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SMARTCAR ou o fim dos carros?

Não sou o maior apologista de carros cada vez mais tecnológicos. Na verdade, muita gente que conheço e com quem falo também não o é. Mas isso não significa que me oponha toda a evolução tecnológica.

Rafael Aragão
Rafael Aragão
SMARTCAR ou  o fim dos carros?

Acho muito bem que haja cada vez mais sistemas de segurança, eficientes, que nos ajudam a evitar acidentes. O problema só começa quando muitos dos sistemas que equipam os carros hoje em dia, em vez de ajudar, atrapalham. Felizmente, algumas tecnologias mais modernas têm um botão para desativar. Infelizmente, outras nem tanto.

É quase automático: assim que entro num carro com lane assist – o sistema que ajuda o carro a manter-se dentro da faixa de rodagem – procuro logo o botão para o desativar ou, caso me esqueça, rapidamente me recordo assim que o volante mexe contra a minha vontade ou assim que o carro apita bastante alto quando me desvio ligeiramente para cima das guias na estrada. Não digo que seja uma má tecnologia, mas a maneira como intervém nem sempre é a melhor. Se estiver com atenção à estrada lá está ela a mexer o volante, agora sempre que me distraio e dou por mim quase a esbarrar contra o rail lateral, ninguém sabe dela. Obrigadinho!

Outras das que me aborrece bastante são aquelas que possibilitam “falar” com o carro. Atenção, não digo que seja uma má ideia. Um dos meus sonhos de criança é poder ter um KITT com quem falar enquanto conduzo. Mas é um KITT e não um adolescente com a atenção de uma batata que não só não percebe o que dizemos como ainda parece gozar connosco. “Carro, diminuir a temperatura do ar condicionado”... “Muito bem, aqui tem uma tosta de caramelo salgado”! Isto não é tecnologia. É preguiça. Mas depois vêm as marcas apregoar que podemos falar com os carros e que isso nos ajuda. Não ajuda! Demora mais tempo porque 90% das vezes temos de ser nós a fazermos aquilo que pedimos ao carro, ou porque nos ouviu mal ou porque tem a capacidade de processamento de um festivaleiro em ácidos.

Xpeng G9
Xpeng G9
Os sistemas de segurança estão cada vez melhores, mas alguns parecem-me servir, apenas, para encarecer o preço de venda.
SMARTCAR ou  o fim dos carros?

Agora, se falarmos de radares de aproximação, travagem automática de emergência em cidade, avisos de fadiga ou chamadas automáticas para o 112 em caso de acidente, isso é outra coisa.

Os sistemas de segurança estão cada vez melhores, mas alguns parecem-me servir, apenas, para encarecer o preço de venda. Aqui entra a estratégia das marcas. Compreendo e concordo que a tecnologia seja um fator que se deva aproveitar para promover um carro, mas de uma forma concreta e inteligente. Porquê vender um carro com Apple Car Play mas não com Android Auto? Ou vice-versa? Porque não vender com ambos, já que é uma tecnologia que basta instalar no software do carro?

Interior

Ou então o comprador decidir qual quer? E depois custam uma pipa de massa! Quem diz estes sistemas diz outros. Porque não vender pacotes de sistemas de segurança a preços mais simpáticos para que se tornem, eles próprios, fatores de decisão e não, como em muitos casos, caprichos caros na hora de decidir extras? Porquê vender uma câmara traseira a muitas centenas de euros quando um amigo meu instalou, no seu velho Nissan Almera, uma que mandou vir da China por menos de 20 euros já com um pequeno ecrã e com uma instalação relativamente simples? Bem sei que o mercado é assim mesmo e algumas decisões são estratégicas para as marcas e afetam muitas coisas, desde preços de venda a mix de vendas em vários mercados, mas a tecnologia, se queremos mesmo que seja algo válido e útil para a segurança e experiência de condução – e que evolua cada vez mais e melhor – deve deixar de ser um capricho e passar a ser uma utilidade. Algumas marcas já o perceberam e começam a disponibilizar, de origem, packs muito interessantes de tecnologia, tanto ao nível da segurança como ao nível do entretenimento, mas infelizmente, o preço é algo muito importante na hora de comprar um carro e sinto que se está a dar muita atenção à tecnologia e deixar o carro e a condução um pouco para segundo plano.

SMARTCAR ou o fim dos carros?

Não sou o maior apologista de carros cada vez mais tecnológicos. Na verdade, muita gente que conheço e com quem falo também não o é. Mas isso não significa que me oponha toda a evolução tecnológica.

Rafael Aragão
Rafael Aragão
SMARTCAR ou  o fim dos carros?

Acho muito bem que haja cada vez mais sistemas de segurança, eficientes, que nos ajudam a evitar acidentes. O problema só começa quando muitos dos sistemas que equipam os carros hoje em dia, em vez de ajudar, atrapalham. Felizmente, algumas tecnologias mais modernas têm um botão para desativar. Infelizmente, outras nem tanto.

É quase automático: assim que entro num carro com lane assist – o sistema que ajuda o carro a manter-se dentro da faixa de rodagem – procuro logo o botão para o desativar ou, caso me esqueça, rapidamente me recordo assim que o volante mexe contra a minha vontade ou assim que o carro apita bastante alto quando me desvio ligeiramente para cima das guias na estrada. Não digo que seja uma má tecnologia, mas a maneira como intervém nem sempre é a melhor. Se estiver com atenção à estrada lá está ela a mexer o volante, agora sempre que me distraio e dou por mim quase a esbarrar contra o rail lateral, ninguém sabe dela. Obrigadinho!

Outras das que me aborrece bastante são aquelas que possibilitam “falar” com o carro. Atenção, não digo que seja uma má ideia. Um dos meus sonhos de criança é poder ter um KITT com quem falar enquanto conduzo. Mas é um KITT e não um adolescente com a atenção de uma batata que não só não percebe o que dizemos como ainda parece gozar connosco. “Carro, diminuir a temperatura do ar condicionado”... “Muito bem, aqui tem uma tosta de caramelo salgado”! Isto não é tecnologia. É preguiça. Mas depois vêm as marcas apregoar que podemos falar com os carros e que isso nos ajuda. Não ajuda! Demora mais tempo porque 90% das vezes temos de ser nós a fazermos aquilo que pedimos ao carro, ou porque nos ouviu mal ou porque tem a capacidade de processamento de um festivaleiro em ácidos.

Galp
Galp
Os sistemas de segurança estão cada vez melhores, mas alguns parecem-me servir, apenas, para encarecer o preço de venda.
SMARTCAR ou  o fim dos carros?

Agora, se falarmos de radares de aproximação, travagem automática de emergência em cidade, avisos de fadiga ou chamadas automáticas para o 112 em caso de acidente, isso é outra coisa.

Os sistemas de segurança estão cada vez melhores, mas alguns parecem-me servir, apenas, para encarecer o preço de venda. Aqui entra a estratégia das marcas. Compreendo e concordo que a tecnologia seja um fator que se deva aproveitar para promover um carro, mas de uma forma concreta e inteligente. Porquê vender um carro com Apple Car Play mas não com Android Auto? Ou vice-versa? Porque não vender com ambos, já que é uma tecnologia que basta instalar no software do carro?

Interior

Ou então o comprador decidir qual quer? E depois custam uma pipa de massa! Quem diz estes sistemas diz outros. Porque não vender pacotes de sistemas de segurança a preços mais simpáticos para que se tornem, eles próprios, fatores de decisão e não, como em muitos casos, caprichos caros na hora de decidir extras? Porquê vender uma câmara traseira a muitas centenas de euros quando um amigo meu instalou, no seu velho Nissan Almera, uma que mandou vir da China por menos de 20 euros já com um pequeno ecrã e com uma instalação relativamente simples? Bem sei que o mercado é assim mesmo e algumas decisões são estratégicas para as marcas e afetam muitas coisas, desde preços de venda a mix de vendas em vários mercados, mas a tecnologia, se queremos mesmo que seja algo válido e útil para a segurança e experiência de condução – e que evolua cada vez mais e melhor – deve deixar de ser um capricho e passar a ser uma utilidade. Algumas marcas já o perceberam e começam a disponibilizar, de origem, packs muito interessantes de tecnologia, tanto ao nível da segurança como ao nível do entretenimento, mas infelizmente, o preço é algo muito importante na hora de comprar um carro e sinto que se está a dar muita atenção à tecnologia e deixar o carro e a condução um pouco para segundo plano.