Dakar 2023. Uma semana para trás, uma semana pela frente
Já vai a meio a maior aventura de todo-o-terreno do Mundo. Desde a partida nas margens do Mar Vermelho, no último dia de 2022 foram já muitos os quilómetros percorridos nos desertos sauditas, com muitas surpresas (e desilusões) pelo caminho. Com mais uma semana pela frente, é hora de recapitularmos.

Audi a maior perdedora
Tudo apontava para que fossem uma das grandes forças da edição deste ano, do Rali Dakar. Os carros da marca alemã renovaram-se para este ano, com o objetivo claro de conquistar o primeiro lugar. O destino, no entanto, tinha outros planos. O arranque foi promissor, com o pior dos Audi , Mattias Ekstrom, a rodar no oitavo lugar à entrada da etapa seis e Peterhansel no encalce de Nasser Al-Attiyah e a dar luta ao qatari.
A sexta tirada, infelizmente, seria fatal para as aspirações dos homens de Ingolstadt. Primeiro foi Peterhansel a cair num buraco, destruir o Audi e obrigar o seu navegador Edouard Boulanger a ser transportado para o hospital. Momentos depois, e exatamente no mesmo local, seria a vez de Carlos Sainz deitar tudo a perder. O madrileno seguia no encalce do colega de equipa e acabou por ser traído pela mesma armadilha. O resultado: Peterhansel de fora da prova e Sainz com 1 dia de atraso na classificação que entretanto se extendeu a mais de 60 horas!
Para ajudar à “festa” Mattias Ekstrom acertou numa pedra na etapa 8, destrui a roda suspensão traseira esquerda do Audi e teve que esperar por Carlos Sainz que o ajudou a transplantar os componentes de um carro para o outro. O sueco é agora 28º da geral a 38 horas do líder Quem se ficou a rir, figurativamente claro, foi Al-Attiyah que tem as portas abertas para mais um triunfo. Com os principais rivais agora muito longe na classificação, o piloto da Toyota Hilux preparada pela Overdrive, tem já mais de uma hora de avanço sobre Henk Lategan, seu colega de equipa, com o brasileiro Lucas Moraes num surpreendente terceiro lugar.
Sebastian Loeb roda no quarto lugar, procura ainda um lugar no pódio e, quem sabe, algo mais no caso de problemas com as Toyota lá na frente.. Este dia de descanso será importante para recuperar energias e encontrar a resistência para enfrentar uma segunda semana que não será mais fácil que a primeira, com a maratona pelo deserto do “Empty Quarter” a prometer muitas surpresas.
A história da classe motard no Dakar tem sido substancialmente menos atribulada que em anos anteriores. Apesar disto, o Rali começou com uma desistência de peso, logo à primeira etapa, com Sam Sunderland a sofrer uma queda e a abandonar no primeiro dia do ano. O vencedor do ano passado bateu numa pedra. escondida num leito de rio seco. e acabou por não evitar uma queda violenta. O australiano viria mesmo a ser hospitalizado com uma omoplata partida e vários hematomas, para além de um ego ferido. Ossos do ofício, com certeza, não impedirão Sunderland de estar presente no próximo ano. 
Daí para frente o destaque, felizmente, tem sido apenas a competição com Skyler Howes, em Husqvarna, a liderar por uns mínimos 13 segundos sobre as KTM Kevin Benavides e Mason Klein, ambos com o mesmo tempo. Mais atrás vem Toby Price a 1 minuto e 58 segundos do líder com Pablo Quintanilla a fechar o Top 5, com a primeira das Honda a rodar a 2 minutos e 45 segundos de Skyler Howes.
Ao contrário das restantes categorias, os motards tiveram a oportunidade de descansar no Sábado a etapa a ser cancelada devido ao mau tempo que se fez sentir na região. Este dia de descanso adicional será importante nesta semana que se segue, com ainda muito por decidir na classificação.






