Carta de condução com tutores: regras, requisitos e nova legislação de 2026
Tirar a carta de condução em Portugal está prestes a tornar-se um processo mais familiar e financeiramente mais leve. Graças às novas regras aprovadas em janeiro de 2026, pais, avós ou amigos podem agora assumir um papel central na formação prática dos novos condutores, substituindo parte das tradicionais aulas pagas por quilómetros de experiência acompanhada.

Portugal assiste a uma mudança de paradigma no que toca à formação de novos condutores. Historicamente centrado quase exclusivamente no ambiente das escolas de condução, o sistema nacional abriu portas a um modelo híbrido. A legislação atual permite que, após uma base obrigatória de formação profissional, o candidato possa acumular quilómetros e confiança ao lado de um tutor. Esta medida visa combater a falta de experiência prática que muitas vezes leva a acidentes nos primeiros anos de carta, permitindo que o aluno pratique em contextos reais e variados sem a pressão financeira do custo por hora das aulas tradicionais.
Condições para exercer a tutoria
Para que uma pessoa possa assumir a responsabilidade de tutor, a lei impõe critérios rigorosos que garantem a segurança rodoviária. Não basta ser encarregado de educação ou possuir carta de condução há vários anos. O tutor deve ter, no mínimo, dez anos de habilitação na categoria B e apresentar um registo de condutor exemplar, o que significa a inexistência de infrações graves ou muito graves nos últimos cinco anos.
Além disso, a lei é clara quanto à natureza desta ajuda: o tutor não pode receber qualquer pagamento pelo ensino, sendo esta uma atividade baseada exclusivamente na cooperação pessoal ou familiar.
A condução acompanhada não substitui o papel fundamental das escolas de condução, servindo antes como um complemento.
Antes de poder circular com um tutor, o jovem tem de superar várias etapas legais. É obrigatório que o aluno tenha já frequentado e completado com sucesso a formação teórica e, no que toca à prática, deve ter realizado um mínimo de doze horas de condução e percorrido pelo menos 250 quilómetros com um instrutor certificado. Só após este período de segurança inicial é que a escola de condução pode validar a passagem para a fase de tutoria, garantindo que o aluno já domina os comandos básicos do veículo.
Regras de Circulação e Limites de Segurança
Durante o período de prática com o tutor, o veículo utilizado deve cumprir requisitos específicos de identificação e segurança. É obrigatória a afixação de um dístico azul e amarelo com a palavra "TUTOR", visível na parte frontal e traseira do automóvel. A circulação está limitada a território nacional e existem restrições geográficas importantes, como a proibição total de conduzir em autoestradas ou vias equiparadas. Além disso, o tutor deve estar atento à sua responsabilidade legal, uma vez que, para efeitos de infrações de trânsito, é ele o responsável pelas ações do aluno, devendo ainda garantir que o seguro do veículo contempla explicitamente esta modalidade de aprendizagem.
O Novo Enquadramento de 2026 e a Redução de Custos
As alterações introduzidas no início de 2026 vieram simplificar o processo administrativo para a inscrição de tutores junto do IMT e das escolas de condução. Com a nova regulamentação, as famílias conseguem agora uma redução significativa no pacote de aulas práticas obrigatórias, uma vez que o sistema reconhece as horas passadas com o tutor como parte integrante da experiência necessária para o exame.
A decisão do Governo de permitir que os jovens aprendam a conduzir com tutores, em alternativa às escolas de condução, está a dividir o setor rodoviário. Enquanto o novo diploma de 2026 promete facilitar o acesso à carta de condução e reduzir a carga de aulas obrigatórias, instituições como o ACP e as associações de escolas de condução alertam para os riscos de segurança e para a perda de rigor técnico.







