Conduzimos o Mitsubishi ASX. Equipa que ganha não se mexe
Conduzimos o novo Mitsubishi ASX, sim, o Mitsubishi ASX e as diferenças não são só os logótipos. Mas isso é uma conversa para as próximas linhas.

Desmistificar o conceito de Badge Engineering
Comecemos por desmistificar o preconceito criado em torno do badge engineering. Produzir um carro de raiz é um processo demorado e altamente dispendioso. Se algumas marcas estão prontas para o fazer, outras estão em situações que não permitem longas paragens para simplesmente criar do zero. Pessoalmente, acredito que mais vale um pássaro na mão do que dois a voar e, por isso, é preferível ter uma oferta num segmento tão competitivo como o B-SUV do que simplesmente deixar voar a oportunidade.
A Mitsubishi acaba de regressar à Europa com um projeto que, numa primeira instância, passa por produzir carros em conjunto com a Renault. Se poderia haver uma maior diferenciação entre os modelos? Podia. Mas isso iria custar tempo, tempo que a Aliança Renault -Nissan- Mitsubishi não tem.
Reparem que o Renault Captur foi líder no segmento B-SUV a gasolina, com uma quota de mercado de 14.7%, em 2022. É por este e outros factos que digo: em equipa que ganha, não se mexe.
Design Exterior | As diferenças vão além dos logótipos
No exterior, não são apenas os logotipos das marcas que distinguem o ASX do Captur . De frente para o Mitsubishi logo vemos uma grelha diferenciada com friso cromado que aponta para o centro, onde é colocado o logotipo da marca. Já o grupo óptico, conserva o formato da letra C e inclui tecnologia LED.
Na lateral, destaque para as jantes Flex de 17” na versão Inform/Invite e as de liga leve de 18” na versão Intense. Já na traseira temos, pela primeira vez, o nome da marca por extenso a ocupar a largura da porta da bagageira, substituindo o logotipo. Esta opção faz com que a câmara fique exposta, ao contrário do que acontece no Captur em que está camuflada ao centro do logo da Renault .
A carroçaria está disponível em seis cores distintas e, na versão Intense, é possível escolher entre 5 cores Dual Tone.
No interior do Mitsubishi ASX não encontramos nenhum aspeto particularmente inovador, no entanto, nem todos os condutores estão à procura de inovação. Às vezes, só precisamos de um interior ergonómico, confortável e funcional. E nesse caso, o ASX cumpre com distinção.
A bordo do ASX temos espaço suficiente para pernas, cabeça, corpo inteiro e ainda umas quantas coisas que queiramos transportar nos 393l de volume da bagageira. Neste habitáculo, todos viajam com conforto. Os materiais incluídos no interior revelam bastante qualidade ao toque.
Motorizações | Versão Exclusiva
A nova geração do Mitsubishi ASX chega com três motorizações distintas. A versão de entrada é apelidada de Inform e inclui um motor 1.0 MPI-T com uma potência máxima de 90 cv, um binário de 160 Nm e uma caixa de 6 velocidades manual. A segunda motorização é eletrificada, trata-se de um 1.3 DI-T MHEV, cuja potência máxima é de 160 cv, o binário de 270 Nm e uma caixa de 7 velocidades automática.
Por último mas não menos importante, a versão Intense, híbrida plug-in com uma potência combinada de 160 cv. A autonomia máxima em modo elétrico corresponde a 48 km em modo combinado ou 62 km em ciclo urbano.
A nossa experiência de condução | A bordo do ASX 1.0 MPI-T
Tivemos a oportunidade de conduzir o novo ASX pelas estradas que unem Lisboa à Ericeira. Envolvidos pela paisagem, sentimos este Mitsubishi mais jovem e fresco que nunca. Isto porque apesar de todos os aspetos óbvios, o ASX é precisamente uma lufada de ar fresco na marca, um novo começo, uma nova onda.
O Mitsubishi ASX é um veículo esteticamente bem conseguido. É moderno, robusto e atraente. O pormenor da grelha diferenciada até lhe dá uma gracinha extra. Em suma, este é um design que cativa e não é por não serem louros da Mitsubishi que deixo de elogiar. Afinal de contas, se é para partilhar a plataforma que seja com um carro bem concebido.
Ao entrar neste novo Mitsubishi senti-me logo confortável e acolhida pelos bancos ergonómicos. Temos os elementos necessários, na medida e sítio certo. O modelo que ensaiei incluía um ecrã central de 4.2” que tem tudo… menos navegação. Eu sei que hoje em dia já toda a gente utiliza o Android Auto e afins, porém… senti falta.
Bem, chegou a hora de agarrar o volante em pele sintética e acelerar estrada fora, sem nunca atingir os 168 km/h de velocidade máxima (claro!) mas também sem grande preocupação com consumos que ficam estacionados nos 5.8l/100km.
Tendo em consideração que estávamos a conduzir a versão base da gama, fiquei bastante surpreendida com a agilidade, leveza e resposta do motor. O ASX aguenta bastante bem sem necessidade de constantes reduções de velocidades, adaptando-se facilmente tanto a uma condução citadina como de autoestrada. Destaco apenas o ruído típico de um motor 1.0 quando estamos numa primeira ou segunda que logo se esbate à medida que aumentamos as velocidades na caixa.
Seguro de si, o ASX possui sistemas de segurança que transmitem essa mesma segurança para quem o conduz. Outro sentimento transmitido é o de estarmos a bordo de um SUV quando na verdade estamos a bordo de um modelo de segmento B-SUV.
Em suma, considero que o ASX é uma ótima opção para quem procura um veículo para condução diária e citadina pela sua agilidade. O espaço disponível não descarta famílias, nem solitários claustrofóbicos. E digo isto após ter feito alguns quilómetros no banco traseiro sem o meu 1.72m ser sentido apertado ou desconfortável.
Agora perguntam: Mas porque não um Renault Captur? Por confiança na Mitsubishi , por preferência, por satisfação, por opção. Qualquer uma das escolhas, parece-me uma escolha bem feita.






