As baterias dos elétricos: Há vida depois da morte
À medida em que os veículos elétricos ocupam as estradas e a maioria das garagens, uma das grandes questões que pairam no ar é: Então e as baterias em fim de vida? Calma, há vida depois da morte.

Nunca pensei estar a dizer isto mas, de facto, existe vida depois da morte e eu posso provar. Quer dizer, pelo menos para as baterias dos carros elétricos.
Há vários anos que a pesquisa e o desenvolvimento da reciclagem de baterias de iões de lítio estão em andamento e, na realidade, já existem empresas cujo foco está no sistema do reaproveitamento e reciclagem deste componente.
Primeiro passo: Reaproveitar
A bateria do veículo elétrico poderá estar em fim de vida enquanto bateria automóvel, porém, ainda resta um pouco de vida para que seja reutilizada. Isto significa que, caso a bateria não tenha sofrido nenhum dano, esta possui cerca de 80% da capacidade de armazenamento original num contexto de capacidade adicional. Ou seja, estes 80% poderão ser aproveitados para componentes menos exigentes como armazenamento de energia.
A RePurpose Energy é uma das empresas que dá às baterias uma segunda vida. Com o objetivo de tornar as baterias de iões de lítio mais sustentáveis, esta empresa junta várias baterias para criar uma bateria maior que tem, aproximadamente, a dimensão de um contentor. Este “contentor de baterias” armazena energia solar durante o dia e fornece eletricidade em horários de alta procura, à noite. Com esta estratégia, é possível aumentar o tempo de vida de um produto que já foi produzido e, depois desta segunda vida, as baterias ainda estão aptas para reciclagem. Esta segunda vida pode manter uma bateria por, pelo menos, uma década a favor da energia fotovoltaica.
À terceira é de vez
Dizem que não há duas sem três mas, para as baterias de iões de lítio, depois de uma segunda vida, espera-se que sejam recicladas.
Após 5 a 8 anos de uso, uma bateria de iões de lítio começa a degradar-se mas, mesmo depois de 10 anos de uso, estas baterias podem ser recicladas. Metais preciosos como cobalto e níquel são reciclados a preços muito competitivos em comparação com a mineração.
Em Itália, a COBAT trata da economia circular recolhendo baterias usadas, resíduos elétricos e pneus em fim de vida. Esta plataforma e o Instituto de Química de Compostos Organometálicos do CNR patentearam um processo de recuperação hidrometalúrgica de massa negra (uma mistura de lítio, manganês, cobalto e níquel) de baterias de lítio.
No geral, existem dois principais processos de reciclagem de baterias que podem ser usados em separado ou em conjunto. O primeiro trata-se da Pirometalurgia, onde se destroem componentes orgânicos e plásticos expondo-os a elevadas temperaturas, deixando apenas os componentes metálicos que são então separados por processos químicos. Por outro lado, existe a Hidrometalurgia, que não inclui o recurso a altas temperaturas. Os componentes são separados apenas por diferentes banhos de soluções químicas adaptadas aos materiais que são recuperados. Em ambos os casos, as baterias devem primeiro ser reduzidas a pó.
Porém, ainda é cedo
Estes processos, tanto de reutilização como de reciclagem têm tido um feedback bastante positivo no que toca a questões de logística e ambientais, porém, este processo ainda é relativamente recente. Num futuro próximo teremos um número de baterias em fim de vida nunca antes visto, dada a jovialidade da tecnologia e aí vão sentir-se todas as dificuldades.
Para que o choque não seja tão agressivo, as empresas e marcas automóveis estão a procurar desenvolver tecnologias o mais sustentáveis e maduras possível para encararem o futuro. É essencial que haja uma pressão na comunidade e na legislação para que tanto os processos de produção como os de reciclagem sejam o mais transparente possível.
Assim, o tempo de vida das baterias é um fator muito importante para que se garanta um fim de vida seguro e sustentável, assegurando a recuperação de materiais e a sua reutilização.
Para saber mais sobre que materiais usam as baterias e qual a pegada ecológica e o custo social, releia este nosso artigo.








