Quem ganhou e quem perdeu na “guerra” das vendas em 2025
Com o mercado prestes a fechar e com dados disponíveis apenas até novembro, já é possível antecipar os vencedores e os vencidos no setor automóvel em Portugal. A Peugeot continua a destacar-se no topo do ranking, enquanto marcas como a BYD e a Xpeng surgem como as grandes vencedoras do ano. Sempre debaixo dos holofotes, por bons e maus motivos, quem mais perdeu este ano foi a Tesla .

O Mercado automóvel em Portugal: Dados gerais de Vendas
Até Novembro, o mercado de automóveis novos em Portugal registou um total de 204.168 novos veículos de ligeiros de passageiros e 28.800 ligeiros de mercadorias.
Em termos de tipos de energia, os consumidores finais deram preferência aos veículos a gasolina, que lideram nos ligeiros de passageiros com 25% das vendas, logo seguidos pelos veículos elétricos a bateria (BEV) com 22,9%. Em comparação, em 2024, a gasolina tinha uma representação de 33,9%, enquanto que os BEVs representavam apenas 19,9%. Por outro lado, os HEV a gasolina representarão este ano 21,4% - quando em 2024 representavam apenas 15,1% do mercado. Os plug-in híbridos (PHEV) também cresceram para cerca de 15%, enquanto que os veículos a gasóleo ocupam agora uma fatia menor, de 5,7%. De uma forma geral, o que se verifica é uma transição paulatina da gasolina para as outras opções eletrificadas.
No segmento dos ligeiros de mercadorias, o gasóleo continua a ‘reinar’ com mais 88% do mercado, enquanto que os veículos elétricos a bateria (BEV) compõem 10,9%. Também aqui pode haver uma tendência crescente para a escolha de BEV nos carros usados na distribuição em malha urbana, designada por ‘last mile’.
Quem mais ganhou: a Análise dos vencedores
Ligeiros de passageiros
Entre as marcas que mais se destacaram, a XPENG e a BYD são as que mais chamam a atenção. A primeira porque teve um crescimento elevado de cerca de 1570%, alcançando as 785 unidades vendidas, superando marcas consagradas como a Honda, Alfa Romeo, Mazda ou Lexus e vendendo mais do que outras marcas 100% elétricas, como é o caso da Polestar ou da Smart, que estão no mercado português há mais tempo. Por sua vez, a BYD destacou-se com um crescimento de 113%, alcançando as 5.511 unidades até Novembro - uma fasquia impressionante se considerarmos que, há muito pouco tempo, a BYD era uma marca praticamente desconhecida dos consumidores. Beneficiou de uma diversificação não só na gama de produtos, mas também nos tipos de energia utilizadas, com os PHEV a darem um contributo importante. Uma boa estratégia de comunicação, campanhas publicitárias eficazes e uma boa cobertura de vendas contribuiram também para o seu sucesso. Surge assim à frente de marcas como a Ford, a Audi ou a Fiat.
Outras marcas que mostraram um desempenho forte incluem a MG, com uma subida de 75,2%, e a JEEP, com 41,6% de crescimento, acompanhadas pela Skoda e pela Opel, com taxas de crescimento de 33,8% e 18%, respetivamente.
Ligeiros de mercadorias
Nos ligeiros de mercadorias, a KGM, estreando-se em Portugal com a pick-up Musso, destacou-se com a maior taxa de crescimento, 1052%. A Nissan teve um bom desempenho. Apesar de já não contar com a Navarra - uma referência no mercado de pick-ups - e com a Cabstar - um chassis-cabine de 3,5 toneladas -, apresentou um crescimento de 119%. Outras marcas como a Maxus e Toyota reportaram aumentos de 30,3% e 14,1%, respetivamente.
Quem mais perdeu: Análise dos Perdedores
Ligeiros de passageiros
A Tesla foi a grande perdedora de 2025, com as vendas a recuarem 23,9%, impactadas pela concorrência crescente e pela publicidade negativa ligada a Elon Musk.
Houve tempos em que a compra de um veículo elétrico era uma decisão diferenciada, associada a um estilo de vida sustentável e inovador. Ora, esse tempo coincidiu também com o tempo em que a Tesla tinha um posicionamento premium, não tinha ainda ganho a escala que tem hoje e viam-se poucos Tesla na estrada.
O que antes era visto como uma escolha exclusiva tornou-se uma compra mais comum. De facto, a crescente aceitação dos veículos elétricos e a expansão da oferta tornaram a compra de um carro elétrico uma decisão mais rotineira.
A dinâmica de mercado também mudou. Marcas europeias premium, como a Mercedes e a BMW, ou mais generalistas, como a Peugeot e a Renault, têm vindo a posicionar-se de forma competitiva. Adicionalmente, marcas chinesas como a BYD e a XPENG têm demonstrado capacidade tecnológica, enquanto que marcas como a Changan e a Leapmotor, do grupo Stellantis, chegam para aumentar a diversidade de opções para os consumidores.
Por outro lado, com a redução dos preços dos modelos Tesla , a marca perdeu parte do seu posicionamento premium e, com isso, parte do seu “appeal”.
Outra razão relevante para a queda nas vendas da Tesla em 2025 pode estar ligada à exposição mediática de Elon Musk, especialmente após a compra do Twitter. As suas posições frequentemente controversas em relação a vários temas e sua incursão recente na política podem ter influenciado negativamente a percepção da marca entre os consumidores.
Ainda assim, a Tesla mantém-se ainda como a marca mais relevante no segmento de elétricos, apesar de marcas como a BYD , a Peugeot e a BMW começarem a ganhar volume.
Outras marcas que enfrentaram quedas significativas incluem a DS, com uma redução de 21,8%, a Volvo com uma quebra de 13,5%, a SEAT com 12,2% e a Hyundai que recuou 10,5%.
Ligeiros de mercadorias
No segmento dos ligeiros de mercadorias, a Isuzu foi a maior perdedora, com uma queda de 33,6%, seguida pela Fuso, com uma descida de 23,9% e a Iveco que contabilizou perdas de 21,6%.
O mercado automóvel em Portugal em 2025 apresenta uma dinâmica rica, com marcas a emergir como vencedoras em um cenário competitivo e outras a lutar para manter sua posição. Uma coisa parece certa: as tendências para a escolha de motorizações sustentáveis vão moldar o futuro do setor.








