Porsche: A história do ‘Ducktail’, o aileron traseiro do novo 911 Classic
Na semana passada a Porsche apresentou o Porsche 911 Classic. O segundo produto, de um total de quatro, enquadrado na estratégia da marca, ‘Heritage Design’.

De acordo com a comunicação da Porsche, serão produzidas 1250 unidades do Porsche 911 Classic, uma série especial revivalista do estilo do início dos anos 70.
Inspirado no original 911, o 911 Classic apresenta-se com uma carroçaria alargada, usada nas versões ‘Turbo’, bem como um spoiler traseiro fixo inspirado no spoiler ‘ducktail’ do Carrera RS 2.7 de 1972.
Já sabemos que usa o mesmo motor da versão Turbo, mas enquanto o Turbo se apresenta com 580 cavalos, o Classic debita 550 cavalos (o Turbo S, também com o mesmo bloco debita 650 cavalos). Equipado com uma caixa manual e com a potência toda nas rodas traseiras, o Classic representa perfeitamente a abordagem da marca nos anos 70.
Mas a nossa curiosidade vai para o spoiler ducktail (‘rabo de pato’) da Porsche, um spoiler tão icónico como o 911.
Em 1972, a Porsche lançou o 911 RS 2.7 de estrada. Fê-lo por necessidade: era necessário homologar peças para o carro de corrida. Inicialmente, os planos da marca previam 500 unidades apenas, mas foram produzidas 1525 unidades dessa versão.
O Porsche 911 RS 2.7 de estrada usava um motor de seis cilindros, com 212 cavalos e menos de 1000 Kgs de peso. Capaz de uma aceleração dos 0 aos 100 em apenas 5,6 segundos e uma velocidade de ponta de 240 Kmh.
Foi o primeiro modelo de ‘competição’ oferecido ao público e é unanimemente considerado um dos melhores Porsche de sempre.
A verdade é que este carro representou um salto de performance para o 911. Na altura, o Porsche 911 era relativamente pequeno e debatia-se com problemas próprios quando competia com carros maiores como os Ferrari ou os de Tomaso Pantera. Limitações de espaço para fazer crescer o motor e segurar a traseira a alta-velocidade eram algumas dessas limitações.
O carro apresentava alguma instabilidade a alta-velocidade, e o departamento de engenharia ‘achou por bem’ incluir alguns dispositivos aerodinâmicos na frente e na traseira, incluindo o famoso spoiler ducktail, que foi a primeira asa feita para um 911.
O mais engraçado da história parece ser o facto da expressão ‘ducktail’ não ter sido referida oficialmente pela Porsche , nem ter sido avançada como um elogio.
Aparentemente, o departamento de Marketing da Porsche não acreditava no sucesso de vendas do Porsche 911 RS 2.7. Consideravam ser difícil vender um Porsche de ‘estrada’ ultra-ligeiro, com cortes de equipamento e desconfortável (a ideia inicial até era vender apenas 500 unidades). Nessas considerações, o departamento de marketing ter-se-á referido à asa traseira como: ‘parece o rabo de um pato’ (‘it looks like a ducktail’). Mas essa expressão foi mais uma crítica e não um elogio.
No final, o RS 2.7 acabou por ser, provavelmente, a série especial mais bem sucedida do Porsche 911 .
E a expressão ‘ducktail’ ficou!







