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120 minutos sem fogo, nem explosões: a nova regra que vai mudar a segurança dos carros elétricos

A partir de 1 de julho de 2026, a China passará a aplicar a norma GB 38031-2025. Mais do que uma simples atualização regulamentar, trata-se de uma mudança estrutural que eleva drasticamente as exigências de segurança e pretende reduzir ao mínimo o risco de incêndios espontâneos em veículos elétricos (VEs).

Catarina Resende
Catarina Resende
120 minutos sem fogo, nem explosões: a nova regra que vai mudar a segurança dos carros elétricos

Num setor onde o receio de incêndios espontâneos ainda trava muitos consumidores, esta legislação surge como um "atestado de maturidade", exigindo que as baterias sejam tecnicamente incapazes de explodir ou propagar chamas, mesmo em cenários de falha catastrófica.

Até agora, a indústria operava sob uma premissa de "tempo de fuga". As normas internacionais anteriores focavam-se em garantir que, caso uma bateria entrasse em combustão, os passageiros tivessem uma janela de cinco minutos para abandonar o habitáculo. A nova norma chinesa de 2026 estilhaça este conceito ao exigir uma neutralidade térmica total por, pelo menos, 120 minutos. Isto significa que, perante uma "fuga térmica" (thermal runaway), o sistema deve conter o calor e os gases de tal forma que o veículo não apresente chamas exteriores nem fumo tóxico na cabine durante duas horas, dando tempo suficiente para que equipas de resgate intervenham mesmo em acidentes complexos onde os ocupantes estejam encarcerados.

Para atingir este patamar de segurança, os engenheiros estão a ser forçados a abandonar as arquiteturas convencionais. O foco mudou para a contenção ao nível da célula, utilizando materiais de isolamento de "era espacial".

O uso de aerogéis de sílica, materiais extremamente leves conhecidos como "fumo sólido", tornou-se a solução padrão para criar barreiras térmicas entre as células, impedindo que o calor de uma unidade danificada (que pode ultrapassar os 800°C) incendeie as vizinhas. Complementarmente, o uso de placas de mica e cerâmica no topo do pack de baterias funciona como um escudo térmico que blinda o habitáculo contra o calor extremo.

No entanto, a norma não se limita a testar a bateria em repouso: ela introduz o conceito de "abuso mecânico inferior", focando-se nos incidentes mais comuns do dia-a-dia.

A partir de 2026, os carros terão de superar testes brutais onde o fundo da bateria é deliberadamente atingido por percutores metálicos e raspado contra obstáculos rígidos, simulando o embate em pedras ou lombadas altas. Além disso, as baterias serão testadas em condições de stress extremo, como o curto-circuito imediato após ciclos de carregamento ultrarrápido. Se a bateria for perfurada ou sofrer um choque elétrico nestas condições, ela tem de provar que consegue manter-se inerte, sem fogo, por aquelas mesmas duas horas.

Embora esta seja uma norma nacional chinesa, o seu impacto é de facto global. Como a China controla cerca de 70% da cadeia de fornecimento de baterias e marcas como a CATL e a BYD fornecem gigantes como a Tesla, BMW e Mercedes-Benz, o custo de manter duas linhas de produção diferentes, uma segura para a China e outra menos rigorosa para o resto do mundo, seria incomportável. Assim, a norma GB 38031-2025 acaba por se tornar o padrão global de facto, forçando a União Europeia e os Estados Unidos a adaptarem as suas próprias regulações para não ficarem com veículos tecnicamente obsoletos. Ao eliminar a "ansiedade do incêndio", a indústria prepara-se para transformar o veículo elétrico num meio de transporte inerentemente mais seguro do que os tradicionais modelos a combustão.

Portugal não fabrica células de bateria em larga escala, mas importa quase todos os seus veículos elétricos de marcas que dependem da tecnologia chinesa (como a BYD ) ou de marcas europeias (como o Grupo VW, Renault ou Stellantis) que utilizam baterias da CATL ou de subsidiárias que seguem os padrões globais. Como as fábricas não querem produzir dois tipos de bateria: uma "ultra-segura" para a China e outra "menos segura" para a Europa, os carros que chegarem ao mercado nacional em 2026/2027 já trarão estas melhorias integradas.

120 minutos sem fogo, nem explosões: a nova regra que vai mudar a segurança dos carros elétricos

A partir de 1 de julho de 2026, a China passará a aplicar a norma GB 38031-2025. Mais do que uma simples atualização regulamentar, trata-se de uma mudança estrutural que eleva drasticamente as exigências de segurança e pretende reduzir ao mínimo o risco de incêndios espontâneos em veículos elétricos (VEs).

Catarina Resende
Catarina Resende
120 minutos sem fogo, nem explosões: a nova regra que vai mudar a segurança dos carros elétricos

Num setor onde o receio de incêndios espontâneos ainda trava muitos consumidores, esta legislação surge como um "atestado de maturidade", exigindo que as baterias sejam tecnicamente incapazes de explodir ou propagar chamas, mesmo em cenários de falha catastrófica.

Até agora, a indústria operava sob uma premissa de "tempo de fuga". As normas internacionais anteriores focavam-se em garantir que, caso uma bateria entrasse em combustão, os passageiros tivessem uma janela de cinco minutos para abandonar o habitáculo. A nova norma chinesa de 2026 estilhaça este conceito ao exigir uma neutralidade térmica total por, pelo menos, 120 minutos. Isto significa que, perante uma "fuga térmica" (thermal runaway), o sistema deve conter o calor e os gases de tal forma que o veículo não apresente chamas exteriores nem fumo tóxico na cabine durante duas horas, dando tempo suficiente para que equipas de resgate intervenham mesmo em acidentes complexos onde os ocupantes estejam encarcerados.

Xpeng G9
Xpeng G9
A segurança deixa de ser um temporizador de fuga de cinco minutos para se tornar uma blindagem absoluta de duas horas contra o fogo.

Para atingir este patamar de segurança, os engenheiros estão a ser forçados a abandonar as arquiteturas convencionais. O foco mudou para a contenção ao nível da célula, utilizando materiais de isolamento de "era espacial".

O uso de aerogéis de sílica, materiais extremamente leves conhecidos como "fumo sólido", tornou-se a solução padrão para criar barreiras térmicas entre as células, impedindo que o calor de uma unidade danificada (que pode ultrapassar os 800°C) incendeie as vizinhas. Complementarmente, o uso de placas de mica e cerâmica no topo do pack de baterias funciona como um escudo térmico que blinda o habitáculo contra o calor extremo.

No entanto, a norma não se limita a testar a bateria em repouso: ela introduz o conceito de "abuso mecânico inferior", focando-se nos incidentes mais comuns do dia-a-dia.

A partir de 2026, os carros terão de superar testes brutais onde o fundo da bateria é deliberadamente atingido por percutores metálicos e raspado contra obstáculos rígidos, simulando o embate em pedras ou lombadas altas. Além disso, as baterias serão testadas em condições de stress extremo, como o curto-circuito imediato após ciclos de carregamento ultrarrápido. Se a bateria for perfurada ou sofrer um choque elétrico nestas condições, ela tem de provar que consegue manter-se inerte, sem fogo, por aquelas mesmas duas horas.

Embora esta seja uma norma nacional chinesa, o seu impacto é de facto global. Como a China controla cerca de 70% da cadeia de fornecimento de baterias e marcas como a CATL e a BYD fornecem gigantes como a Tesla, BMW e Mercedes-Benz, o custo de manter duas linhas de produção diferentes, uma segura para a China e outra menos rigorosa para o resto do mundo, seria incomportável. Assim, a norma GB 38031-2025 acaba por se tornar o padrão global de facto, forçando a União Europeia e os Estados Unidos a adaptarem as suas próprias regulações para não ficarem com veículos tecnicamente obsoletos. Ao eliminar a "ansiedade do incêndio", a indústria prepara-se para transformar o veículo elétrico num meio de transporte inerentemente mais seguro do que os tradicionais modelos a combustão.

Portugal não fabrica células de bateria em larga escala, mas importa quase todos os seus veículos elétricos de marcas que dependem da tecnologia chinesa (como a BYD ) ou de marcas europeias (como o Grupo VW, Renault ou Stellantis) que utilizam baterias da CATL ou de subsidiárias que seguem os padrões globais. Como as fábricas não querem produzir dois tipos de bateria: uma "ultra-segura" para a China e outra "menos segura" para a Europa, os carros que chegarem ao mercado nacional em 2026/2027 já trarão estas melhorias integradas.