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Diário - Ênah Pá por Marrocos | O início da história

Um Marrocos de poucos recursos, estradas sem condições viárias adequadas, poucos postos de abastecimento e condutores “Kamikaze” com pouco sentido de segurança. Que destino, que experiência, estamos mais vivos quando viajamos à descoberta.

Francisco Aleixo
Francisco Aleixo
Diário - Ênah Pá por Marrocos | O início da história

2006, surgiu o convite:

  • Francisco, eras tu que falavas em fazer uma excursão por Marrocos, queres alinhar numa que se está a organizar?

Naquela noite, quase não dormi, o primeiro sim foi dado, estava mesmo ali, agora iam me apresentar os “senhores” que sabem disto tudo.

Os culpados do costume (a quem carinhosamente chamo “os rapazes”), plenos de convicção, eram já participantes confirmados, eu fui ouvir a experiência, fui perceber como podia alguém confiar num grupo de “experientes” trepadores de pedras (de fim de semana), para ingressar numa excursão de 10 dias a rolar no desconhecido. Foi na esplanada do “Novo Horizonte”, mais literal não podia ser, e entre caras conhecidas e desconhecidas, um “grupo” já se fazia sentir como tal, assim é o espírito TT, assim somos quando os 4X4 nos unem.

Com semblante de presença inconfundível, surpreso por ter um participante mais alto que ele, hoje meu bom amigo, o Mário Pinto, estava encarregue de esclarecer uma plateia sedenta de informação. Seguro será dizer que estávamos prontos, ficou ali fechado, íamos a Marrocos.

Toyota Land Cruiser 70 VX3000, a máquina não precisou de muitos carinhos, já equipado exteriormente, restava pensar no interior, esta não é uma viagem para malas pequenas, dois ocupantes masculinos, sem experiência, pensam que tem de levar tudo, daí que o banco traseiro saiu, afinal as esposas garantiram que não nos ia faltar nada, e que mala famosa ficou, aqui havia sempre mais alguma coisa para as carências alimentares de todos, desde os que só levaram bolachas, até ao cozinheiro da organização que serviu bacalhau salgado, fomos conquistando o nosso lugar no grupo.

Pneu suplente a dobrar, combustível extra, conjugação de palavras que nos remetem para um mundo diferente, onde devíamos estar cientes da realidade de então, num Marrocos de poucos recursos, estradas sem condições viárias adequadas, poucos postos de abastecimento e condutores “Kamikaze” com pouco sentido de segurança. Que destino, que experiência, estamos mais vivos quando viajamos à descoberta.

Comunicações rádio, a ferramenta que quebra o gelo, a ocupação para os muitos km’s de asfalto até Africa, onde todos participam, um canal, uma sintonia, uma das uniões entre as várias realidades num objectivo comum. Naquela viagem os simples “walkie-talkie” foram a nossa ligação e que bem soava quando aquele “bip” tocava, alguém estava a falar, alguém estava a informar algo, alguém queria sentir os outros na sua viatura, formamos um grupo e estávamos juntos pelas ondas rádio.

GPS, deveríamos ter três aparelhos em toda a caravana, os velhinhos eTrex10 da Garmin, com monitores de 1,7”, um luxo para a altura. Assim se (des)orientavam os líderes, com o sentido de orientação a guiar-nos para Sul, deveria ser essa a direcção.

Xpeng G9
Xpeng G9
'Que destino, que experiência, estamos mais vivos quando viajamos à descoberta.'
Diário - Ênah Pá por Marrocos | O início da história

Marraquexe definia o nosso ponto de viragem a Norte, cidade imperial cuja praça Djemaa el Fna, sendo a mais célebre é ponto obrigatório de passagem nesta cidade (falaremos de outros pontos, menos urbanos, mais remotos e de outra realidade).

Disseram-me que tinha de levar uma tenda, os dias passavam e nada apontava para poder usar a dita. Começava a duvidar que teria o meu momento debaixo das estrelas do deserto, até que determinado dia, o pôr do sol apressava-se e não havia sinal de chegar ao hotel do programa, a caravana teve de se recolher num velho Kasbah na zona onde circulávamos. No quarto designado entramos, o Miguel olhou para mim e disse, nesta cama não cabemos os dois! Fez-se luz, o Kasbah de construção em pátio interno, configurava uma cobertura plana, estava criado o cenário, aí montei a minha tenda e passei uma das melhores noites desta experiência, maravilhoso céu.

Novo dia, segue a caravana, Defender 110 na liderança, Patrol Y60 GR a fechar, logo em segundo o Range Rover do cozinheiro, com pneus extraordinariamente grandes, seguidos do pequeno Jeep Cherokee XJ de série, duas pick-up Mitsubishi L200, com um “outsider” para a altura, o Volkswagen Touareg, a dar estilo à caravana, um Nissan Terrano em substituição de última hora por avaria do Patrol GR. Restavam os dois 70, o meu VX e o 2.5 do César com os rapazes, sempre prontos para qualquer desafio, estas foram as máquinas que compunham a caravana de 2006. Aqui aprendi e persiste um dos meus lemas para as excursões do Ênah Pá, é 4X4 está bom, vamos lá,...

Diário - Ênah Pá por Marrocos | O início da história

Um Marrocos de poucos recursos, estradas sem condições viárias adequadas, poucos postos de abastecimento e condutores “Kamikaze” com pouco sentido de segurança. Que destino, que experiência, estamos mais vivos quando viajamos à descoberta.

Francisco Aleixo
Francisco Aleixo
Diário - Ênah Pá por Marrocos | O início da história

2006, surgiu o convite:

  • Francisco, eras tu que falavas em fazer uma excursão por Marrocos, queres alinhar numa que se está a organizar?

Naquela noite, quase não dormi, o primeiro sim foi dado, estava mesmo ali, agora iam me apresentar os “senhores” que sabem disto tudo.

Os culpados do costume (a quem carinhosamente chamo “os rapazes”), plenos de convicção, eram já participantes confirmados, eu fui ouvir a experiência, fui perceber como podia alguém confiar num grupo de “experientes” trepadores de pedras (de fim de semana), para ingressar numa excursão de 10 dias a rolar no desconhecido. Foi na esplanada do “Novo Horizonte”, mais literal não podia ser, e entre caras conhecidas e desconhecidas, um “grupo” já se fazia sentir como tal, assim é o espírito TT, assim somos quando os 4X4 nos unem.

Com semblante de presença inconfundível, surpreso por ter um participante mais alto que ele, hoje meu bom amigo, o Mário Pinto, estava encarregue de esclarecer uma plateia sedenta de informação. Seguro será dizer que estávamos prontos, ficou ali fechado, íamos a Marrocos.

Toyota Land Cruiser 70 VX3000, a máquina não precisou de muitos carinhos, já equipado exteriormente, restava pensar no interior, esta não é uma viagem para malas pequenas, dois ocupantes masculinos, sem experiência, pensam que tem de levar tudo, daí que o banco traseiro saiu, afinal as esposas garantiram que não nos ia faltar nada, e que mala famosa ficou, aqui havia sempre mais alguma coisa para as carências alimentares de todos, desde os que só levaram bolachas, até ao cozinheiro da organização que serviu bacalhau salgado, fomos conquistando o nosso lugar no grupo.

Pneu suplente a dobrar, combustível extra, conjugação de palavras que nos remetem para um mundo diferente, onde devíamos estar cientes da realidade de então, num Marrocos de poucos recursos, estradas sem condições viárias adequadas, poucos postos de abastecimento e condutores “Kamikaze” com pouco sentido de segurança. Que destino, que experiência, estamos mais vivos quando viajamos à descoberta.

Comunicações rádio, a ferramenta que quebra o gelo, a ocupação para os muitos km’s de asfalto até Africa, onde todos participam, um canal, uma sintonia, uma das uniões entre as várias realidades num objectivo comum. Naquela viagem os simples “walkie-talkie” foram a nossa ligação e que bem soava quando aquele “bip” tocava, alguém estava a falar, alguém estava a informar algo, alguém queria sentir os outros na sua viatura, formamos um grupo e estávamos juntos pelas ondas rádio.

GPS, deveríamos ter três aparelhos em toda a caravana, os velhinhos eTrex10 da Garmin, com monitores de 1,7”, um luxo para a altura. Assim se (des)orientavam os líderes, com o sentido de orientação a guiar-nos para Sul, deveria ser essa a direcção.

Xpeng G9
Xpeng G9
'Que destino, que experiência, estamos mais vivos quando viajamos à descoberta.'
Diário - Ênah Pá por Marrocos | O início da história

Marraquexe definia o nosso ponto de viragem a Norte, cidade imperial cuja praça Djemaa el Fna, sendo a mais célebre é ponto obrigatório de passagem nesta cidade (falaremos de outros pontos, menos urbanos, mais remotos e de outra realidade).

Disseram-me que tinha de levar uma tenda, os dias passavam e nada apontava para poder usar a dita. Começava a duvidar que teria o meu momento debaixo das estrelas do deserto, até que determinado dia, o pôr do sol apressava-se e não havia sinal de chegar ao hotel do programa, a caravana teve de se recolher num velho Kasbah na zona onde circulávamos. No quarto designado entramos, o Miguel olhou para mim e disse, nesta cama não cabemos os dois! Fez-se luz, o Kasbah de construção em pátio interno, configurava uma cobertura plana, estava criado o cenário, aí montei a minha tenda e passei uma das melhores noites desta experiência, maravilhoso céu.

Novo dia, segue a caravana, Defender 110 na liderança, Patrol Y60 GR a fechar, logo em segundo o Range Rover do cozinheiro, com pneus extraordinariamente grandes, seguidos do pequeno Jeep Cherokee XJ de série, duas pick-up Mitsubishi L200, com um “outsider” para a altura, o Volkswagen Touareg, a dar estilo à caravana, um Nissan Terrano em substituição de última hora por avaria do Patrol GR. Restavam os dois 70, o meu VX e o 2.5 do César com os rapazes, sempre prontos para qualquer desafio, estas foram as máquinas que compunham a caravana de 2006. Aqui aprendi e persiste um dos meus lemas para as excursões do Ênah Pá, é 4X4 está bom, vamos lá,...