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A desaceleração nos carros elétricos: há biliões em investimentos que estão em dúvida

A Ford continua a perder mais de 37 mil euros por cada elétrico que é vendido, mas não é caso único. Agora que os elétricos perdem momentum, são várias as marcas que estão a repensar os seus planos de investimento, Tesla incluída.

Nuno Poço
Nuno Poço
A desaceleração nos carros elétricos: há biliões em investimentos que estão em dúvida

Se olharmos para os relatórios e contas dos construtores, vamos encontrar várias marcas que trabalham com margens brutas negativas nos veículos elétricos. Isso significa que o valor de venda do carro elétrico não chega para cobrir o custo de produção do carro, mesmo antes de contabilizarmos outros custos operacionais, depreciações ou custos financeiros.

É esse o caso da Ford e da Rivian, por exemplo. A Rivian só produz elétricos e o relatório é fácil de ler. A companhia apresenta uma margem bruta negativa de 2,4 biliões de dólares (ou mil milhões para sermos mais corretos) - considerando os últimos 4 trimestres consecutivos -, para um total de produção de 54 mil veículos. São 45 mil dólares de margem negativa, por cada unidade Rivian que é vendida. No caso da Rivian, essa margem tem sido melhorada de trimestre para trimestre. Considerando apenas o terceiro trimestre de 2023, a margem negativa é de ‘apenas’ 31 mil dólares, por exemplo.

No caso da Ford , apesar do relatório ser complexo a companhia faz um disclosure por ‘segmentos’ de negócio, pelo que também é fácil de verificar a margem bruta por unidade elétrica vendida. A Ford perde cerca de 37 mil dólares em cada unidade vendida à rede de concessionários.

Xpeng G9
Xpeng G9
'Não consigo imaginar que o estado atual seja sustentável para todos os fabricantes' (Harald Wilhelm, Mercedes-Benz)
A desaceleração nos carros elétricos: há biliões em investimentos que estão em dúvida

Para a Tesla a realidade é diferente, ainda que os recentes cortes nos preços tenham afetado significativamente a rentabilidade da companhia. A realidade é que a Tesla continua a libertar mais de 8.400 dólares por cada Tesla que é produzido, ainda assim cerca de metade do valor de margem bruta no primeiro trimestre de 2022.

Procura por veiculos elétricos perde momentum

A procura por carros elétricos mantém-se em alta e as vendas ainda estão a crescer de forma robusta, mas não ao ritmo das expectativas iniciais dos fabricantes e dos investidores.

Os valores de 2023 apontam para um crescimento de 34% na procura por veículos elétricos ou PHEV, enquanto que o mercado global de ligeiros de passageiros cresceu apenas 9%. Mas espera-se que 2024 seja um ano mais comedido no crescimento.

Recentemente, Elon Musk mostrou-se preocupado com as elevadas taxas de juro no mercado, que naturalmente podem arrefecer a procura por carros elétricos.

Esse contexto de mercado, já levou a Tesla a baixar as ambições que tinha para a Cybertruck e Musk avisou que o plano de investimento de um total de 5 biliões de dólares, na fábrica de Monterrey, no México, poderia sofrer atrasos.

Mas esse não é o único investimento que está em risco. Recentemente, Mary Barra, comunicou aos acionistas da companhia que a GM iria reduzir a aceleração na produção de elétricos para proteger o mix de preços e adaptar-se ao ritmo mais lento da procura. Um comunicado conjunto da GM e da Honda, colocou um fim ao investimento conjunto de 5 biliões de dólares, que tinha sido anunciado cerca de um ano antes, para o desenvolvimento comum de veículos elétricos.

A Ford comunicou também, durante a apresentação de resultados do terceiro trimestre, que baixou a produção da pick-up F-150 Lightning e do Ford Mach-e. Para além disso, iria atrasar o seu plano de investimentos na divisão de elétricos, o segmento Ford Model E, que totalizava 12 biliões de dólares.

No mesmo tom, também alguns construtores europeus, vieram comunicar os seus receios. A Mercedes lida com problemas de rentabilidade nos elétricos e o Grupo Volkswagen, comunicou recentemente que a companhia não gera dinheiro suficiente para levar a cabo o plano que tinha sido traçado para a eletrificação, sendo provável que alguns investimentos sejam também adiados.

É uma navegação muito difícil, num percurso que parece inicialmente traçado. Por um lado, os construtores têm que acompanhar a procura, sabendo de antemão que cada novo cliente que é adquirido impõe um prejuízo e será esse o foco, reduzir os custos de produção, seja nas compras de materias, seja na tecnologia e na eficiência de produção.

Em 2025, espera-se que pelo menos mais 4 grupos irão ultrapassar o milhão de elétricos produzidos, Volkswagen Group, Hyundai Motor, General Motors e Stellantis.

A desaceleração nos carros elétricos: há biliões em investimentos que estão em dúvida

A Ford continua a perder mais de 37 mil euros por cada elétrico que é vendido, mas não é caso único. Agora que os elétricos perdem momentum, são várias as marcas que estão a repensar os seus planos de investimento, Tesla incluída.

Nuno Poço
Nuno Poço
A desaceleração nos carros elétricos: há biliões em investimentos que estão em dúvida

Se olharmos para os relatórios e contas dos construtores, vamos encontrar várias marcas que trabalham com margens brutas negativas nos veículos elétricos. Isso significa que o valor de venda do carro elétrico não chega para cobrir o custo de produção do carro, mesmo antes de contabilizarmos outros custos operacionais, depreciações ou custos financeiros.

É esse o caso da Ford e da Rivian, por exemplo. A Rivian só produz elétricos e o relatório é fácil de ler. A companhia apresenta uma margem bruta negativa de 2,4 biliões de dólares (ou mil milhões para sermos mais corretos) - considerando os últimos 4 trimestres consecutivos -, para um total de produção de 54 mil veículos. São 45 mil dólares de margem negativa, por cada unidade Rivian que é vendida. No caso da Rivian, essa margem tem sido melhorada de trimestre para trimestre. Considerando apenas o terceiro trimestre de 2023, a margem negativa é de ‘apenas’ 31 mil dólares, por exemplo.

No caso da Ford , apesar do relatório ser complexo a companhia faz um disclosure por ‘segmentos’ de negócio, pelo que também é fácil de verificar a margem bruta por unidade elétrica vendida. A Ford perde cerca de 37 mil dólares em cada unidade vendida à rede de concessionários.

Galp
Galp
'Não consigo imaginar que o estado atual seja sustentável para todos os fabricantes' (Harald Wilhelm, Mercedes-Benz)
A desaceleração nos carros elétricos: há biliões em investimentos que estão em dúvida

Para a Tesla a realidade é diferente, ainda que os recentes cortes nos preços tenham afetado significativamente a rentabilidade da companhia. A realidade é que a Tesla continua a libertar mais de 8.400 dólares por cada Tesla que é produzido, ainda assim cerca de metade do valor de margem bruta no primeiro trimestre de 2022.

Procura por veiculos elétricos perde momentum

A procura por carros elétricos mantém-se em alta e as vendas ainda estão a crescer de forma robusta, mas não ao ritmo das expectativas iniciais dos fabricantes e dos investidores.

Os valores de 2023 apontam para um crescimento de 34% na procura por veículos elétricos ou PHEV, enquanto que o mercado global de ligeiros de passageiros cresceu apenas 9%. Mas espera-se que 2024 seja um ano mais comedido no crescimento.

Recentemente, Elon Musk mostrou-se preocupado com as elevadas taxas de juro no mercado, que naturalmente podem arrefecer a procura por carros elétricos.

Esse contexto de mercado, já levou a Tesla a baixar as ambições que tinha para a Cybertruck e Musk avisou que o plano de investimento de um total de 5 biliões de dólares, na fábrica de Monterrey, no México, poderia sofrer atrasos.

Mas esse não é o único investimento que está em risco. Recentemente, Mary Barra, comunicou aos acionistas da companhia que a GM iria reduzir a aceleração na produção de elétricos para proteger o mix de preços e adaptar-se ao ritmo mais lento da procura. Um comunicado conjunto da GM e da Honda, colocou um fim ao investimento conjunto de 5 biliões de dólares, que tinha sido anunciado cerca de um ano antes, para o desenvolvimento comum de veículos elétricos.

A Ford comunicou também, durante a apresentação de resultados do terceiro trimestre, que baixou a produção da pick-up F-150 Lightning e do Ford Mach-e. Para além disso, iria atrasar o seu plano de investimentos na divisão de elétricos, o segmento Ford Model E, que totalizava 12 biliões de dólares.

No mesmo tom, também alguns construtores europeus, vieram comunicar os seus receios. A Mercedes lida com problemas de rentabilidade nos elétricos e o Grupo Volkswagen, comunicou recentemente que a companhia não gera dinheiro suficiente para levar a cabo o plano que tinha sido traçado para a eletrificação, sendo provável que alguns investimentos sejam também adiados.

É uma navegação muito difícil, num percurso que parece inicialmente traçado. Por um lado, os construtores têm que acompanhar a procura, sabendo de antemão que cada novo cliente que é adquirido impõe um prejuízo e será esse o foco, reduzir os custos de produção, seja nas compras de materias, seja na tecnologia e na eficiência de produção.

Em 2025, espera-se que pelo menos mais 4 grupos irão ultrapassar o milhão de elétricos produzidos, Volkswagen Group, Hyundai Motor, General Motors e Stellantis.