Nervoso miudinho
O Toyota GT86 cumpre, na íntegra, aquilo que é exigido num coupé desportivo: o puro prazer de condução. Este 2.0 D-4S está disponível por 42 668.66€, bem justificados, sendo certo que estamos perante um “brinquedo” para apreciadores e... para ser apreciado.

Os primeiros quilómetros foram percorridos com aquela sensação de descoberta e a de querer explorar tudo de uma só vez. A melodia do rotativo 2.0 litros boxer de 200cv, com assinatura da Subaru, ao qual a Toyota juntou o sistema de injeção direta D-4S, a tração traseira, o baixo centro de gravidade, um peso que não ultrapassa os 1200kg e um botão “mágico” chamado Track (já lá vamos), é um conjunto de informação que chega de uma vez só, que nos provoca o tal... nervoso miudinho e nos faz rodar em contra relógio até uma daquelas estradas recheada de curvas e contra curvas.

Porém, ainda dentro do circuito urbano, o GT86 consegue ser tão dócil quanto necessário. Contudo, na primeira oportunidade fomos tratar desta “crise de ansiedade”. Para quem conhece, o cenário foi a estrada da Serra, que liga o Porto a Santo Tirso. A descida para o cruzamento da Camposa deu para tomar o pulso. Foi-se “brincando” com o botão Track, que coloca em modo off grande parte da eletrónica e transforma o GT86, num puro desportivo, à moda antiga.
Seguiram-se mais uns quilómetros até ao Aeródromo de Vilar de Luz, sempre com mesma nota de diversão. Porém, foi no regresso, na subida para a zona de S. Miguel - O - Anjo que o ponteiro das rotações andou mais em cima. Na verdade, é na fasquia das 5000 rpm, que este motor boxer mostra para o que foi feito e começa a exigir mais concentração. Deste regime até às 7000 rpm é um “piscar de olhos” e aqui temos, ainda, todos os 205 Nm de binário à nossa disposição e os 200cv a todo o vapor. A juntar-se a isso, há uma caixa manual, de seis relações, curta e muito precisa, tal como a direção direta, que permite uma leitura e inserção em curva quase milimétrica. A rigidez da carroçaria e as melhorias operadas nas ligações ao solo, sobretudo no trem traseiro, agora com duplos triângulos sobrepostos e amortecedores com novas taragens, “ajudam à festa”. Em matéria de pneumáticos, os Michelin Primacy, na medida de 215/45/R17, mesmo que mais talhados para uma utilização mais civilizada estiveram à altura das exigências. Uma palavra ainda no que respeita a consumos, mesmo com estes “abusos” à mistura, a média foi de 8,9 l/100km.
Atenção ao detalhe
Comparativamente com a geração anterior, o construtor nipónico operou apenas mudanças de pormenor, que passam pela adoção de tecnologia bi-LED nas óticas dianteiras e LED atrás, novos apêndices aerodinâmicos na secção inferior do pára-choques dianteiro. O conjunto posterior está mais largo e completado por um difusor a preto, que contrasta com a nova cor, o Cinza Magnetite. No habitáculo o construtor faz questão de manter o espírito “racing”, os bancos dianteiros, em couro preto e as costuras a vermelho, tipo “baquet” permitem um encaixe perfeito. No topo da consola central, o ecrã tátil está perfeitamente enquadrado no conjunto. O painel de instrumentos, com informação a surgir em itálico e sobre um fundo branco dá continuidade à política desportiva.

Para além disso, os mais entusiastas ainda se podem entreter com um género de telemetria, às opções de um cronómetro - Lap Watch - e uns gráficos que mostram a relação dos regimes de motor e ainda ângulos de viragem. Mesmo tendo plena consciência que a diversão está reservada, sobretudo, para os dois lugares dianteiros, o GT86 que é um 2+2, permite ainda mais dois ocupantes (de estatura mediana) atrás, mas claro está para passeios mais curtos e menos emotivos.




