Fatores que influenciam o desgaste dos pneus e a sua duração
Todos os condutores preocupam-se com o custo de utilização das suas viaturas, nomeadamente com combustível, revisões, inspeções, seguros e impostos. Procuramos sempre maximizar os recursos disponíveis e aumentar a poupança possível. No meio de tantos custos, importa destacar a relevância de uma correta manutenção para prolongar a vida útil de um dos elementos-chave do veículo: os pneus. Os pneus são determinantes para a segurança, bem como para a eficiência e o custo de utilização. No entanto, o seu desgaste não depende apenas do tempo ou dos quilómetros percorridos. Existem múltiplos fatores, relacionados com o estilo de condução, com o próprio veículo e com o meio envolvente, que podem acelerar significativamente a sua deterioração, caso não sejam geridos de forma adequada. Conhecer esses fatores e adotar boas práticas permite prolongar a vida útil dos pneus e otimizar o desempenho do veículo. Nesse sentido, o Guia do Automóvel procurou identificar alguns dos elementos que influenciam a longevidade dos pneus.

1. Estilo de condução
O estilo de condução é um dos fatores que mais afetam o desgaste dos pneus. Quanto mais se exigir do pneu, em aceleração, em travagem, e em curva, maior será o seu desgaste. Cuidado com as acelerações fortes, especialmente nos veículos elétricos, mais pesados, e com entrega de potência instantânea. Se conduzirmos muito próximos da berma da estrada, o desgaste do pneu tende a ser maior.
2. Verificar pressões
Todos os pneus perdem ar com a passagem do tempo. Circular com a pressão dos pneus incorreta reduz a segurança, diminui a aderência, aumenta o consumo de combustível e eleva o risco de rebentamento, além de provocar desgastes irregulares e prematuros. Cuidado com os pneumáticos de baixo perfil, mais sensíveis às pressões incorretas e verifica as pressões pelo menos uma vez por mês (o perfeito seria fazer uma verificação semanal), e sempre antes de uma viagem longa.
3. Carga do veículo
O nível de carga, tanto de passageiros, como de bagagem, influencia a vida útil do pneu, ao aumentar as exigências nas acelerações, nas travagens, e em curva. Cuidado com o transporte de carga desnecessária no veículo, com a distribuição da carga na bagageira - deves colocar os objetos mais pesados no fundo da bagageira e os mais leves na extremidade -, e a pressão dos pneus ao nível da carga.
4. Alinhamento do veículo
Fazer o alinhamento da direção anualmente e cada vez que se troca os pneus é fundamental não só para a segurança - ao melhorar a estabilidade do carro -, como para a prática de melhores consumos.
5. Desgaste dos Amortecedores/Suspensão
Os amortecedores garantem o contacto do pneu com a estrada. O seu desgaste gera mais movimentos verticais da roda, reduz a aderência, e provoca uma deterioração irregular do pneu.
6. Tempos de imobilização
Os veículos que permanecem parados durante longos períodos podem sofrer deformações nos pneus, e degradação da borracha, mesmo em garagem. Digamos que quando o carro está muito tempo parado, tem todo o seu peso em cima de um dos lados do pneu, tornando este último num “quadrado” como se costuma dizer.
É sempre aconselhável recorrer a um profissional para efetuar qualquer tipo de operação ou inspecionar eventuais danos nos pneus.
7. Tipo e estado das estradas
Em Portugal, encontramos todo o tipo de estradas. Não sendo possível utilizar um tipo de pneu específico para cada uma, é importante adotar alguns cuidados na condução que ajudem a aumentar a longevidade dos pneus. No caso do asfalto abrasivo - uma superfície de rodagem extremamente áspera, composta por agregados minerais resistentes, concebida para aumentar a aderência dos pneus e reduzir a aquaplanagem -, o desgaste tende a ser mais acentuado. Já em estradas com as chamadas “crateras”, podem ocorrer danos como cortes ou protuberâncias nos flancos dos pneus. Em terra batida, o desgaste e os impactos também exigem maior atenção. Uma vez que os condutores não podem escolher o tipo de pavimento em que circulam, o mais importante é manter uma condução suave e adaptada a qualquer superfície.
8. Condições ambientais
Com temperaturas elevadas, a borracha degrada mais rápido; com o frio extremo, pode endurecer o composto e gerar fissuras; com a exposição ao sol (UV), resseca e envelhece o pneu; A água, lama e produtos químicos, podem deteriorar a borracha ao longo do tempo Cuidado ao estacionar durante longos períodos ao sol.
9. Qualidade e tipo de pneu
Obviamente que a qualidade do pneu também afeta diretamente a longevidade do mesmo. Apesar de todos procurarmos poupar no custo dos pneus, há que o fazer com responsabilidade. Costuma-se dizer que o barato, por vezes, sai caro.
10. Rotação de pneus
Nem todos os pneus apresentam o mesmo desgaste. Regra geral, os pneus dianteiros desgastam-se mais rapidamente, uma vez que estão mais sujeitos às forças de travagem e de direção. Nos veículos com tração dianteira, os pneus da frente tendem a desgastar-se significativamente mais depressa. Já nos automóveis com tração traseira, verifica-se o inverso. Sempre que realizar o alinhamento da direção - por exemplo, antes de uma inspeção - é aconselhável solicitar também a rotação dos pneus, desde que não exista diferença de dimensões entre os eixos. Num veículo com tração dianteira (o mais comum), os pneus da frente devem passar para trás, mantendo o mesmo lado, enquanto os pneus traseiros passam para a frente, invertendo os lados. Já num veículo com tração traseira, os pneus de trás passam para a frente (no mesmo lado), e os da frente passam para trás, invertendo os lados. Se o veículo estiver equipado com pneus direcionais (com sentido de rotação definido), a troca deve ser feita apenas entre os eixos - da frente para trás e vice-versa - mantendo sempre o mesmo lado. Isto porque estes pneus foram concebidos para rodar num único sentido, permitindo expulsar a água de forma mais eficiente, reduzir o risco de aquaplanagem e melhorar a estabilidade em piso molhado. Quando rodam no sentido correto, a água é “expulsa” para fora da área de contacto com o solo. De referir que a rotação dos pneus é recomendada, em média, a cada 10.000 quilómetros.
11. Manutenção
Para além de verificarmos regularmente a pressão dos pneus, devemos também tirar todas as pedras que ficam entaladas nos pneus e ter em atenção aos produtos utilizados na limpeza.
Como saber quando os pneus precisam de ser substituídos?
A legislação define que a profundidade mínima do piso dos pneus para automóveis, comerciais e veículos 4x4 deve ser de, pelo menos, 1,6 mm.







