Alpine em perigo no novo plano Renault
O regresso da Alpine, que voltou em 2018 com o desportivo A110, pode ter sido fugaz. Isto porque, no âmbito do plano de transformação a três anos apresentado pela Renault, a marca pode ser descontinuada. A fábrica de Dieppe (França), de onde saem os Alpine, vai ter de ser alvo de um profundo processo de mudança e isso pode ditar o fim dos desportivos da marca francesa. Tem a palavra, agora, Luca de Meo, que assumirá as funções de CEO do grupo Renault 1 de julho.

Para já, Jean-Dominique Senard, presidente do conselho de administração da Renault, não se compromete com o futuro da Alpine. “Teremos de olhar de forma muito séria para o futuro desta marca para vermos como pode continuar a trazer o seu valor acrescentado ao grupo. Teremos de ver este assunto com Luca de Meo, porque é uma questão de visão estratégica para esta marca, sobre como poderemos continuar a tê-la no grupo e como poderemos tirar vantagem do seu valor”, avançou na conferência de imprensa de apresentação do plano da Renault , o executivo. “Em relação à fábrica de Dieppe, é bastante óbvio que não podemos continuar como hoje. Esta fábrica não produz o número suficiente de veículos para podermos considerar o futuro de forma serena. Tal como fizemos com a Brittanny, discutiremos com todos ‘stake holders’, incluindo as autoridades locais, e veremos como podemos continuar a acrescentar valor à fábrica de Dieppe, já que esta integra pessoas que são apaixonada pela Alpine e, obviamente, todos sabemos a excelente reputação da Alpine . Há muita competência nesta fábrica que temos de assegurar que é usada de forma produtiva. Vamos pensar nisso em conjunta, mas não podemos manter o ‘status quo’, isso é claro”, indica Jean-Dominique Senard. O plano de transformação a três anos da Renault tem o objetivo obter poupanças anuais superiores a dois mil milhões de euros, relançando as bases para uma melhoria da competitividade. O projeto de ajustamento dos efetivos terá por base medidas de reconversão, de mobilidade interna e de saídas voluntárias e terá um custo de 1,2 mil milhões de euros. Ao todo serão perto de 15 mil empregos cortados em todo o mundo, 4600 dos quais em França. O grupo Renault pretende, então, ajustar os seus efetivos, “mas compromete-se a que tal seja feito através de um diálogo exemplar com os parceiros sociais e as autoridades locais”. As dificuldades da situação do grupo, a crise excecional que atravessa a indústria automóvel provocada pela pandemia de Covid-19 e a urgência ligada à transição ecológica, são os imperativos que levam a empresa a acelerar a sua transformação. “A rentabilidade em vez de volumes, sem prejuízo do plano de lançamentos será tido em atenção”, avançou na conferência de imprensa, a diretora financeira, e CEO interina, do grupo Renault , Clotilde Delbos.
Fora de França não haverá encerramentos de fábricas, logo o complexo de Cacia, em Aveiro, manterá a sua atividade normal.
Fábrica portuguesa não estará em perigo
A marca não dá detalhes ainda sobre a forma como os cortes irão afetar a operação do construtor à escala mundial. Em França, o plano articula-se em torno de polos de atividades estratégicas para o futuro: os veículos elétricos, os veículos comerciais ligeiros, a economia circular e a inovação de grande valor acrescentado. Das 14 unidades industriais do construtor em território gaulês, três deverão fechar. Fora de França, não deverá haver encerramentos de fábricas. Recorde-se que o construtor é um grande empregador em Portugal e tem presença industrial em Aveiro (Cacia), onde produz caixas de velocidades e outros componentes para motores de automóveis da Aliança Renault-Nissan-Mitsubishi.
“Haverá muito poucas fábricas a serem encerradas. O único exemplo é Choisi-Le-Roi, que será, na verdade, ser transferido para Flins [ambas em França]. Portanto, não vamos simplesmente fechar a fábrica e acabar com todos os emprego. Portanto, há uma estratégia a implementar em todas as unidades fabris, pelo que, nem em França nem em outros países, à parte do exemplo que dei, não haverá encerramentos de fábricas”, refere Clotilde Delbos,
“Tenho toda a confiança nas nossas capacidades e pontos fortes, nos nossos valores e na direção da empresa para levar a cabo esta necessária transformação e para elevar, através deste plano, o valor do nosso grupo. As evoluções projetadas são fundamentais para assegurar a perenidade da empresa e o seu desenvolvimento a longo prazo. Será coletivamente, e com o apoio dos nossos parceiros da Aliança, que seremos capazes de atingir os nossos objetivos e de fazer do grupo Renault um ator principal na indústria automóvel, nos próximos anos. Temos plena consciência da nossa responsabilidade, e a transformação apenas poderá ser atingida respeitando todas as entidades do grupo e no quadro de um diálogo social exemplar”, disse Jean-Dominique Senard, presidente do conselho de administração da Renault .





