alcantara. Aqui, a ideia passa por mostrar uma preparação que poderia ser mais facilmente adaptada a um automóvel de estrada, sem levar a transformação ao extremo do Track. É, portanto, a diferença entre dizer “quero que o meu E2 pareça mais desportivo” e “quero que o meu E2 deixe de gostar de andar direito”.
Por enquanto, fica pela demonstração
Apesar do entusiasmo que estes dois conceitos podem despertar, há uma coisa importante a esclarecer: não estamos perante novas versões de produção do E2.
O Street e o Track foram criados para o Festival Interlagos e servem sobretudo para mostrar o potencial de personalização e o lado mais divertido do pequeno elétrico. Ainda assim, a ideia é curiosa. Num mercado onde os elétricos são muitas vezes apresentados através de números de autonomia, carregamento e eficiência, a Geely decidiu falar de outra coisa: diversão.
E talvez seja precisamente isso que torna o E2 Track tão interessante. Porque um pequeno elétrico de tração traseira a fazer drift não era propriamente aquilo que esperávamos ver no catálogo de um citadino. Mas agora que vimos... queremos saber até onde conseguiria ir.








